Ideias na Mesa - Blog


Posts Relacionados com a(tag):Comida de Verdade

postado por Rafael Rioja Arantes em Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

A equipe do Ideias compartilha no quadro de hoje uma oficina elaborada pelo Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição – Universidade de Brasília (OPSAN/UnB) e aplicada em parceria com a Organização Panamericana da Saúde (OPAS/OMS) durante o XXIV CONBRAN 2016 em Porto alegre. 

A oficina tem como proposta gerar reflexões e incentivar a mobilização para promover o cozinhar como prática emancipatória baseado nos princípios do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para Políticas Públicas e nas diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira.

Passo a passo:

Primeiramente, uma dinâmica de quebra-gelo foi aplicada para propiciar um contato inicial entre os participantes e para que eles se dividissem em grupos conforme o perfil. Para esta atividade, foi realizada a dinâmica do colar, na qual os próprios participantes confeccionam crachás utilizando materiais de papelaria com informações como a comida e hobby preferidos. Findada a dinâmica inicial, os facilitadores explicaram a oficina e apresentaram a metodologia proposta na qual cada grupo circula pelas 6 estações propostas permanecendo 20 minutos em cada uma delas.

Seguindo dinâmicas e gerando produtos próprios, as estações abordaram  as seguintes discussões:

ESTAÇÃO 1 -  A mulher e o cozinhar

Na primeira estação, foi elaborado um “varal de fotos” contendo uma seleção de imagens, cartazes e frases com retratos de chefes de cozinha do sexo masculino e fotos de merendeiras do sexo feminino. Também foram expostas propagandas de alimentos com discursos machistas além de alguns dados e reflexões.  Os elementos serviram para subsidiar as discussões em grupo sobre o tema central da estação que é “A mulher e o cozinhar”, com questões como a exaltação do prestígio e predominância de Chefs de cozinha do sexo masculino enquanto as atividades ligadas a alimentação doméstica e com menos “glamour” recaem sobre a mulher.

 

ESTAÇÃO 2 - Tempo x Cozinhar

O objetivo dessa estação foi discutir a questão do tempo x cozinhar - um dos grandes desafios da atualidade, e a necessidade de encontrar um tempo para desenvolver habilidades culinárias e evitar os alimentos ultraprocessados, como o Guia Alimentar para a População Brasileira preconiza. Assim, não buscou-se resolver ou dar respostas a este complexo problema, mas refletir e pensar em estratégias.

O cenário dessa estação foi composto com um calendário mensal grande com diversas atividades e compromissos, sem nenhuma programação para compras ou para cozinhar. Além deste elemento, o facilitador também exibiu alguns vídeos, para a partir da análise de discursos, aprofundar as discussões sobre as estratégias de propaganda  que a indústria alimentar utiliza. Segue um exemplo:

ESTAÇÃO 3- Tradição e Memória

Para compor essa parte da oficina, foram selecionados e dispostos em forma de varal, vários alimentos característicos de todas as regiões brasileiras, como por exemplo cuscuz, sagu de vinho, galinhada, bacalhau, tapioca, milho, peixe frito, além de  frutas como pitanga, acerola, caju entre outras. Ademais, também foram colocadas no varal frases inspiradoras sobre alimentação e imagens que representavam a comensalidade, comidas típicas de datas comemorativas entre outras.

Com o objetivo de trabalhar a temática “tradição e memória”, foi proposto que os participantes de cada grupo escolhessem uma imagem ou frase que os representassem ou que remetesse alguma história pessoal. Após a escolha, cada um deveria contar para todos motivo da sua escolha.

Na segunda parte, foi proposto que os participantes brincassem de “Qual é a música?” com o intuito de lembrar de letras de músicas que contenham alimento, como por exemplo café e frutas. A descontração tomou conta de todos os grupos, possibilitando também uma troca de boas lembranças em relação aos alimentos e as músicas.

 

ESTAÇÃO 4- Sistema alimentar sustentável através do cozinhar

A estação 4 teve como proposta discutir alternativas e caminhos sustentáveis a partir das escolhas alimentares e fazendo uma interface com o cozinhar. Para tanto, foram disponibilizados 6 “kits” para que os participantes escolhessem com qual trabalhar (um pra cada grupo) contendo um alimento in natura e um produto industrializado correspondente, foram eles: Tomate x molho de tomate enlatado; frango caipira x nuggets; leite tipo A x achocolatado; laranja x suco industrializado de caixinha; limão x picolé de limão; milho x pipoca de microondas.

Para os alimentos in natura, os participantes eram convidados a criar um caminho, desde a produção até o consumo e destinação final de eventuais cascas e bagaços, que fosse inclusivo, saudável e sustentável. Já para os industrializados,  a proposta foi de criar uma lógica oposta, identificando os impactos negativos para o meio ambiente, o agricultor e a saúde humana. O intuito foi propiciar uma reflexão sistêmica acerca dos impactos das nossas escolhas alimentares e contrapor diferentes modelos de produção. 

ESTAÇÃO 5 - Comensalidade

Nesta estação, os participantes foram convidados a compartilharem de uma refeição juntos e construírem o conceito de comensalidade (ato de comer junto) com um jogo de palavras.

A cenografia contava com toalha de piquenique, flores, preparações regionais, frutas, sucos e livros de contos, crônicas e outros estilos literários que abordam a alimentação. Isso proporcionou um ambiente agradável e convidativo para a participação.

O facilitador era como um anfitrião que convidava todos a comerem juntos e conversarem sobre o tema. No jogo era possível formar diferentes frases, poesias, esquemas com palavras que iam desde tipos de refeições, pessoas, verbos, características, lugares e emoções.

ESTAÇÃO 6 - Conflito de interesses    

Para trabalhar a temática “Conflito de Interesse” a equipe decidiu que traria à tona a discussão sobre um caso real, atual e polêmico, a recente associação do chefe de cozinha Jamie Oliver, que ganhou projeção internacional ao promover uma alimentação adequada e saudável (AAS), à empresa Sadia.

A dinâmica utilizada foi a simulação de um julgamento sobre a conduta do chefe e o questionamento do julgamento era: “Há conflito de interesses na associação de um chefe de cozinha, promotor mundial da alimentação adequada e saudável, com uma multinacional, produtora de alimentos ultraprocessados, responsável por 20% da produção mundial de frangos?”. O caso dizia respeito ao Chef Jamie Oliver, mas a ideia principal era julgar o conflito de interesses e discutir a conduta de um chefe, ou qualquer outro profissional que constrói a sua imagem promovendo AAS mas, que em um determinado momento, se entrega aos interesses da indústria de alimentos.

Encerramento

Depois que todos os grupos passaram pelas 6 estações, eles foram convidados a apresentar os cartazes e fazer um breve relato sobre as discussões que tiveram. Os facilitadores da oficina encerraram a atividade destacando a correlação de cada estação com o tema principal da atividade, e a importância da compreensão desses elementos para promoção da Alimentação Adequada e Saudável.             

Resultados observados:

As inscrições na oficina foram feitas por e-mail, e após a atividade 11 dos 50 participantes responderam espontaneamente à pesquisa de opinião com impressões sobre a atividade. Em resposta a experiência de participação na oficina, 8 pessoas deram nota máxima para atividade em uma escala de 0-10, enquanto 3 pessoas deram notas entre 8 e 9. Os mesmos números foram observados para aprovação da metodologia utilizada. A oficina atendeu às expectativas de 90% e parcialmente de 10% dos que responderam à pesquisa. E ainda, 100% dos que responderam ao questionário gostaram da escolha do tema principal da oficina e também julgaram os temas das estações como pertinentes.

Para além dos dados quantitativos, alguns comentários também foram observados como: “Continuem disseminando essa oficina. Eu gostei muito, aprendi muito, reforcei muitos entendimentos e levarei esse conhecimento para a vida e para a minha prática profissional”.

Para conferir os materiais de apoio utilizados e a experiência na íntegra acesse aqui.


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como o Ideias na Mesa, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!

 



postado por Equipe Ideias na Mesa em Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Fotos: Marta Borges 

O mais novo livro de receitas da Rede Ideias na Mesa foi oficialmente lançado em Brasília. 

Depois de ter sido muito bem recebido e procurado durante o pré-lançamento feito no Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN) em outubro de 2016, Porto Alegre, o Mais que Receitas teve sua noite de lançamento na Capital Federal. Como não poderia ser diferente, o evento aconteceu regado a boas conversas e quitutes.

Na ocasião, estavam presentes além da equipe do Ideias na Mesa que idealizou e concebeu este projeto, 16 colaboradores de Brasília que enviaram receitas. Ao todo, o livro reuniu 96 preparações e contou com a participação de mais de 60 colaboradores e colaboradoras de todas as partes do Brasil. Um deles inclusive cedeu o espaço do Monardo café onde foi realizado o lançamento em Brasília deixando o clima ainda mais intimista. O público interagiu por cerca de 3 horas entre autógrafos, fotos e refeições.  

'Mais que Receitas - Comida de Verdade' leva esse nome não por acaso. Diferentemente dos livros de receitas tradicionais, ele está organizado em cinco capítulos nos quais as receitas reúnem características que ajudam a compreender e exercitar diferentes aspectos e etapas do sistema alimentar. Dessa forma, o ato de cozinhar se torna uma ferramenta para consumir e praticar a comida de verdade em seu sentido mais amplo. 

Iniciativa da Coordenação Geral de Educação Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (CGEAN/MDSA) e do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição – Universidade de Brasília (OPSAN/UnB), a obra é gratuita e pode ser lida e compartilhada na biblioteca de publicações do Ideias. Além de receitas e belas ilustrações, o leitor encontrará dicas práticas sobre alimentos agroecológicos e informações sobre como tornar o cozinhar mais divertido e prático, e até entender como a alimentação influencia na biodiversidade e interfere nas mudanças climáticas.

Na mídia

A equipe do Ideias foi procurada para participar de uma matéria exibida no Bom dia DF na quinta feira (17/11) para apresentar o livro. No bate papo, alguns aspectos que diferenciam o 'Mais que Receitas' foram conversados, contando também com a presença da Eliane Regis, uma das colaboradoras de Brasília que levou uma de suas receitas e também preparou o bolo de hortelã e castanha do Pará enviado pela Fernanda Trigo, colaboradora de São Paulo. Assista a matéria.

A repórter Bárbara Lins ganhou um exemplar do livro e com ele um desafio, preparar uma das receitas. Ela fez bonito e no mesmo dia preparou uma receita da sessão de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC's), o "Bolo de Jatofubá" feito com farinha de jatobá. Confira o vídeo. E você, já preparou a sua receita? Não perca tempo, tem para todos os gostos e não esqueça de usar as #maisquereceitas #ideiasnamesa.

Para conferir as fotos do lançamento acesse o álbum.      




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Em seu livro “O dilema do onívoro”, lançado há uma década, Michael Pollan diz que se soubéssemos das mentiras contadas pelo agronegócio, com certeza mudaríamos nossos hábitos alimentares.

Hoje podemos dizer que já conseguimos enxergar melhor essas mentiras da indústria, mas Pollan tem se perguntando se esse novo olhar, por si só, é suficiente.

Em uma entrevista, Pollan disse que o maior acesso à informação não mudou a postura dos consumidores quanto às escolhas alimentares, como ele esperava. Embora ele tenha apontado alguns avanços encorajadores, ele também argumentou que nosso sistema alimentar não está tão diferente de como ele descreveu em 2006. Para que o sistema alimentar de fato mude, serão necessárias algumas conversas consideradas difíceis pelo autor. Ainda é muito necessário discutir sobre políticas que levem ao consumo consciente, sobre os preços dos alimentos e sobre o papel daqueles que “advogam” pela causa.

Para comemorar a década de publicação do livro, confira essa entrevista com o autor.

Michael Pollan: A simples questão que me fez iniciar o livro – “De onde vem nossa comida?” – é agora uma questão para diversas pessoas. Mas eu não quero superestimar a influência do livro, pois o sistema alimentar de hoje é bem parecido com o de 10 anos atrás. Já as estratégias usadas pelos consumidores, para escolher seus alimentos, são um pouco diferentes das usadas em 2006.

A economia que abrange a produção de alimentos também tem mudado. Nos Estados Unidos a venda de alimentos orgânicos tem arrecadado 40 bilhões. Os consumidores também têm dado preferência a alimentos locais e artesanais.

A estimativa é de que hoje a economia que vai contra ao atual sistema alimentar movimenta cerca de 50 bilhões de dólares. Claro que isso não quer dizer que as empresas tradicionais não estão lucrando com a venda de orgânicos também, mas o fato é que eles tiveram que alterar a forma de produção, o que mostra novos rumos no ramo alimentício.

Um dos aspectos positivos de ter várias grandes empresas dominando o cenário da produção de alimentos é que os monopólios, às vezes, podem se mover rapidamente para mudar o sistema. Se você força empresas como McDonald’s, Walmart ou KFC, a mudar a forma de produção, você pode trazer mudanças muito rápidas para o sistema alimentar.  

Muitos dos valores que hoje parecem ser alternativos, como comprar ovos de galinhas que não vivem em gaiolas, em breve será um hábito comum. Eu acho que logo muitas redes de fast food vão começar a vender produtos orgânicos por marketing e muitas outras redes vão seguir essa tendência por perceberem que é uma estratégia que funciona.

É assim que a mudança vai chegar aos Estados Unidos, certo?

Nós temos a tendência de progredir a partir dos desafios, ao invés da revolução e da substituição.  

Não há dúvida de que você verá o mercado alimentício alternativo e tradicional se unirem. Resta será saber se as pessoas vão comemorar ou lamentar essa transição.

Eu frequentemente pergunto às pessoas: Como você se sentiria se o McDonald’s decidisse vender apenas produtos orgânicos? Isso seria uma vitória incrível. Imagina todos os campos que deixariam de receber agrotóxicos e todo o gado pastando na grama. Mas algumas pessoas sempre vão se assustar com essa fantasia. O movimento que luta pela comida de verdade é feito pela sociedade civil que busca novas estruturas para o sistema alimentar e, de certo modo, busca mudar o atual contexto econômico.

Algumas pessoas ficarão deprimidas quando os aspectos desse atual movimento social se tornarem comuns, batidos. Outras se sentirão plenamente realizadas – é assim que a mudança acontece nos EUA. Talvez isso seja o que podemos esperar de melhor.

Enquanto a consciência cultural em torno da comida mudou, nós não fizemos muito progresso mudar as coisas em Washington.

O verdadeiro desafio agora é trazer a luta do consumidor para o cidadão: levar as pessoas a votar em questões alimentares, para que os congressistas votem em melhorias para o sistema alimentar.

A indústria ainda tem forte influência sobre os comitês agrícolas no Congresso e a maioria das reformas que temos visto são realmente pequenas mordidas nas bordas.

Há dinheiro destinado para programas de alimentação escolar e de instituições públicas e de incentivo para a produção local. Hoje a lei para produção agrícola tem algumas boas disposições para as pequenas e diversificadas formas de produção, que nunca existiram antes.

Há muito dinheiro para promover a agricultura local.

Mas os legisladores aumentaram o investimento em sistemas alternativos, sem reduzir o incentivo aos métodos de produção tradicionais.

Vivemos um momento interessante, no qual o poder das corporações é tão pleno que o governo encontra problemas para quebrar esse ciclo, sem que haja um escândalo.

Um ponto postivo para esse movimento é que a fraqueza das grandes corporações tem sido a própria marca. É aí que você vê uma interessante atividade política da sociedade civil representada por grupos como a Coalizão de Trabalhadores de Immokalee, a Oxfam América e a Humane Society. Eles têm ido atrás dessas empresas, fazendo com que elas se sintam forçadas a mudar o próprio comportamento por medo de serem ridicularizadas. 

No final, porém, você tem que refletir sobre as mudanças que essas empresas sofrem. É necessário que exista uma regulamentação legal que de fato consagre essas mudanças. Temos muitos exemplos de empresas que fazem promessas atrativas, mas que deixam de ser cumpridas quando o público não está prestando atenção.

O McDonald’s recentemente prometeu que não comercializaria carnes de frango produzidas com antibióticos mas, em seguida, um repórter descobriu que eles tinham feito a mesma promessa há exatos dez anos. Será que a indústria mantém todas as promessas que fez à Michelle Obama, depois que ela está fora do escritório? E existe um mecanismo para garantir que eles de fato cumpram?

É importante votar com seu garfo, não ache que é trivial.

E isso é necessária, mas não suficiente, pois também temos que votar com nossos votos.

Uma coisa positiva que o governo poderia fazer é oferecer à agricultura orgânica, os mesmos subsídios que oferece à agricultura convencional. Ainda assim, é provável que o preço dos alimentos orgânicos não sejam tão competitivos quanto os produzidos pela agricultura tradicional, em parte porque esses preços baixos não refletem o verdadeiro custo do produto.

Nós pagamos pelos alimentos convencionais de outras maneiras: na saúde pública, em danos ao meio ambiente e em subsídios do contribuinte.

À medida que conseguirmos reformar o sistema, eu acho que vamos ver que o baixo custo foi uma ilusão, pois você não pode produzir alimentos mais baratos, sem que alguém pague o custo real. E esse custo tem sido pago pela saúde e meio ambiente.

Minha esperança é que as pessoas comecem a ver os alimentos como algo que vale a pena gastar mais dinheiro, quando possível. Afinal de contas, a maioria dos americanos vive em uma situação confortável e paga centenas de dólares em contas de telefone ou em canais de TV. Eu acho que uma fatia significativa do público consumidor está se acostumando com a ideia de que alimentos produzidos de forma alinhada aos seus valores pessoais, vão custar mais caro. Mas claro, que ainda existem pessoas que não serão capazes de arcar com os preços mais altos dos alimentos sustentáveis e é aí que surge a dificuldade. Como podemos permitir o acesso de todos à esses alimentos?

Penso eu que esse seja o maior desafio do movimento pela comida de verdade: democratizar o acesso à alimentos produzidos de forma sustentável e ética.

É por isso que é muito encorajador ver ativistas pela comida de verdade se envolverem com questões de trabalho, abordando os salários e não apenas a produção de alimentos. Há um reconhecimento de que uma grande quantidade de trabalhadores são empregados da indústria de alimentos e estão sendo explorados por ela. Se pudermos consertar o erro e aumentar os salários de quem não pode pagar por alimentos sustentáveis, isso permitirá que mais de nós sejam capazes de pagar o verdadeiro custo dos alimentos.

 

Tradução: Ana Maria Maya

Fonte: http://newfoodeconomy.com/michael-pollans-new-dilemma/



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Nossa dica de entretenimento engajado para quem procura ampliar a visão sobre o sistema alimentar é a web série ‘Cozinhar’.  A série, disponível no netflix, é baseada no mais recente livro escrito pelo renomado jornalista e ativista pró-alimentação saudável Michael Pollan.

Dividida em quatro episódios de aproximadamente 50 minutos e conforme os capítulos do livro: Fogo, Água, Ar e Terra, as relações socioculturais que estão historicamente relacionadas com o ato de comer são evidenciadas, e no contexto atual, o livro traz a reflexão sobre as nossas escolhas alimentares e como elas refletem um sistema que pode ou não, ser sustentável, saudável e socialmente justo.

A série confronta o modelo alimentar atual centrado cada vez mais na perda da autonomia e protagonismo dos indivíduos no preparo das refeições. Função que tem sido apropriada principalmente pela indústria de alimentos e redes fast-food. Os impactos negativos a saúde deste modelo são inúmeros, e é inegável a associação deste estilo alimentar vigente com o aumento vertiginoso da obesidade e doenças crônicas assim como suas comorbidades.

Confira o trailer que pode ser assistido com legendas em português clicando nas configurações no canto inferior direito: 


 

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 31 de Março de 2016

A ONG ACT está promovendo a campanha #DietaFail com várias posts e fotos para mostrar o que há por trás a propaganda de alguns produtos ultraprocessados, bebidas alcoólicas e açucaradas.

Esses produtos são os principais causadores das doenças crônicas não transmissíveis como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e pulmonares.

Participe também dessa iniciativa e crie sua "propaganda" e poste com a hastag #DietaFail.

Faça sua foto e crie seu slogan!

Saiba mais: http://limitetabaco.org.br/dcnt

Veja alguns exemplos: 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2016

Que tal promover o consumo de frutas e alimentos saudáveis nas crianças através de uma minifeira?

Sabemos que as feiras são ótimos locais para comprar frutas, verduras e alimentos saudáveis, além de ser uma alternativa de realizar a aproximação de agricultores/produtores com seus consumidores.

Pensando nisso trazemos uma experiência de EAN para o [Você no Ideias] que aborda essa temática.

O projeto foi realizado com as crianças da escola CMEI João Pedro de Aguiar de Vitória – ES e tinha por objetivo incentivar o consumo de frutas e dar às crianças uma experiência em escolher seus próprios alimentos gerando autonomia e a prática do auto cuidado quanto à alimentação.

O grande motivo da realização da experiência era a baixa aceitação de frutas pelos alunos da escola na faixa etária estabelecida.

 

Dessa forma foi organizada uma minifeira com frutas fornecidas pelos agricultores familiares para a alimentação escolar do Município de Vitória/ES para que os alunos realizassem as suas escolhas e a "compra" dos alimentos.

Na minifeira as crianças puderam degustar antes as frutas e logo depois fazer as suas escolhas de “compras”.

 


Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Juliana Pizzol Organo, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Que tal fazer comida com abraços ou até mesmo com a luz do sol?!

O Catraca Livre postou em seu site várias alternativas diferentes de fazer comida, como a torradeira que funciona por meio de abraços e até mesmo um forno solar.

São ideias incríveis que estão no [Mais que Ideias] do nosso blog hoje.

Idealizado pela Pleno Sol que funciona à base da economia solidária, do consumo consciente e de uma alimentação adequada, o forno solar é uma ótima alternativa para uma cozinha sustentável.

Ele é capaz de assar, grelhar, cozinhar, tudo o que um forno convencional também faz. Apesar de o tempo de cozimento neste tipo de forno ser maior do que no convencional, o consumo de gás ou energia elétrica é eliminado.

Na mesma linha da cozinha sustentável do forno solar, a empresa One Earth Designs lançou um fogão totalmente sustentável que cozinha os alimentos usando a energia proveniente do calor do sol.

O fogão é chamado de “SolSource” e é feito com espelhos que captam a energia solar e também tem a mesma funcionalidade de um fogão convencional, contudo tem a vantagem de não emitir poluentes.

 

Agora, fugindo um pouco do cozimento sustentável dos alimentos, mas ainda assim, falando em uma cozinha sustentável e afetiva, temos a torradeira que funciona com abraços.

Sim, isso mesmo que você leu, com abraços!

A estudante de design de Londres, Ted Wiles, a fim de estimular os sentimentos felizes nos usuários lançou alguns objetos para esse fim.

Todos os objetos precisam de algum estímulo/interação física para funcionar, ou seja, o telefone só vai funcionar se o usuário sorrir ao utilizar o objeto.

Há também uma torradeira que só é ativada quando é abraçada. Um abraço é capaz de ativar os sensores e o termostato do aparelho.



Então, que tal cozinhar de forma sustentável e ainda de leva praticar a afetividade que reúne o cozinhar e também a cozinha, além de ter uma alimentação saudável e sustentável?!

Veja mais no site do Catraca Livre!



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

Você já ouviu falar ou comeu mangarito, taioba? E bertalha?

 

                  

Sabia que ela são algumas das hortaliças tradicionais que encontramos no Brasil ? Mas que ainda são pouco consumidas e conhecidas pela nossa população.

Por isso a [Biblioteca do Ideias] de hoje traz uma cartilha publicada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre as hortaliças não-convencionais ou tradicionais, para assim estimular o consumo destas no prato da população brasileira.



A publicação visa estimular os agricultores familiares a resgatar o cultivo destas culturas, hoje preservadas de forma isolada junto a populações tradicionais, e principalmente incentivar o consumo das variedades locais de hortaliças não-convencionais ou “hortaliças tradicionais” por parte da população em geral.

Além do aspecto da cultura, o estímulo às hortaliças tradicionais também visa perpetuar bons hábitos alimentares e a valorização do patrimônio sociocultural do povo brasileiro, visto que estas plantas são esquecidas e possuem um potencial para o enriquecimento da alimentação e melhoria de rendas das comunidades.

A cartilha traz algumas instruções básicas para o plantio das hortaliças e ainda algumas receitas deliciosas feitas com esses alimentos.

 

 

 Não deixe de conferir esta publicação na [Biblioteca do Ideias].

 



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 03 de Novembro de 2015

Durante essa semana (03 ao 06/11) estará acontecendo a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, em Brasília.

Portanto abordaremos hoje no [Pensando EAN] o tema da 5ª Conferência: Comida de verdade no campo e na cidade, com uma entrevista dada pela presidente do Consea Nacional, Maria Emília Lisboa Pacheco ao programa Entrevista do canal Futura.

Na entrevista a antropóloga defende a agricultura familiar e seu papel como principal fonte de abastecimento de alimentos à mesa das/os brasileiras/os, por sua produção sustentável, que preserva a biodiversidade e pelo cuidado com a saúde humana.

Além disso, Maria Emília ressalta o papel da agroecologia como um sistema capaz de alimentar as 7 bilhões de pessoas do planeta de forma saudável e sem agrotóxicos, em oposição ao modelo convencional atuante.

“A agroecologia significa também a valorização das sementes tracionais” e também que a “agroecologia significa o manejo sustentável dos recursos naturais, ter uma relação mais harmoniosa com a natureza, mas também, tem uma dimensão social, econômica e política”.

Em contraposição ao modelo do agronegócio, que tem aumentado o consumo de agrotóxicos por parte da população brasileira e pelo avanço das monoculturas, Maria Emília defende políticas eficazes na garantia ao direito a uma alimentação saudável e adequada no Brasil:

“No Brasil nós não temos política suficientes ainda que garantam que nós tenhamos uma alimentação adequada e de qualidade para o consumo da população”.

Porém, avalia de forma positiva a implantação do Programa Aquisição de Alimentos (PAA), mas também, pontua a necessidade das normas sanitárias serem menos severas quanto à produção da agricultura familiar e assim prover #comida de verdade à mesa da população brasileira.

A presidente do Consea, ainda reflete sobre a defesa dos circuitos curtos dos alimentos:

“Precisamos evitar o passeio dos alimentos”, “o alimento as vezes percorre milhares de quilômetros” e, portanto, “precisamos descentralizar o sistema de distribuição e abastecimento alimentar no Brasil”.

E faremos isso, segundo ela: “apoiando feiras, principalmente as agroecológicas, isso se faz apoiando os sistemas de rede da economia solidária”, por fim ela pontua:

“Com isso reduzimos o gasto de energia, vamos permitir uma maior aproximação entre quem produz e quem consome e vamos assegurar uma maior diversificação dos alimentos em respeito ao tempo de safra dos alimentos”.

Fique mais por dentro do tema assistindo a entrevista logo abaixo:  



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Terça-feira, 20 de Outubro de 2015

Temos hoje no [Você no Ideias] uma experiência realizada pela Secretaria de Educação do Distrito Federal nas escolas e creches da cidade.

A iniciativa foi chamada e “O que tem na sopa? ” e teve base em atividades lúdicas e artísticas para despertar o interesse das crianças sobre a alimentação saudável  e o consumo  destes alimentos no ambiente escolar.

Inicialmente na ação foi apresentada uma palestra sobre os alimentos que iriam compor a sopa de legumes e a salada de frutas após toda a atividade de EAN. Além disso as crianças puderam ter contato direto com os alimentos, despertando o lado sensorial, principalmente do tato e visão.

 

Como parte da iniciativa foi pedido às crianças um desenho dos alimentos que tiveram o contato antecipadamente, despertando outras sensações e conhecimentos nelas.


 

Foi frisado também a importância do não desperdício dos alimentos durante toda a ação.

Confira essa incrível experiência de EAN aqui.


Você no Ideias na Mesa!      

Em 2015 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Maria Alvim, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



Observatório Opsan UNB
facebook
twitter
Layout e programação do site Identidade visual
Faça o ligin para continuar!

clique aqui