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postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Março de 2017


O dia 22 de março é anualmente conhecido como o Dia Mundial da Água desde 1992 quando foi instituído como tal pela Organização das Nações Unidas. A cada ano, a data que é “celebrada” para conscientizar a população sobre a importância deste valioso recurso natural ganha um significado ainda maior.

Ao redor do globo e mais especificamente no Brasil, as seguidas crises hídricas somadas a realidade de regiões que ainda sofrem com a falta de acesso à água potável e saneamento, não deixam dúvidas de que é urgente a tomada de decisões para preservar as reservas e aquíferos. É também evidente que para gerir esse recurso de maneira sustentável, não basta aguardar de forma passiva que os regimes de chuva reponham indefinidamente os reservatórios de água enquanto acontecem as mais diversas formas de desperdício e a má utilização da água. Estratégias que garantam uma utilização mais responsável e consciente dos recursos hídricos são imprescindíveis para a sustentabilidade de diferentes sistemas.  

Nesse contexto, disponibilizamos em nossa biblioteca um material informativo elaborado pela ONU lançado para o Dia Mundial da Água 2017 intitulado “Por que desperdiçar água?”. Nele, são compartilhadas informações relacionadas às potencialidades da reutilização de águas residuais assim como a tomada de atitudes para minimizar os desperdícios. O folheto foi desenvolvido no contexto do Objetivo Para o Desenvolvimento Sustentável do Milênio número 6 que tem como premissa assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para a população.   

Algumas das principais mensagens da publicação:

  • Mais de 80% das águas residuais geradas pela sociedade flui de volta para o ecossistema sem ser tratada ou reutilizada
  • 1,8 bilhão de pessoas usam uma fonte de água potável contaminada com diferentes poluentes. Água insalubre e saneamento e higiene deficientes causam cerca de 842.000 mortes a cada ano
  • Até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades, em comparação com 50% atualmente
  • A maioria das cidades nos países em desenvolvimento não tem infraestrutura e recursos adequados para lidar com a gestão das águas residuais de uma maneira eficiente e sustentável
  • Os custos da gestão de águas residuais são grandemente compensados pelos benefícios à saúde humana, ao desenvolvimento econômico e à sustentabilidade ambiental, oferecendo novas oportunidades de negócios e criando mais empregos “verdes”

Além dos padrões de consumo e o não reaproveitamento de água que acontecem a nível residencial, o documento traz uma reflexão sobre os dois setores que juntos correspondem por mais de 80% de toda água consumida no planeta, e por consequência, contabilizam a maior parte dos desperdícios e contaminações. Acesse a íntegra do documento em nossa biblioteca.   


 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 14 de Março de 2017

Impulsionados pela necessidade de uma produção alimentar mais inclusiva e alternativa ao modelo agroalimentar hegemônico vigente, cada vez mais estudos e projetos têm buscado compreender os fatores e potencialidades relacionados à produção de base familiar. A concentração fundiária  é majoritariamente centrada em latifúndios monocultores e produtores de commodities, mas no que diz respeito a produção de alimentos para consumo humano a nível global, os pequenos agricultores produzem mais de 70% de tudo o que consumimos.       

A publicação desenvolvida pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário é fruto de grupos de trabalho, oficinas e congressos e reuni a contribuição de um vasto grupo de especialistas e pesquisadores dos temas relacionados à agricultura familiar. Dividido em sete partes, a publicação aborda diferentes questões e traz um panorama da questão agrária e caracteriza os camponeses na atualidade, analisa as políticas públicas destinadas à agricultura familiar, e enumera os desafios e perspectivas para se avançar.     

As primeiras duas partes do documento discutem a estrutura agrária Brasileira que aprofundou no século XXI os processos de concentração de terras como resultante do modelo econômico do agronegócio, pavimentado na intensificação produtiva e mercantilização de insumos. Esse modelo hegemônico centrado na grande empresa e no capital, contribuiu em grande escala para a expulsão de povos e comunidades tradicionais , assim como jovens e famílias que ocupavam o espaço rural. A terceira parte, "Inovações Sociais: Experiências Contemporâneas", apresenta um conceito de desenvolvimento rural alternativo ao modelo hegemônico e mais inclusivo, incorporando as noções de agroecologia e soberania e segurança alimentar e nutricional.

Os capítulos subsequentes avaliam as políticas públicas que tem como alvo a agricultura familiar e trazem também as perspectivas futuras, levantando também os desafios e questões relativas aos movimentos e organizações sociais. A última parte também aborda as diferentes categorias e dimensões sociais do trabalho no campo, trazendo alguns exemplos como as mulheres agricultoras e comunidades.       

Acesse a publicação em nossa biblioteca.         




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 08 de Março de 2017

Hoje, no dia 8 de março, muitas acordaram com mensagens de "parabéns pelo seu dia" no feed do facebook ou por mensagens no whatsapp e seguiram algumas tradições de comemorativas com rosas, músicas e discursos bonitos, mas que às vezes, ainda guardam algumas palavras opressoras que passam despercebidas em momentos de festa. Na verdade, o dia hoje é de muita reflexão. Que não só as mulheres, mas que todos reflitam sobre a retirada de direitos, sobre os casos de femincídio, sobre a cultura do estupro, sobre a desigualdade nos ambientes de trabalho, sobre "piadas" e discursos machistas, enfim hoje é dia de lutar por TODOS os direitos das mulheres! #nenhumdireitoamenos

E para essa discussão, o [Biblioteca do Ideias] de hoje compartilha uma cartilha com reflexões e propostas, produzida pela FIAN Colômbia com o título "O Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável das Mulheres: expandindo horizontes para a construção da cidadania pela".

Segundo Maria Emília Pacheco, Presidente do Consea, no Dia Internacional da Mulher devemos nos questionar sobre:

- Como atuam as mulheres na defesa e promoção da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional?

- Que obstáculos superar para garantir a igualdade nas relações sociais de gênero?

- Que propostas e mecanismos inovar ou aperfeiçoar para a efetivação dos direitos das mulheres na Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional? 

E essa cartilha da FIAN contribui para refletirmos sobre esses questionamentos.

O documento faz parte das discussões da FIAN Colômbia que trabalha para, por e com as mulheres, com o objetivo de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável(DHAA). O trabalho desenvolvido pela FIAN Colômbia busca debater com as mulheres alguns paradigmas do pensamento de caráter predominantemente eurocêntrico, totalitário e familicista, buscando desvendar as desigualdades históricas das mulheres e seu compromisso com a transformação de um sistema de opressão patriarcal, que envolve o DHAA, tal sistema é encontrado no meio de grupos armados, tráfico de drogas, apropriação de terras, de monoculturas de dendezeiros e cana-de-açúcar, de um Estado fraco, oligárquico e corrupto.

A partir dessa experiência, a FIAN produziu essa cartilha que tem como objetivo contribuir para o monitoramento do  DHAA a partir do enfoque dos Direitos Humanos das Mulheres. Busca também, além da categoria de gênero, fornecer ao leitor uma análise das experiências, lugares e diferentes sistemas (sexo / gênero, raça e classe) relacionados à alimentação, que estão ao redor das mulheres. Nesse sentido, o dcumento se afasta de posições tradicionais para avançar em uma leitura feminista da lei, colocando o patriarcado e o capitalismo como os principais obstáculos para o avanço da cidadania plena, que permite a garantia do DHAA das mulheres, de sua autonomia e soberania alimentar.

A cartilha se dirige a mulheres, líderes de organizações, Universidades e ao público em geral com interesse em acompanhar importante relação entre as mulheres e o DHAA. Ela é composta por quatro partes que tratam de questões como a situação alimentar das mulheres, os regulamentos relacionados a esse direito e como são abordados; e, por fim, sugere um instrumento que visa acompanhar o status do DHAA das mulheres e das políticas ou ações públicas relacionadas às mulheres, permitindo a exigibilidade política e social do DHAA.

O DHAA, a partir de uma perspectiva dos Direitos Humanos das Mulheres, confronta a questão da desigualdade entre os sexos em todas as escalas e dimensões sociais, econômicas e culturais para garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.

Assim, a discussão sobre o DHAA das mulheres é muito mais do que estar "livre da fome" ou estar em situação de "segurança alimentar". Ela significa desfrutar de uma vida digna, em que a alimentação não é ameaçada ou restrita, e se desenvolve respeitando as decisões autônomas das comunidades e das mulheres que decidem como será seu sistema alimentar; isto é dizer o que produzem, o que trocam, de que maneira processam os alimentos, como comem, como os ciclos alimentares são recriados, e como tudo isso se desenvolve harmonicamente com as culturas, com a natureza e com o direito das gerações futuras aproveitarem também as condições necessárias para garantir o abastecimento.

Portanto, o DHAA das mulheres implica no próprio reconhecimento delas como sujeitos políticos, autônomos e dignos que participam e decidem sobre as etapas do sistema alimentar (produção, comercialização e marketing, processamento, consumo e utilização biológica), nas áreas público e privado. Exigindo assim, o acesso a uma alimentação justa e o reconhecendo como direito, assim como o acesso à saúde, à educação, à terra e ao trabalho.

As mulheres são as principais produtoras de alimentos e compõem este grupo indígenas, camponesas, operárias e trabalhadoras afrodescendentes que muito contribuem para a produção de alimentos.

Dentro dos processos de luta por sua identidade, podem persistir tensões de caráter etnocêntrico e essencialista, de caráter endógeno e exógeno, pelo direito à terra, à soberania alimentar, ao reconhecimento pela contribuição das mulheres em torno do DHAA. Atualmente, as lutas das mulheres pelo DHAA, com vistas à cidadania plena, devem ser compostas por uma diversidade de mulheres, detentoras de múltiplos saberes e que vivem nos mais diversos locais.

A luta pelo DHAA das mulheres busca expandir os horizontes da cidadania plena dentro de uma democracia que permite o reconhecimento, redistribuição e justiça para as mulheres!

Confira o documento completo aqui



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

O [Comida na Tela] de hoje apresenta um relato compartilhado no “TEDx Tucson Salon”, no qual a jornalista Megan Kimble conta sobre como foi excluir alimentos processados e ultraprocessados da sua alimentação e porque ela acredita que esse processo seja importante.

A jornalista inicia esse relato (e a própria experiência) problematizando o que são alimentos processados e ultraprocessados. Para entender melhor sobre o assunto e abordar o sistema alimentar, ela começa a visitar supermercados para descobrir como os alimentos chegam até eles e se questiona sobre questões relacionadas à justiça no trabalho e ao excesso de etapas para que o alimento saia do campo e chegue à mesa do consumidor. Para exemplificar esse processo ela cita as etapas que uma melancia produzida no México, passa para alimentar os moradores de Connecticut, passando por questões como justiça no trabalho e preço. Ela compara esse processo ao processo utilizado pelas “Comunidades que Sustentam a Agricultura”, que valorizam o produtor local e se baseiam nos princípios da sazonalidade para produção de alimentos de forma justa, adequada e saudável sem a utilização de pesticidas.

Além disso, ela problematiza a quantidade de açúcar adicionado em produtos ultraprocessados e a substituição por adoçantes. Ao se revelar amantes dos doces, ela conta como descobriu o que a indústria já sabe há décadas, que o açúcar causa certa dependência, levando as pessoas a querer consumir mais e mais açúcar. Quando substituído por adoçantes, a saciedade vem de forma ainda mais lenta, por isso devemos estar alertas ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados que contenham açúcar ou adoçantes na lista de ingredientes.

Para Megan, a escolha por uma alimentação saudável simplifica o dia a dia porque as pessoas não têm mais que se preocupar com a origem da comida, como ela é feita, quais os impactos a produção tem gerado, se vai fazer mal para o corpo, entre tantos outros. Quando se reduz o consumo dos ultraprocessados, você começa a reconhecer o alimento, a origem dele, você mesmo faz preparações e isso gera impacto positivo para si e para a sociedade.

 

Muitas pessoas questionam se ela se sente diferente, e ela responde dizendo “Eu me sinto satisfeita”.

Vale a pena conferir esse vídeo:



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Hoje o [Biblioteca do Ideias] vem apresentar um documento que dá as boas vindas aos novos gestores e gestoras de saúde e às novas referências dos programas de alimentação e nutrição para promoção da saúde nos municípios, uma vez que estes desempenham papel funadamental na implementação e gestão dos programas e ações vinculados à alimentação e nutrição e à promoção da saúde, adequando-os ao perfil epidemiológico, tendo a atenção básica como principal lócus de atuação. 

Este documento apoia gestores e profissionais que atuam na coordenação dos programas do Ministério da Saúde voltados para a promoção da saúde e atenção nutricional na Atenção Básica, com um breve resumo dos principais programas do Ministério da Saúde relacionados a essas temáticas, descrevendo seus objetivos, as referências legais (decretos, portarias), os materiais de apoio, cursos relacionados e sistemas de informações vinculados.

O documento está dividido em 4 capítulos e apresenta desde Políticas Nacionais, como a PNAN e a PNSAN, depois apresenta um diagnóstico inicial das ações desenvolvidas no município, apresenta também Programas, ações e estratégias ofertadas pelo Ministério da Saúde e é encerrado com orientações sobre como manter a Ssecretaria de Saúde atualizada. 

O documento já está disponível na Biblioteca e para acessá-lo clique aqui.



postado por Marina Morais Santos em Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2017


Uma das ferramentas mais importantes para o avanço da saúde e bem estar no âmbito das políticas locais, regionais, nacionais e internacionais é a consagração do Direito à Saúde. Este assunto, no entanto, ainda não tem ganhado atenção suficiente nas discussões globais sobre Saúde. Visando preencher essa lacuna, em Janeiro de 2017, foi lançado um novo relatório, que aborda exatamente o tema do direito à saúde e o papel da legislação na garantia desse direito.

Advancing the right to health: The vital role of law é um relatório feito a partira da colaboração entre a OMS, a International Development Law Organization, a Universidade de Sydney e o Instituto O’Neill da Universidade de Georgetown nos Estados Unidos.

Ele aborda o vasto tópico em três partes: o avanço do direito à saúde por meio de reforma legislativa, o processo da reforma legislativa na saúde pública, e as prioridades da reforma legislativa na saúde pública. Em diversos exemplos, o relatório discorre sobre os países que implementaram vários níveis de leis relativas à Saúde Pública.

Além disso, o relatório também destaca temáticas prioritárias como a cobertura universal de saúde, o controle do tabaco, a obesidade e a saúde materno-infantil. Ele destaca também a possibilidade de estabelecer novas estruturas e processos de governança para avançar em objetivos compatilhados. Uma das limitaçõs do relatório é a falta de reconhecimento dos sistemas legais existentes e não existentes para adolescentes. Apesar da menção das leis antifumo em relação aos adolescentes, ele não discute temas como idade mínima de trabalho, casamento infantil, idade de responsabildiade penal e as medidas de contracepção e aborto em relação aos adolescentes. Ainda assim, esta é uma importante publicação que coloca em evidência o fato de que a lei, especialmente em uma abordagem intersetorial, pode contribuir grandemente para populações mais saudáveis no futuro. 

Para saber mais sobre essa publicação e ler o relatório na íntegra, acesse a nossa Biblioteca




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2017

O post da biblioteca de hoje divulga um livro disponível gratuitamente na base de dados do Scielo. Este livro reúne estudos sobre Alimentação e Cultura e prioriza escritas e narrativas sobre o comer em distintos grupos e lugares. Fundamenta-se nas Ciências Humanas para diversas leituras sobre o comer e, assim, busca compreender a nutrição como ação social. E para conhecer o universo simbólico das relações entre cultura e alimentação, estudam-se os hábitos, condutas, comportamentos alimentares, valores e crenças.

Em seu primeiro capítulo, o livro trata da “Alimentação e as principais transformações no século XX”. Assim, o livro apresenta o atual contexto alimentar no Brasil e como foi a transição de uma alimentação rica em fibras e carboidratos complexos para uma alimentação com alto consumo de gordura saturada, açúcar e alimentos refinados. Essas mudanças também se refletiram em aspectos corporais como, por exemplo, a redução dos índices de baixo peso e o aumento dos casos de sobrepeso.

No Brasil, a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) permitiu caracterizar a evolução do padrão alimentar da população urbana brasileira. Os resultados da POF apontam para uma redução no consumo calórico per capita de aproximadamente 208 Kcal. Como a POF quantifica os gastos com alimentos no domicílio, é possível que esta redução seja justificada pela crescente tendência de se realizar refeições fora do domicílio. Esses e diversos outros dados apresentados pelo livro nos levam a conclusão de que de fato, o Brasil segue a tendência mundial no consumo de carboidratos e vive um declínio na participação do grupo dos cereais e derivados, das leguminosas, raízes e tubérculos, verduras e legumes, frutas e sucos naturais.

Depois de apresentar o atual contexto alimentar do Brasil, as autoras reúnem a exposição de  práticas e contextos alimentares. Assim, o primeiro artigo apresentado trata das populações tradicionais que vivem do mar e do mangue. Nesse estudo, são acrescentadas questões do cotidiano alimentar de uma população de pescadores remanescente de quilombo na região do município de Salvador: a Ilha de Maré, com uma abordagem qualitativa. Trata-se de um dos recantos mais belos do litoral baiano.

“A infra-estrutura local, entretanto, é deficitária. O acesso à Ilha é difícil e não há um sistema de transporte interno. Por isso, o deslocamento para os povoados é sempre difícil, sendo geralmente feito a pé. Da mesma maneira, as travessias Maré-Salvador-Maré são realizadas de forma precária, devido à inexistência de transporte público; para as viagens diárias são utilizados pequenos barcos a motor de proprietários locais.”

“No momento, as redes elétrica e telefônica atingem toda Ilha, e o abastecimento de água, 90% dos povoados, entretanto, não há saneamento básico, nem outros serviços de saúde, cartório e policiamento. Cenas de violência têm sido comuns, principalmente nos finais de semana, quando o consumo de bebida alcoólica dos visitantes é excessivo.”

“A ausência de políticas públicas, aliada ao contexto de pobreza e baixa escolaridade, cria uma situação de grave insegurança alimentar e nutricional que fere princípios fundamentais dos direitos humanos à sobrevivência. Conforme nosso registro, a população de Ilha de Maré apresenta como a mais importante atividade remunerada a pesca artesanal e a captura de mariscos, sendo poucos os que se deslocam para o trabalho fora.”

E é nesse contexto de insegurança alimentar que as autoras discutem com a cultura alimentar pode ser utilizada para ultrapassar os desafios impostos na realidade local que tem levado à fome à desnutrição.

Nesse sentido, os capítulos seguintes vão apresentar realidades locais e a importância da cultura alimentar. A expectativa dessa coletânea de produções científicas é de que os conteúdos sobre a alimentação em interface com as Ciências Humanas sirvam para lançar um outro olhar sobre o modelo biomédico e possa desse modo, ampliar os conhecimentos da nutrição, na perspectiva de humanizar práticas profissionais que tratam das condutas alimentares.

Confira o livro completo aqui.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Lançado no final de 2016, a publicação se debruçou nas ações, desafios e perspectivas do papel da cidade na alimentação para reunir os principais avanços e acúmulos relativos a Segurança Alimentar e Nutricional implantados na cidade desde 2003.

O livro foi feito por meio de uma parceria entre o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comusan), a Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN) da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo e o Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (PMA/ONU), que incentiva a troca de experiências exitosas a respeito do tema junto a outros países. Ele é fruto de um trabalho multiprofissional, reunindo mais de 27 autores, e interdisciplinar.

Dividido em 12 capítulos, o livro traz em suas primeiras partes uma explicação sobre a metodologia de organização e um diagnóstico sobre a SAN em São Paulo, evidenciando além dos já conhecidos problemas decorrentes da falta de acesso à alimentos e renda, consumo de alimentos não saudáveis e obesidade, a necessidade da criação de indicadores para o abastecimento nos circuitos curtos que valorizem os pequenos agricultores e os alimentos sem agrotóxicos.

Outro aspecto destacado é a incidência de controle social a partir da consolidação do CONSEA municipal da cidade de São Paulo, e as experiências direcionadas a garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).

A importância de temáticas como Educação Alimentar e Nutricional, Agricultura Urbana e Periurbana, educação ambiental e o papel do Banco de Alimentos para garantia da SAN também foram levantadas. Dentre algumas iniciativas que significaram avanços neste campo, a Lei nº 16.140/2015, que visa à inclusão de alimentos orgânicos na alimentação escolar; a criação da zona rural na cidade; e o lançamento do 1º Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.

A publicação encontra-se disponível para leitura e download em nossa biblioteca, acesse aqui




postado por Maína Pereira em Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

Como é a disciplina de Educação (alimentar e) nutricional do seu curso de graduação em Nutrição? Quais conteúdos se destacam? Quais metodologias de ensino são utilizadas? O que precisa ser melhorado para aprimorar a formação do nutricionista em EAN?

Um artigo recém-publicado do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB) analisou planos de ensino da disciplina Educação Nutricional nos cursos de nutrição do país.

A análise dos planos de ensino contribuiu para diversas reflexões a respeito da formação dos futuros profissionais, destacando a abordagem do ensino e as estratégias pedagógicas na disciplina, assim como os conteúdos disciplinares.

Uma leitura recomendada para docentes da área e demais interessados, o artigo contribui na discussão da Educação Alimentar e Nutricional como tema transversal a ser abordado em todo o curso da graduação em Nutrição e revela a necessidade de alinhamento aos princípios do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as políticas públicas, às Diretrizes Curriculares Nacionais e ao Consenso sobre Habilidades e Competências do Nutricionista no âmbito da Saúde Coletiva.

Diante dos desafios da alimentação que surgem a cada dia, torna-se necessário repensar uma educação crítica e que integre a teoria com a prática com o foco de promover a saúde de forma mais problematizadora e humanizada.

O artigo, em inglês, encontra-se disponível em nossa biblioteca aqui e faz parte da sessão temática de Educação Alimentar e Nutricional da edição de novembro/dezembro de 2016 da Revista de Nutrição que contém outros artigos de estudos em EAN. 

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Acesse o artigo indicado aqui!

Acesse a revista com artigos da sessão temática de EAN aqui!

 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 04 de Janeiro de 2017

O [Biblioteca do Ideias] de hoje apresenta um artigo científico que teve como objetivo identificar atores sociais e as suas contribuições na consulta pública realizada sobre a proposta obrigatória de rotulagem de alimentos no Brasil com gordura trans. Essa consulta teve início em agosto de 2003 e ficou aberta para contribuições durante 60 dias. 

Segundo as autoras, a nutrição está no meio de um triângulo formado pelo Governo, o setor privado e os consumidores. Por isso é importante analisar essa complexa relação entre as diferentes partes envolvidas no desenvolvimento de políticas voltadas à nutrição, para que possamos entender como essas políticas podem atingir seu real objetivo, garantir o bem estar da população.

Assim, essa pesquisa é caracterizada como uma análise de politicas baseada nas contribuições feitas pelas partes interessadas no assunto no Brasil e que participaram da consulta pública sobre a Lei de Rotulagem de Alimentos em Gordura Trans. Essa análise revelou que houveram 25 contribuições para essan consulta:

- 6 representantes de Universidade e entidades que representavam profissionais de saúde,

- 2 representantes de outras classes profissionais,

- 14 representantes da Indústria de Alimentos,

- 1 representante da Indústria Farmacêutica.

De forma geral, 23 contribuições foram contra a rotulagem, enquanto apenas duas foram a favor. 

A análise qualitiva desse material revelou o uso de três palavras chaves nas contribuições:

1. Consumidores,

2. Análise da quantidade de gordura trans,

3. Rotulagem voluntária.

Com relação ao primeiro tema, "Consumidores", estavam relacionados dois outros pontos relevantes: conhecimento do consumidor e Educação Alimentar e Nutricional (EAN). A análise nostrou que a maioria dos participantes estavam preocupados com o grau de compreensão dos consumidores quanto ao que é gordura trans. Há uma preocupação de que os consumidores confudam gordura trans com transgenia e isso pode levar à depreciação do produto. Houve ainda a argumentação de que a rotulagem da quantidade de colesterol nos alimentos é suficiente para os consumidores, que entendem bem essa informação, mas que ainda não entendem a gordura trans. Como solução, quatro participantes argumentaram que o Governo deve investir em programas de educação para a população sobre esses temas.

O tema "Análise da quantidade de gordura trans" apareceu associado a três principais argumentos contra a rotulagem: a falta de recursos humanos, falta de laboratórios adequados e o alto custo da análise. 

O debate sobre a "Rotulagem voluntária" focou em se o Brasil não deveria ter uma rotulagem voluntária, ao invés da obrigatória ou até mesmo se a rotulagem de alimentos em gordura trabs é necessária. 

Esse artigo mostra que apesar da consulta pública ser aberta a todos, se nota a ausência de associações ou organizações não governamentais que representassem os interesses dos consumidores. Por isso, essa situação deverá ser abordada, nas futuras consultas, por organizações relacionadas ao interesse público e que trabalhem com Doenças crônicas não transmissíveis, para que exista um contrabalanço entre os interesses da sociedade e os da indústria de alimentos, supermercados e redes de fast food.

Além disso, é levantada a necessidade de uma abordagem intersetorial e o estabelecimento de parcerias com a mídia, universidades, profissionais de saúde, escolas e a indústria de alimentos, para o desenvolvimento de programas de EAN eficientes. 

Quanto ao aumento de custos relacionados à análise, as autoras lembraram que um estudo realizado na Dinamarca mostrou que a rotulagem de alimentos em gorduras trans não teve nenhum efeito no preço, disponibilidade ou qualidade dos produtos que continham gordura trans na sua lista de ingredientes.

O artigo está disponível apenas em inglês, mas sua leitura é tranquila e dinâmica. Vale a pena conferir na nossa biblioteca!



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