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postado por Carla Tavares de Moraes Sarmento em Sexta-feira, 07 de Outubro de 2016

relato

O Marco de Referência apresenta a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) como um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Apesar de ser um componente curricular que precisa perpassar todo o curso de nutrição, na maior parte das situações a Educação (Alimentar e) Nutricional ainda se restringe a uma disciplina. Fica cada vez mais evidente a necessidade de estratégias curriculares e pedagógicas e também um maior envolvimento do corpo docente como um todo para que a EAN esteja presente ao longo do processo de formação do estudante de Nutrição.

Com o intuito de sensibilizar o corpo docente de um curso de nutrição, sobre a importância de se trabalhar os princípios do Marco de Referência, duas professoras realizaram uma oficina de Educação Alimentar e Nutricional durante a Semana Pedagógica da instituição. O resultado foi muito positivo e você poderá encontrar aqui neste post.

A oficina foi realizada com professores e coordenadores de uma Instituição de Ensino Superior de Brasília, DF, durante a semana pedagógica para apresentar a temática de EAN no contexto do Marco de Referência e seus princípios. A atividade foi realizada em Julho de 2016,

As motivações para a realização da oficina foram:

  • Na maior parte das vezes o nutricionista ainda é quem decide pelo seu paciente, não só no consultório, mas nos diferentes campos de atuação e espaços. Então, como construir um ambiente favorável para que as pessoas possam construir seu próprio conhecimento e tomar suas decisões?


  • Necessidade de desconstrução da ideia atual que o nutricionista virou um profissional para "dar dicas". Porém, para desconstruir vem uma pergunta: quais as características que o profissional precisa ter para contribuir com a transformação das pessoas que o procuram?


  • As redes sociais mudaram as relações e não conseguimos saber até que ponto o nutricionista estava preparado para "se jogar nessa rede" sem perder seu objetivo. Será que perdemos o controle? E até mesmo a credibilidade? Parece que nosso espaço e função está sendo dividido com muitos outros profissionais.

 

  • Qual o perfil do profissional que precisamos atualmente? São quase 7 mil novos nutricionistas credenciados nos conselhos a cada ano e, mesmo assim, as prevalências de sobrepeso e obesidade continuam aumentando.

Que tipo de profissional estamos precisando para atuar com EAN lembrando que os estudantes chegam no curso com distintas perspectivas e interesses. Como envolver e formar com excelência?

A partir destas inquietações foi apresentada a proposta à coordenação do curso de Nutrição do qual as realizadoras da oficina fazem parte do corpo docente. A coordenadora aprovou a oficina e agendou para o primeiro dia da Semana Pedagógica com a participação de todos os docentes e orientadores de prática totalizando 19 nutricionistas.

Saiba mais sobre o planejamento e desenvolvimento da oficina neste link aqui!



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 06 de Outubro de 2015

Apresentamos no quadro de hoje um artigo escrito pela Lígia Amparo Santos - Doutora em Ciências Sociais - e publicado na Revista de Nutrição em 2013. Nele, Lígia propõe uma reflexão sobre avanços e desdobramentos para EAN a partir do lançamento do Marco de Referência. Dentre os aspectos positivos a serem destacados no marco, Santos comenta a respeito da construção coletiva do documento que contou com significativa contribuição da sociedade civil.

Ela também valoriza em seu artigo a dimensão cultural da alimentação:

“No que se refere aos aspectos culturais da alimentação, a compreensão do ato alimentar como uma prática social que traz à tona as dimensões socioculturais, valores simbólicos, afetivos e sensoriais da alimentação, do alimento e do comer, bem como a valorização das diferentes expressões de identidade e cultura alimentar e do fortalecimento de hábitos alimentares regionais, já é assegurada no corpus das políticas públicas de alimentação e nutrição produzidas particularmente no decorrer da primeira década deste século.”

No trecho seguinte, Lígia contextualiza o fortalecimento do conceito de tradições alimentares no âmbito da nutrição, ao passo que gastronomia e a nutrição como ciência reconhecem e valorizam esta importante dimensão:

“O que mais interessa neste processo de alargamento das formas de ver e pensar a tríade do comer, alimentar e nutrir é como elas dialogam com as dimensões forjadas pela biomedicina, eixo central da Ciência da Nutrição desde seu nascimento. Em outras palavras, como promover mudanças nas práticas alimentares dos sujeitos sob a ótica do saudável e, ao mesmo tempo, respeitar os seus hábitos alimentares, as tradições e a cultura alimentar de um povo? Essa questão, um dilema talvez, que percorre as políticas e as práticas, irá encontrar na educação alimentar e nutricional um nó górdio; cabe, portanto, refletir sobre o tema. Dentre inúmeros outros aspectos, compete também pensar que o principal "instrumento" da educação alimentar e nutricional é o diálogo, elemento fundante de existência humana coletiva, e que seu sucesso depende fundamentalmente da agência dos sujeitos. Para além dos corpos-máquinas, norteados pelo conhecimento biomédico, são sujeitos que vivem em relação, produtos e produtores do seu tempo e do seu lugar no mundo. A existência humana concreta desafia os saberes disciplinares tal como a ciência hegemônica se estruturou, compartimentalizando os conhecimentos em categorias excludentes, a exemplo de natureza versus cultura, social versus biológico, comer versus nutrir. Ao considerar que a EAN se configura no encontro entre sujeitos e que tais dimensões se apresentam entrelaçadas no cotidiano das nossas práticas, pode-se inferir que esse diálogo de saberes se constitui uma das maiores provocações que o Marco traz para a sociedade brasileira. É desse modo que o cenário das práticas educativas dá visibilidade à insuficiência do cartesianismo e se torna um terreno fértil que produz objetos de estudos da EAN. Assim, um desafio é construir uma Ciência da Nutrição que dê conta ao mesmo tempo das diferentes dimensões implicadas nas práticas alimentares dos sujeitos.”

Em relação ao papel da EAN dentro da Universidade, é abordado a inserção dentro do tripé Ensino, Pesquisa e Extensão, e foi observado a necessidade de se trabalhar a EAN como uma prática mais participativa e emancipatória por parte dos educadores. O Marco como o próprio nome diz, serve como um elemento norteador dentro de diferetes esferas para se desenvolver a temática. 

Lígia conclui o artigo da seguinte forma:

“Os comentários aqui traçados são esperançosos e têm como perspectiva que o Marco de Referência de EAN para Políticas Públicas possa vir a ser um documento vivo para o campo e que essa culminância seja um começo. Espera-se que ainda possa ser tratado como também um"marco" divisor de águas no qual nós, astrônomos e cartógrafos da alimentação e da nutrição, possamos navegar com mais segurança. Que seja uma bússola que, com frequentes ajustes, assegure a possibilidade de desbravar novas terras e que possa contribuir para o nosso objetivo: garantir à sociedade brasileira o direito a uma alimentação adequada e saudável”.

O Marco de Referência foi lançado no final de 2012 e este artigo publicado em um momento inicial ao lançamento do mesmo, contextualizando o cenário da época. Três anos se passaram desde o lançamento, e de que maneiras o Marco contribuiu e continuará a contribuir para a consolidação das práticas em Educação Alimentar e Nutricional referidas?      

Clique aqui para acessar o artigo na íntegra.


 

 



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