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Posts Relacionados com a(tag):Formação em EAN

postado por Ideias na Mesa em Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Por Equipe Ideias na Mesa

capa O novo Guia alimentar para a População Brasileira foi lançado pelo Ministério da Saúde em outubro de 2014. A análise dos dez passos aponta as responsabilidades que o indivíduo deve ter para praticar uma alimentação adequada e saudável.

Atualmente, considera-se o conceito de Alimentação Adequada e Saudável como a prática alimentar apropriada aos aspectos biológicos e socioculturais dos indivíduos, bem como ao uso sustentável do meio ambiente. Ou seja, deve estar em acordo com as necessidades de cada fase do curso da vida e com as necessidades alimentares especiais; referenciada pela cultura alimentar e pelas dimensões de gênero, raça e etnia; acessível do ponto de vista físico e financeiro; harmônica em quantidade e qualidade; baseada em práticas produtivas adequadas e sustentáveis com quantidades mínimas de contaminantes físicos, químicos e biológicos.

Neste sentido, o Guia também indica desdobramentos na formação dos profissionais de saúde, em particular dos nutricionistas e na prática profissional. Certamente, ele também aponta para oportunidades de trabalhos pedagógicos na disciplina de Educação Alimentar e Nutricional. Destacamos e comentamos aqui alguns trechos do Guia e que podem auxiliar os professores, estudantes e nutricionistas:

- A escolha alimentar deve ser pelos alimentos locais e culturais, tendo como base práticas promotoras da saúde para o  bem-estar físico, social e mental.

Isto contribui para a ampliação do sentido do alimentar-se, que não pode ser entendido meramente como aporte de nutrientes para prevenir doenças. A busca pelo que se denomina bem-estar inclui elementos que ultrapassam a dimensão individual e requer medidas de natureza estrutural. Por exemplo, a ampla disponibilidade de alimentos locais requer medidas que promovam não somente a produção, mas o abastecimento e acesso dos indivíduos a estes alimentos.

- O sistema alimentar atual deve ser avaliado, em diferentes realidades, debatido em sala de aula e repensado pelos alunos e professores no contexto da sustentabilidade.

O Sistema Alimentar (ou os Sistemas Alimentares) é raramente abordado na formação profissional. Aspectos relacionados aos modelos de produção de alimentos, abastecimento e comercialização, por exemplo, não são tratados como determinantes das condições alimentares da população e indivíduos. O mesmo ocorre com as repercussões ambientais do modelo de produção e consumo e as consequências previstas das mudanças climáticas na produção de alimentos. Incorporar estes aspectos na prática profissional do nutricionista é um desafio atual e deve estar presente na disciplina de EAN.

- O comportamento alimentar individual e coletivo se apresenta como elemento chave para a autonomia no processo de escolha dos alimentos.

Assim, as ações educativas deverão ser construídas,de maneira articulada com os diferentes saberes entre indivíduos, comunidade local e o nutricionista. Esta articulação se inicia durante a formação, sendo fundamental que o estudante vivencie ativamente a construção do seu conhecimento para que possa planejar e executar ações, tendo como base os diferentes determinantes do comportamento alimentar dos indivíduos e comunidades.

- O valor da cozinha tradicional e local.

O resgate das experiências culturais com a comida e os padrões tradicionais da alimentação, transmitidos de geração em geração são bases importantes para o planejamento de ações que visem a promoção da alimentação saudável e adequada. Desta feita, em sala de aula, é uma ótima alternativa refletir sobre as cozinhas locais e tradicionais como prática da educação popular local, para que seja valorizada enquanto patrimônio cultural e condição de autonomia dos sujeitos. Quem cozinha tem maiores condições de determinar a qualidade da sua alimentação.

- A valorização da autonomia dos sujeitos na prática alimentar saudável e adequada.

Este é o grande desafio não apenas do Guia mas da promoção da alimentação saudável em si. A intersecção entre os determinantes individuais e estruturais da alimentação resultam em um quadro complexo. O capítulo “Compreensão e superação de obstáculos” (p.103), introduz esta complexidade não apenas para os indivíduos que querem adotar uma alimentação saudável mas também a urgência de se fortalecer a formação e a prática dos profissionais considerando estes aspectos.

p103

 

Diante destes elementos, esta edição de 2014 do Guia é um elemento mobilizador para o planejamento pedagógico da disciplina de EAN. Estudantes e professores de nutrição deverão conhecer as realidades alimentares locais e valorizá-las como resultado de processos econômicos, sociais e culturais. Além disso devem buscar, juntamente com os diferentes sujeitos sociais, inovações no aprender a comer, como um processo vivo e constante na vivência humana, tendo como elo central a cozinha.




postado por Maína Pereira em Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Por Érika Porto e Patrícia Martins

Dando continuidade aos pilares da educação, no segundo vídeo sobre Aprender a Fazer é destacado um trecho de uma das publicações de Rubem Alves:

“Os métodos clássicos de tortura escolar como a palmatória e a vara foram abolidos. Mas poderia haver sofrimento maior para uma criança ou um adolescente que ser forçado a mover-se numa floresta de informações que ele não consegue compreender e que nenhuma relação parecerem ter com sua vida?”

Neste pilar, Rubem Alves nos convida a entender que o fazer está relacionado a se apropriar da informação para gerar um pensamento e uma tomada de decisão.... Ele diz que as crianças têm fascínio a fazer várias coisas, como andar! Ele exemplifica que se fosse dada uma informação científica de como andar ou mostrássemos o nosso andar, a criança aprende a andar? Não! É necessário que ela experimente o andar!!! Uma forma é encostar ela na parede para ela se apoiar e então ela tentará dar passos à frente!!!

O pensamento só entra em ação quando provocado pelo desejo e pela falta!

Sem o desejo, o pensamento não funciona! Ele traz várias inteligências que os seres humanos possuem... Para exemplificar, ele compara a inteligência com o Pênis. Ambos são órgãos flácidos, preguiçosos, não querem nada, não produzem nada, mas se forem provocados, crescem, vão para o céu, fazem coisas fantásticas (risos). Assim, a função do professor é fazer a inteligência desejar, para fazer coisas extraordinárias, uma inteligência “erotizada”!

Outra questão é que a inteligência não pode ser estimulada por uma maneira fácil.... é necessário um pensamento mais avançado! Ou seja, o pensamento é uma realidade virtual de um objeto que se deseja produzir. Trazendo para o campo da Alimentação e Nutrição, Educar é tarefa complexa e ampla, envolve o reconhecimento de vários determinantes para a escolha dos alimentos por parte das pessoas e não simplesmente informar para a escolha! Porém, os caminhos para a motivação e tomada de decisão de alimentos saudáveis e adequados devem ser gerados pelo conflito entre o querer (desejo) e o que realmente é necessário para ter o hábito alimentar esperado para cada realidade.  

Por fim, Rubem Alves destaca a ideia para o pensamento e a Educação como a dança das ideias.... É justamente neste momento que surge a capacidade criativa do pensamento! Ele exemplifica a história do fogo... Ele destacou que a descoberta do fogo foi um ato criativo! Ou seja, uma dança de ideias, além de ter proporcionado uma herança cultural de vários tipos de alimentos preparados com o fogo, além deste elemento ter evitado o adoecimento e morte de milhares de pessoas ao longo da história das doenças.

Enfim, que tal construir ideias juntamente com os alunos para que eles consigam se apropriar de vários conhecimentos para gerar pensamentos e tomadas de ideias para a Educação Alimentar e Nutricional em vários espaços de práticas??? Para tal, é necessário que o currículo das escolas inclua o Aprender a Fazer nas escolas de Nutrição!

No próximo ano postaremos mais informações sobre os Pilares da Educação na narrativa deste grande Educador Rubem Alves, à medida que eles forem discutidos no Fórum de Formação em EAN. Você pode rever o post sobre o primeiro pilar da educação aqui!

Nos vemos em 2015 com muito mais novidades! Sorriso

 


*Se você é professor (a) da disciplina de educação e ainda não faz parte deste fórum, não hesite em nos contatar para se cadastrar! Basta nos enviar um e-mail: ideiasnamesa@unb.br.

 



postado por Maína Pereira em Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Por Érika Porto e Patrícia Martins

Na última segunda-feira iniciamos a nova coluna no blog para refletirmos a formação em Educação Alimentar e Nutricional.

Para divulgar o foco do trabalho realizado no fórum de professores no 2º semestre sobre esta temática, a equipe do Ideias separou elementos de 4 entrevistas de Rubem Alves a respeito de dois dos 4 Pilares da Educação. 

Hoje vamos falar do primeiro pilar: Aprender a Aprender.

Assista:

O Educador tem que ter vontade de ensinar o mundo aos estudantes. Rubem Alves nos sugere que sejamos os professores que causem “espanto” nos alunos com nossa forma de apresentar os conteúdos a serem trabalhados e que façamos perguntas que agucem sua curiosidade e os impulsione para o desejo de aprender. Segundo ele, o Professor deve alimentar a curiosidade dos seus alunos e não ficar “preso” no programa curricular.

A grande razão disso é que, para este grande contador de histórias, o pensamento aguça a curiosidade e a inteligência.... As crianças adoram perguntar e isso é muito interessante! Ao longo dos anos, elas vão perdendo isso e se tornando mais presas à uma matriz curricular!! Isso é uma pena!!! Isso porque o ensino baseado na observação e na problematização gera hipóteses de planejamento ativo por parte dos envolvidos na realidade.

Neste trecho “A questão da inteligência não é saber fazer as respostas e, sim, fazer as perguntas”, Rubem Alves tem a ideia de criar um novo tipo de professor, o “professor do espanto”. Segundo ele, a missão do professor é mostrar aos alunos o espanto, fazer os estudantes pensarem! Ele afirma que é fundamental um professor de espanto antes do professor que já dá a resposta.

Um outro problema no processo de ensino e aprendizagem é que o processo de avaliação é sempre para avaliar a resposta.... Neste sentido, ele propõe: Por que não oferecer a resposta para o estudante gerar a pergunta? Ele exemplifica: A partir de um bolo apresentado ao aluno, qual a receita? Para Rubem Alves, isso significa na linguagem científica “fazer hipóteses”. Aí o aluno vai refletindo de como o bolo foi feito e quais os ingredientes usados!!! Fantástico para o aprender do estudante!!!

Ao final, é o trecho “fazem os alunos esquecerem de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não-saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento”. Vamos aprender a aprender??

 


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postado por Ideias na Mesa em Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Por Érika Porto e Patrícia Martins 

No 2º semestre deste ano, a Rede Ideias na Mesa inaugurou um novo Fórum. Este formado por professores universitários da disciplina de Educação Nutricional. A ideia é ampliar o debate em torno das mudanças no ensino da Educação em Nutrição, frente às novas dimensões e princípios da Educação Alimentar e Nutricional, amparada pelo Marco de Referência de EAN para as Políticas Públicas.

Assim, pensar em um ensino na graduação tendo como foco a metodologia ativa, problematizadora de diversas realidades no Brasil, nos traz a ideia de que precisamos reconstruir e resignificar o ato de comer, além de um ato mecânico e digestório. Este ensino precisa atualmente também incorporar as dimensões da sustentabilidade da produção, do acesso físico e financeiro como direito humano e também o planejamento de medidas educativas que nos apoiem em nossas escolhas alimentares. Por isso, os professores estão sendo convidados a construir de forma coletiva neste fórum novas abordagens para o planejamento pedagógico da disciplina de Educação Alimentar e Nutricional.

A equipe de moderadoras, após observar as principais características das disciplinas ministradas em várias instituições de ensino no País e também os comentários dos professores participantes por meio de um questionário eletrônico, percebeu que a nutrição precisava se aproximar de pensamentos de educadores.

Como ponto de partida, se destacaram a curiosidade e a motivação, como requisitos fundamentais para o planejamento de uma nova realidade e isso se tornou o foco do 5º Hangout da Rede em outubro. Neste encontro, foi proposto um novo olhar do docente em torno da realidade apresentada por um acadêmico de Nutrição e também os desafios narrados por uma pedagoga para propiciar ao Nutricionista o papel de Educar para Hábitos alimentares saudáveis e adequados.

Olha o hangout aí:

Para divulgar o foco do trabalho realizado no fórum de professores no 2º semestre, a equipe separou elementos de 4 entrevistas de Rubem Alves a respeito de dois dos 4 Pilares da Educação. Para conhece-los, aguarde os próximos posts desta semana na mais nova coluna temática do blog que tratará a respeito da formação em Educação Alimentar e Nutricional.

E se você é professor (a) da disciplina de educação e ainda não faz parte deste fórum, não hesite em nos contatar para se cadastrar! Basta nos enviar um e-mail: ideiasnamesa@unb.br

 



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