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postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 03 de Julho de 2015

Quem não se recorda de um almoço de domingo em família?

O filme “Alimento da alma” é a melhor representação do que significa uma refeição de domingo em família. A trama se desenvolve a partir das refeições dominicais realizadas há 40 anos na casa de “Mama Joe”, a matriarca da família.

A mesa é o local onde se sentam irmãs, neto, vó, filhos e cunhado para partilhar refeições e os assuntos do dia a dia, e como é de costume, muita descontração e discussões acontecem ao longo do filme. Os encontros do domingo servem para manter o vínculo e diálogo familiar, hora mais leve hora mais conturbado, e as receitas de Mama Joe são sempre o fator aglutinador familiar.

Em um dado momento o núcleo familiar se distância em virtude das várias brigas que passam a ocorrer entre os membros e problemas de saúde impedem que a Mama Joe continue a pilotar as refeições de domingo. O neto Ahmad que era muito querido de sua vó assume as receitas na cozinha na tentativa de reaproximar a família pela barriga.

O filme além de muito bem dirigido enfatiza o papel transformador da comida e das refeições em família, por isso o título. O recorte racial também é um fator muito interessante abordado pelo filme, uma família negra é protagonista do longa sem ser estereotipada, o que não é muito característico dos filmes Hollywoodianos.      

Um ótimo filme para assistir em família e por que não cozinhar um almoço juntos antes da sessão?



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 26 de Junho de 2015

Você já ouviu falar no chef e crítico culinário Nigel Slater?

O [Comida na Tela] traz hoje o filme que retrata a vida desse renomado chef de cozinha britânico. A produção foi lançada em 2010 e foi dirigida por S. J. Clarkson e conta com as atuações magníficas do Freddie Highmore (A Fantástica Fábrica de Chocolate) e da atriz Helena Bonham Carter (Saga Harry Potter).

A trama gira em torno da história de Nigel, uma criança fascinada por culinária, mas que vive uma vida enlatada, pois sua mãe não sabe cozinhar e compra alimentos enlatados para compor todas as refeições da família, pois vê nas comidas industrializadas, uma segurança extrema de bem-estar de sua família, o que não afeta o amor por sua mãe.

 

Nigel mesmo diante da proteção extrema de sua mãe, deseja comer uma refeição que não seja artificial e conhecer o mundo mais amplo da alimentação e da culinária.

Após a morte de sua mãe, o jovem Nigel sofre pela ausência de sua protetora e vive uma dificuldade em se relacionar novamente com seu pai, principalmente depois da chegada de uma governanta para casa e que mais tarde se tornaria sua madrasta.

O dilema de Nigel com sua madrasta fica mais intenso quando ele se descobre na culinária, visto que ela também é uma exímia cozinheira, os dois começam a disputar a atenção do Sr. Slater, o pai do menino, através da comida.

 

O longa nos presenteia com uma fotografia impecável, carregada de cores e detalhes principalmente nos alimentos e nos vestidos que a madrasta de Nigel usa, sempre estampados de alimentos bem coloridos.

No filme, o principal prato de disputa entre o menino e sua madrasta Sr. Potter é uma deliciosa torta de limão que o canal Tastemade Brasil e o Comida de Cinema nos mostra como se faz passo a passo, veja e delicie-se: Comida de Cinema – Torta de Limão “Toast”.



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

O Comida na Tela de hoje exibe o documentário brasileiro que conta a incrível aventura de Manoel Inácio do Nascimento e Ivana Cavalcanti, dois agricultores familiares assentados que resolveram percorrer 10.000 quilômetros de bicicleta em busca de sementes crioulas.

Estes dois destemidos moradores do sertão brasileiro tomaram a decisão de partir após observarem que não se conseguia mais encontrar sementes naturais na região por conta do avanço das monoculturas transgênicas, e que a solução seria pedalar pelo Brasil e outros países vizinhos em busca de trocas.

A escolha da bicicleta como veículo se deu por alguns fatores. Primeiramente o custo, era o único meio de transporte que eles conseguiriam arcar. O hábito de pedalar para resolver as coisas do dia a dia foi outro fator que contribuiu. O principal aspecto que pesou, no entanto, foi a autonomia. Nas palavras de Manoel:

“A bicicleta significa horizontalidade, a não hierarquia, com a bicicleta você se guia”.

Através desta jornada eles buscaram a criação de um banco de sementes crioulas volante, onde cada indivíduo serve como um multiplicador e disseminador. Foi a solução encontrada por eles para lidar com o desafio imposto pela dominação do agronegócio.

“A preservação das sementes é uma forma de resistência contra o agronegócio”.

A iniciativa do casal mostra como a monocultura extensiva e os transgênicos avançam cada vez mais colocando em risco a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional de comunidades. A boa notícia é que alternativas que visam combater o modelo de produção hegemônica são possíveis.  

Assista:




postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

Curta Agroecologia - Arroz Ecológico: alimento iluminado from AGROECOLOGIA on Vimeo.


 O maravilhoso documentário da série Curta Agroecologia produzido pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) retrata como a produção orgânica melhorou profundamente a vida de agricultores familiares no Rio Grande do Sul.  

“A agricultura orgânica não é uma atividade de competição e sim uma atividade de cooperação”. Juaresz Filipi Pereira, agricultor ecologista

É neste espírito que 470 famílias produzem atualmente mais de 20 mil toneladas de arroz orgânico em uma área de 4000 hectares. Tudo isso graças a criação da cooperativa Coopan que envolve os agricultores em toda a cadeia processual desde o plantio, colheita e armazenamento até a parte administrativa.

O curta perpassa por áreas que se complementam e exemplificam a estrutura da produção agroecológica, são elas:

Sustentabilidade

Os assentados relatam que por não serem utilizados venenos nas lavouras, a água volta aos rios e solos livre de metais pesados e contaminantes. No caso do arroz, a própria casca que é retirada do alimento é utilizada para combustão necessária para secagem e comercialização do produto.  As cinzas restantes são reinseridas nas lavouras como adubo.

Aspecto social

Todas as ações acontecem de forma conjunta por meio da cooperativa, desta forma, toda a comunidade é envolvida gerando renda a informação a todos e todas. Os jovens adultos trabalham meio período por dia e há a preocupação para que eles dediquem também meio período para estudar e se aperfeiçoar.

Abastecimento

Os agricultores familiares também se alimentam daquilo que comercializam e os alimentos que eles não possuem são adquiridos a partir de trocas nas feiras agroecológicas. Desta forma, sua Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional se concretizam.   



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 29 de Maio de 2015

Não só de filmes hollywoodianos vive o [Comida na Tela], por isso a equipe do Ideias na Mesa traz o documentário: "Trashed – Para Onde Vai Nosso Lixo" de 2012.

O documentário foi produzido nos Estados Unidos e dirigido por Candida Brady e busca mostrar a saga dos montantes de lixo produzidos todos os dias por nós e pelo mundo todo afora e suas consequências para o meio ambiente e para a saúde da população.

O filme gira em torno de conversas e debates com inúmeros especialistas, cientistas e ativistas ambientais de diferentes países sobre a produção e o descarte dos resíduos sólidos e depoimentos de pessoas comuns afetadas diretamente pelos problemas causados pelo lixo.

     

O longa propõe-se a despertar uma reflexão nas pessoas sobre os problemas causados por um simples papel de chocolate jogado na rua, por exemplo, e os perigos reais que este ato pode desencadear no meio ambiente, na alimentação, na saúde e na economia do planeta.

   

Entretanto o documentário não expõe apenas os problemas, mas também traz soluções concretas realizadas em várias cidades do mundo para a solução do lixo e seu descarte correto e como a população pode ser a protagonista destas ações.

Veja o trailer do documentário abaixo (em inglês):

Confira aqui o site oficial do documentário: http://www.trashedfilm.com/ 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

Se você ganhasse na loteria, teria coragem de fazer um jantar fantástico para toda sua família e amigos?

O [Comida na Tela] de hoje traz o filme vencedor do Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro em 1988: "A Festa de Babette". O filme é uma produção franco-dinamarquesa do diretor Gabriel Axel e inspirado no livro de Karen Blixen, cujo pseudônimo era Isak Dinesen.

A narrativa se passa em meados da década de 80, em uma península da Dinamarca. O filme conta a história de duas irmãs devotas religiosamente ao falecido pai, antigo pastor luterano da cidade e que pregava a salvação por meio da renúncia dos prazeres humanos.

Eis que surge na vida dessas duas irmãs, uma mulher desconhecida recém-chegada da França, chamada Babette que busca abrigo e trabalho.

Assim que chega, Babette observa que todos na vila possuem um hábito curioso referente ao ato de comer, pois para aquelas pessoas o alimento é algo apenas para a sobrevivência, sem cor, sem sabor, textura ou algo que estimule o sentido do paladar, pois a população do pequeno vilarejo é extremamente religiosa e possuem regras e credos bem específicos, inclusos referentes ao comer.

Ao perceber isso Babette vai mudando aos poucos os hábitos alimentares do vilarejo, dando mais sabor não só para a comida, mas também para o cotidiano de toda a população.

Em um certo dia Babette recebe a notícia vinda da França que havia ganhado na loteria. Bastante feliz, em um gesto de gratidão pelo acolhimento das duas irmãs, a cozinheira pede a elas que a deixassem preparar um último jantar em homenagem à morte do pastor e pai das irmãs.

Aprovado o pedido, Babette começa os preparativos para o grande jantar, que seria tipicamente francês, e se encarrega de encomendar todos os ingredientes que viriam diretamente da França. Ao longo do jantar os participantes começam a perceber uma naturalidade no comer e veem que é algo que não interfere em sua religião, desmitificando o conceito de pecado criado em torno da comida.

                

O filme todo gira em torno da alimentação, da preparação dos alimentos, do ato de comer bem além do caráter nutricional e aborda o contexto cultural da alimentação, que é permeada de simbologia e elemento da sociabilidade humana.

Assista o filme e fique com água na boca com o jantar de Babette. Ou você mesmo pode fazer seu próprio jantar “a la Babette”, o canal do Youtube Tastemade Brasil junto com o canal Gastronomismo lançou o Comida de Cinema e nos ensina um dos pratos do filme. Veja o vídeo abaixo e delicie-se!



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 15 de Maio de 2015

No quadro de hoje indicamos e analisamos o premiado filme “Mostly Martha”, traduzido para o português como simplesmente Martha. O original lançado em 2001 é de coprodução Alemã e Italiana, e foi regravado em 2007 com direção americana.

O roteiro dos filmes é praticamente idêntico, porém, o que nos levou a preferir o original foi o fato de a comida ser protagonista das cenas apesar de ambos os filmes tratarem dos alimentos. Ademais, os personagens representam com mais autenticidade os choques culturais de duas cozinhas distintas.  

A história gira em torno de Martha, uma chefe de cozinha apaixonada pelo seu trabalho que trata o ato de cozinhar com extremo carinho e cuidado, mas que tem uma vida pessoal extremamente instável e em desequilíbrio emocional. Algumas situações agravam ainda mais este quadro como quando a sua sobrinha passa a morar com ela após a morte de sua irmã.

A primeira parte do filme evidencia os aspectos conflituosos na vida da chefe onde é possível estabelecer uma conexão entre o seu temperamento e a forma com que ela encara o ato de cozinhar. Apesar de apaixonada pela profissão, ela toma as preparações como um ato extremamente mecanizado beirando a perfeição, deixando muitas vezes de saborear aquilo que faz.

Retomando os acontecimentos do filme, a relação com sua sobrinha fica cada vez mais complicada, pois a menina recusa-se a comer fazendo inclusive uma greve de fome, fato este frustrante para uma chefe. O estopim é quando Martha discuti no restaurante em que trabalha com um cliente que estava insatisfeito com seu prato. A dona do restaurante aconselha Martha a procurar um terapeuta e tirar alguns dias para descansar.

Martha no entanto não contava que ao voltar ao restaurante após alguns dias se depararia com um subchefe recém contratado vindo da Itália. O ambiente de trabalho muda completamente com a chegada de Mário de personalidade extrovertida e caricata. Assim como Martha, Mário é um apaixonado pelo que faz, mas que encara o ato de cozinhar de maneira muito mais leve e descontraída.

Mais uma vez a temática da prática culinária toma um papel central evidenciado na forma com que os personagens fazem as preparações, que tem relação direta na a forma com que eles se relacionam com as pessoas e encaram a vida.

Certamente a chefe não gosta nada da ideia e no começo os conflitos são constantes. O choque cultural e comportamental acontece entre o estilo de cozinha do Mário, sempre vibrante, cheia de barulhos e emoções e a de Martha, sempre sóbria e muito concentrada. A vida de Martha passa a ser influenciada por este novo acontecimento, e a forma com que ela encara as relações profissionais e pessoais muda novamente, sempre com os elementos alimentares estando presentes direta ou indiretamente.

O drama/comédia mostra como o ato de cozinhar influencia a forma como encaramos a vida e nos relacionamos com as pessoas. As cenas belíssimas, principalmente as que envolvem comida, vão te deixar com vontade de pular na cozinha. Aproveite o impulso, tire aquela receita da gaveta e mãos à obra!!

 

Direção e roteiro: Sandra Nettelbeck 

Gênero: drma/comédia

País: Alemanha/Itália/Áustria/Suíça

Ano: 2001

Duração: 109 minutos






postado por Débora Castilho em Sexta-feira, 08 de Maio de 2015

O Comida na tela de hoje, traz uma seleção de filmes infantis, feita por Ana Paula Rodrigues, escritora do Blog Não pule a janela.

Divirta-se com a leitura do texto e assista aos filmes com seus filhos, chame a criançada para desfrutar de informação de qualidade! E até mesmo utilize os filmes como ferramenta de EAN para educar e conscientizar as crianças sobre a necessidade de conservar o meio ambiente e também sobre os impactos que a não conservação do meio em que vivem, pode trazer sobre todo o sistema alimentar.

Segue o texto:

“Acho que essa lista é essencial para crianças, mas diz muito sobre adultos. Diz muito sobre o mundo em que vivemos e nossa intensiva campanha em destruí-lo. Narra com histórias lúdicas o obvio: sem natureza, como sobreviver? E temos em doses divertidas e sensíveis a ilustração de quão contraditório e cego pode ser o ser humano, destruindo vida em busca de uma “vida melhor”.

Então antes de adentrar em qualquer assunto, como sempre, aconselho que você reserve uma tarde, faça algo gostoso para comer e sente com seu filho para ver algum destes títulos. Mais importante que apresentar lições e conteúdo de qualidade para crianças, dar o exemplo tem sido o melhor dos métodos.

Não basta apenas falar “Preservar o meio ambiente é importante, queridx, por favor, veja esse filme”, é necessário inserir o hábito da conservação e restauração do meio ambiente em nossa rotina. Como garantir um futuro melhor para nossos filhos? Mostrando na prática que a mudança é possível. Sim, podemos transformar nossas práticas em algo positivo.

Temos aqui lindas imagens, com animais, árvores, aventuras e a maior lição de todas: precisamos valorizar a vida, e não só a nossa.

E muito me espanta que num país que possuí a maior área da Floresta Amazônica, tribos intocadas e uma diversidade de fauna e flora de colocar continentes no chão, se produza tão pouco conteúdo infantil abordando tais temas. Alô indústria! Vamos falar de coisa boa, vamos falar de meio ambiente!

Então segue uma lista da coluna semanal #conteúdodequalidade. Boa diversão! 

 


1. O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida

Acho que vi esse filme no mínimo umas 100 vezes no último 1 ano. Helena é completamente doida por esse filme e houve épocas que ela via o filme ad infinitum e nós vivíamos cantando a música. Era Let It Growwwww 24 por dia – sim, é muito parecido com a do Frozen e chiclete com o mesmo potencial.

Mas para nós é o melhor filme infantil para discutir destruição, conservação e restauro do meio ambiente, e ainda tem pitadas geniais de como a indústria se beneficia e distorce nosso senso do que é correto. O filme é baseado no livro do Dr. Seuss, que foi um cartonista e desenhista americano responsável por personagens como O Gato de Cartola, Grinch e Lorax. Procurem livros dele, é fantástico!

No filme temos Ted, um menino com ótimas intenções: conseguir um beijo da garota que gosta, mas ela é uma ativista [yey!] e completamente apaixonada pela história das Trúfulas, árvores que foram extintas antes dos jovens personagens nascerem. Então acompanhamos a busca de Ted pela última Trúfula e o retorno ao passado de Thneedville, a cidade feita de plástico onde as árvores são mantidas com pilhas.

Retornamos na história do filho rejeitado que busca a aprovação da mãe. Um dia ele resolve partir em busca de um futuro melhor – leia-se: impressionar a família – e descobre uma linda floresta de Trúfulas; no primeiro momento ele fica maravilhado, mas já vai logo tirando o machado e cortando uma das lindas árvores para fazer um “lindo” e super prático tecido. Nessa chega Lorax, o Guardião da Floresta, que entra de forma triunfal para colocar nosso Umavez-ildo no lugar. Só que a ambição humana é implacável e isso fica muito evidente durante o filme, que tem músicas fantásticas, uma animação linda e um dos melhores roteiros que já vi.

O estúdio que criou O Lorax para os cinemas, Illumination Entertainment, é o mesmo do Meu Malvado Favorito, então corre e vai lá ver.

 


2. Nausicaä do Vale do Vento

Esse filme é uma das obras primas de Hayao Miyazaki, diretor e roteirista japonês responsável pelo Studio Ghibli, lugar onde nascem os filmes mais lindos do mundo. Se você nunca ouviu falar em nenhum desses dois nomes, corra procurar sobre e veja todos os filmes com seus filhos.

Dias de Fogo é um evento conhecido por ter destruído o ecossistema da Terra e a civilização humana. Os que restaram do grande evento de esforçam em conseguir sobreviver, já que o clima e as condições são áridas e a população teve que recorrer a tecnologia para se manter, isolados em pequenos impérios.

Nausicaä é uma princesa de um pequeno império no Vale do Vento, que além de tentar conter as investidas de outros reinos, também estuda uma floresta chamada Mar da Corrupção, cheia de plantas, fungos e insetos gigantes, onde o ar é tóxico e tem devastado todo o planeta com seus danos. Ao contrário do restante da população, Nausicaä se sente fascinada pela floresta e acredita que ela possuí belezas, mesmo depois dos danos terem causado a morte de quase toda a sua família.

É uma história linda sobre o quão nocivo podem ser os danos causados pelos seres humanos na natureza, mas que nem tudo está perdido. E foi a primeira produção do Hayao Miyazaki, já que enquanto a Disney lançava sua Branca de Neve, os japoneses do outro lado do mundo mostravam que meninas podiam ser cientistas e voar!

 


3. WALL-E

Eu choro com esse filme, eis a realidade. É a animação que vi mais vezes sem ser coagida pela minha filha.

É uma animação da Pixar [amamos eles] e foi dirigido pelo mesmo diretor de Procurando Nemo, que também aconselhamos ver.

A história se passa num futuro distante onde a Terra está destruída e soterrada em lixo. Tudo isso aconteceu por nosso cultura consumista, que engoliu, processou e vomitou até que o planeta estivesse sem recursos naturais e com tranqueiras empilhadas sobre tudo; e claro que isso aconteceu com a ajuda de uma megacorporação, a Buy-n-Large , que também foi a responsável pela retirada da população humana da Terra até ela se “restabelecer”. Nossa sociedade começou a viver em naves no espaço, sedentários, se alimentando de porcarias, até que se viram impossibilitados de caminhar. É chocante ver em uma animação nossa sociedade espelhada de forma tão honesta. Realmente chega a causar angústia, pois parece [ou será] que esse é o nosso futuro.

Nós começamos a acompanhar a rotina de WALL-E, um robô coletor de lixo que vive na Terra, sozinho, sendo fofo. Até que um dia chega a EVA, outro robô, mas nesse caso ela foi enviada para buscar vida na Terra… e calha que WALL-E tem surpresas. E assim começa a aventura, com nosso robô fofo correndo atrás da super high tech.

É minha produção preferida da Pixar, não só por colocar todas as métaforas de forma genial, mas porque eles conseguiram criar um personagem que não fala nada além do próprio nome e “EVA” e mesmo assim é expressivo e carismático. WALL-E é o aluno nerd do fim da classe que você quer abraçar – e de quebra ele ajuda a salvar a humanidade.

 

 


4. Minúsculos [Minuscule – La vallée des fourmis perdues]

Essa linda e bem escrita produção francesa não fala diretamente sobre o impacto humano no meio ambiente, mas conta a história de uma guerra entre formigas com riqueza bélica, tática e de humor quando uma cesta de piquenique é abandonada.

Um casal saí correndo quando a mulher entra em trabalho de parto e deixa toda a comida do piquenique no local, gerando a trama dessa animação que dura poucos minutos, não tem nenhum diálogo, mas deixa nosso coração cheio de ensinamentos de trabalho em equipe, generosidade e como decisões humanas podem impactar na vida de outros seres, mesmo sendo “apenas” formigas.

Nossa Joaninha-macho que toma partido na guerra é acolhida de forma muito divertida pelo grupo e se vê engolida por forças mais potentes que seus curtos braços. É um daqueles filmes para se assistir junto com a família e além de se deliciar com uma arte realmente bem produzida, ver uma versão dos filmes com formigas muito bem feita e didática quando discutida.

 

 


5. O Mundo dos Pequeninos

Esse filme é do diretor Hiromasa Yonebayashi, que fez uma linda adaptação do livro The Borrowers, da escritora Mary Norton, que publicou a história dessas pequenas pessoas em 1952.

O filme conta a história de Arrietty e sua família, pequenos seres que parecem pessoas normais, mas com 10cm de altura, e que vivem no assoalho de uma casa em Tóquio.  Com a chegada de Sho, um garoto doente, uma amizade um tanto inusitada nasce entre eles. Durante toda a história a sensação é que os Barrows são seres da natureza, talvez uma releitura das “fadas”, mas que se viram forçados a habitar pequenos lugares a medida que a civilização domesticava animais e se espalhavam em locais intocados. Mas infelizmente eles não estão seguros nem dentro da própria casa, já que quando um dos adultos descobrem que a casa pode estar sendo habitado pelos “pequenos intrusos” começa uma guerra em busca de extinguir Arrietty e sua família.

É um filme muito lindo, com uma histórica tocante e com uma narrativa que foge da fórmula americana. Deixa ainda mais a sensação de que os intrusos são os seres humanos, já que forçam todos os seres a se habituarem com seus gostos e sonhos, e nunca o contrário, aceitando a ordem natural da natureza.



6. Era uma Vez na Floresta

Esse filme foi a minha infância, mas apesar de sempre ver Ferngully em vários lugares como filme que discute conservação do meio ambiente, esta obra incrível dirigida por Charles Grosvenor nunca está em lado algum.

Abgail, Edgar e Russel vivem felizes numa floresta, tal como um rato, uma toupeira e um ouriço devem viver. Eles são amigos e seguem sua rotina como sempre, até que um dia um homem chega na floresta espalhando gases tóxicos e adoece Michelle, amigas deles. Então começa a busca do três amigos, junto com o Tio Cornelius, de uma forma de salvar Michelle e a floresta.

É um daqueles filmes antigos, de 93, que contam fábulas de uma forma simples e divertida. Até hoje não entendo porque se fala tão pouco nesse filme, mas recomendo para todo mundo.

 


7. Princesa Mononoke

Mais um do Hayao Miyazaki! E esse é meu filme preferido dele, porque temos um japão onde os seres humanos convivem com deuses da natureza e suas forças que trazem destruição para florescer a vida.

Somos apresentados ao Príncipe Ashitaka, que após matar o terrível deus-Javali se vê amaldiçoado pelo mesmo. Angustiado, ele foge da mesma aldeia que lutou tanto para defender e nesse longo caminho acaba por conhecer San, a Princesa Mononoke.

Numa aldeia está sendo travada uma luta e do lado dos deuses-animais está San, que foi adotada e criada por uma tribo de deuses-lobos. Seu ódio pelos seres humanos que estão destruindo a natureza é enorme e ela com o tempo foi se esquecendo do seu lado humano, até o seu encontro com Ashitaka.

E nisso a história se desenvolve, entre uma guerra entre a civilização que quer se estabelecer e a natureza, e seus protetores, que lutam incansavelmente contra a destruição.

Colocamos aqui os filmes que acreditamos que não são abordados com frequência, mas recomendamos também:
Irmão Urso, Vida de Inseto, Reino Escondido, Tainá – Uma Aventura da Amazônia, Mogli – O Menino Lobo, Procurando Nemo, Rio [1 e 2] e A Fuga das Galinhas.”




postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

"No sangue do mineiro corre queijo"

Impossível não salivar ao assistir ao belíssimo documentário de Wagner Indaiá. Produtores de Queijo Canastra abrem as portas de casa, dão relatos, contam histórias, e discorrem sobre o processo de produção deste alimento artesanal feito com alma, desde sua concepção no Brasil colônia até os dias de hoje. O Queijo Canastra é uma herança da culinária portuguesa que chegou ao Brasil com a família real. Na Vila rica – antigo nome da região da Canastra - o queijo era uma forma de conservar o leite nas longas jornadas de trabalho, indispensável aos exploradores.  

Eleito pelo povo mineiro como o queijo mais gostoso de Minas Gerais, o queijo Artesanal da Região da Canastra foi também declarado Patrimônio Cultural do Brasil em 2008. A Serra que dá nome ao queijo é compreendida por 7 regiões produtoras, Tapiraí, Medeiros, Bambuí, Vargem Bonita, Piumhí, Delfinópolis e São Roque de Minas.

O clima da região, altitude, águas puras, e pastos nativos conferem ao Queijo Canastra um sabor único. A relação do produtor com os animais é outro fator crucial como exemplifica Zé Mario, um produtor local: “A produção do queijo não tem segredo nenhum. O que faz a diferença é o alimento do animal e o jeito de tratar as vacas. Se você maltratar o animal ele não vai te dar leite e aí a gente que sai no prejuízo e não ele, você tem que tratar bem o animal”.

Aspectos culturais também são abordados no documentário, por exemplo, você em algum momento já deve ter se deparado com a frase de que mineiro corre atrás do queijo certo? Pois Chico chagas, outro produtor da região, garante que essa história é verídica e aconteceu na Região da Canastra: “Quando a produção aumentou, o queijo passou a ser transportado em carro de boi e durante uma viagem um motorista inexperiente deixou o carro tombar na ladeira. O rapaz saiu correndo desesperado atrás dos queijos, e daí então surgiu a história verdadeira de que mineiro corre atrás do queijo.”  

Sem mais demoras, dou uma dica antes de começar a assistir ao vídeo. Se não quiser passar vontade garanta um bom cafezinho e um queijo Canastra se possível, um pão de queijo também vai bem. 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Irreverente, saboroso e muito bem humorado. O filme é uma produção brasileira com direção compartilhada na Itália. É uma trama adaptada do conto “Presos pelo Estômago” de Lusa Silvestre, que baseia seu roteiro na relação entre comida e poder. Não por acaso, ganhou diversas premiações incluindo Festival do Rio 2007, Festival de Punta Del Este, e indicações a melhor filme nos Festivais de Rotterdam e de Berlim, além de ter premiado o protagonista João Miguel como melhor ator.  

A história do filme se dá em torno de Raimundo Nonato, um imigrante nordestino que se muda para cidade grande apenas com a roupa do corpo em busca de melhores condições de vida. Sem ter um trabalho ou residência, submete-se a trabalhar fazendo coxinha em uma padaria em troca de abrigo. Em pouco tempo, a padaria que não era muito popular passa a ter uma grande clientela em virtude das deliciosas coxinhas preparadas por Raimundo. Com seu sucesso na cozinha, logo a padaria fica pequena para os talentos de Nonato e é quando um empresário o contrata para um empreendimento mais sofisticado. Em meio a estes acontecimentos, Raimundo protagoniza um romance que da liga ao longa ao se apaixonar por Iría, uma de suas clientes.  

Adaptado a um melhor padrão de vida resultante do seu empoderamento no preparo de alimentos, o personagem principal acaba se envolvendo em uma situação que o leva para cadeia, e uma nova trama se desenvolve, mais uma vez com a comida no cerne. Na cadeia fica mais uma vez evidente o poder que cozinhar ou conhecer alimentos pode trazer, seja na relação com as pessoas, ou em termos financeiros.

O filme é um ótima opção de entretenimento para o fim de semana, além de ser uma excelente produção nacional que aborda a comida como um agente modificador social.    

Neste link você pode encontrar o livro de receitas do filme, até porque para assistir "estômago" não basta ter estômago.  

Direção:  Marcos Jorge

Nacionalidade: Brasileira

Gênero: Drama

Ano: 2007

Duração: 113min  



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