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postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 07 de Março de 2017

Publicamos na última terça-feira a primeira parte do texto sobre a campanha desenvolvida pela globo em parceria com o setor do agronegócio, "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo”. Nele, trouxemos alguns dados históricos e a retórica usada pelo agronegócio que tenta confundir o uso do que o setor chama de tecnologia, em nome do acumulo de riquezas de poucos latifundiários e empresas multinacionais - e quem paga essa conta são os agricultores, a saúde humana e o meio ambiente. Sempre sob o falso discurso de “acabar com a fome no mundo” ou sob a justificativa de gerar riquezas para o país, confira aqui.

Nessa segunda parte, damos sequência para entender da onde vem a popularidade do "Agro Pop" e porquê esse modelo de negócio "Agro(não) é Tudo”.

O Agro é Pop

Basta ter assistido por poucas vezes os vídeos da campanha criada pelos marqueteiros da globo para ter claramente registrado no subconsciente a mensagem de que o “Agro é Pop”. Mas de onde vem essa popularidade toda?

A famosa bancada do agronegócio no congresso é uma das maiores e mais poderosas. Ela é composta por nada mais nada menos do que 207 (40%) dos 513 deputados, e por 24 (30%) dos 81 senadores das casas. Eles se organizam em torno da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que se reúne todas às terças-feiras em uma casa de luxo na QL 10 do Lago Sul em Brasília. A cada encontro, são debatidos os temas do “cardápio”, como eles mesmos denominam os encontros. No último, realizado dia 21 de fevereiro, a Frente mostrou no que está de olho nas próximas semanas:

“composição das comissões permanentes para 2017, principalmente as de Agricultura, de Meio Ambiente e de Constituição e Justiça; Também merecem a atenção as comissões especiais da Reforma da Previdência e do Trabalho; Não menos importante é o Projeto de Lei 3729/04, que trata do Licenciamento Ambiental.”

Para entender de uma forma mais clara o que significa quando a Frente define suas linhas de atuação em projetos de lei e comissões, aqui vão alguns exemplos recentes: O PL 4.148 com o objetivo de retirar a identificação de transgênico dos rótulo de alimentos já chegou a ser rejeitado em uma das comissões, mas a bancada ruralista conseguiu que ele prosseguisse por outros caminhos. No ano passado a polêmica voltou à tona e o projeto de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que já foi presidente da FPA, à circular pelo congresso. Felizmente, a mobilização da sociedade civil articulada pelo Instituto de Defesa do Consumidor conseguiu fazer com que o PL não avançasse na surdina como pretendido.

Outro exemplo de atuação da FPA se traduz no PL 3200/2015, conhecido como PL do Veneno, de autoria do deputado Covatti Filho (PP/RS), que já tem até comissão instaurada para dar andamento ao projeto. Entre as principais propostas, estão a mudança do nome de “agrotóxicos” para “defensivo fitossanitário e de controle ambiental”. Em relação a esse ponto, o Ministério Público Federal (MPF) soltou uma nota de repúdio sob a alegação:

“O termo ‘agrotóxicos’ expressa a nocividade dos produtos e é amplamente difundida e conhecida da população, ‘sendo a substituição por termo novo, na prática, ofensa aos princípios da transparência e da informação’. A alteração também confundirá a distinção entre as substâncias utilizadas nas culturas orgânicas e não orgânicas. A prática ‘é um verdadeiro greenwashing, ou seja, modificação da imagem mediante métodos que levam a pensar tratar-se de produto ecologicamente responsável’”.

O PL também propõem que o sistema brasileiro de controle e aprovação de agrotóxicos, extremamente permissivo como já abordado no primeiro texto, seja ainda mais fragilizado. Atualmente, essas decisões precisam passar pelos Ministérios do Meio Ambiente, Saúde e Agricultura representados pelo IBAMA, ANVISA e MAPA. Segundo o projeto, ficam excluídos os representantes da Saúde e do Meio Ambiente e as decisões passarão a ser tomadas apenas por uma comissão intitulada de CTNFito, alocada dentro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Essas são apenas algumas das tantas “propostas” que o PL do Veneno traz. O MPF também escreveu nota contra essa proposta e o PL de maneira geral, confira.

A popularidade da bancada ruralista não vem por acaso, e aliás, ela custa caro. Os principais financiadores das campanhas destes deputados são empresas do agronegócio que chegam a investir milhões para eleger apenas um candidato. É dessa forma que se deturpa a função de um congresso cujo papel deveria ser o de legislar segundo os interesses da população, e passa a garantir os interesses das corporações, mais especificamente nesse caso, o setor do agronegócio.

As ramificações da bancada não se restringem apenas ao congresso. No começo deste ano, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense causou um extremo desconforto no setor do agronegócio ao lançar o seu enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta”, especificamente em relação ao trecho: “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos / Devora as matas e seca os rios / Tanta riqueza que a cobiça destruiu”. Matéria do El País mostrou que o senador ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), pré-candidato à presidência em 2018, sugeriu a criação de uma comissão temática para investigar a escola de samba ao afirmar que: “a escola ‘denegriu’ o setor (agronegócio) e difamou quem deveria ser enaltecido”.

Classificar o setor do agronegócio como “pop” é um eufemismo, o termo “Agro é Pop” é na verdade uma abreviação para definir um setor poderoso que perpetua seus interesses por meio do dinheiro.

Nem todo Agro é (mau)negócio

A propaganda “Agro-Globo” tenta popularizar o agronegócio como algo positivo e descolado, a partir da construção da imagem de que o setor é o grande responsável pela geração de empregos e pela produção dos alimentos que chagam à nossa mesa. O que não aparece na televisão no entanto são os fatos invisibilizados atrás dos números.

Em publicação recente conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), foi constatado que apenas 36% dos empregados pelo agronegócio tem carteira assinada. O dado revela o caráter extremamente informal do setor, que possuí 9 milhões de trabalhadores no segmento primário recebendo uma renda mensal média de R$ 891 na agricultura e R$ 998 na pecuária. É também do agronegócio quem vem 30% das 1.010 pessoas resgatadas em 2015 de condições análogas à escravidão.         

Em relação à produção de alimentos, o agronegócio cria mercadorias, mas quem produz os alimentos que chegam à nossa mesa são os pequenos agricultores e os agricultura familiares. Em estudo pioneiro, pesquisadores da Universidade de Minnesota criaram o primeiro Mapa de Pequenos produtores em países em desenvolvimento, e constaram que eles produzem mais da metade das calorias alimentares do planeta e convertem mais de 70% delas diretamente para o consumo humano de alimentos. Mais especificamente no Brasil, mesmo com a concentração de terras ser predominantemente em propriedades rurais classificadas como grandes ou enormes latifúndios característicos do agronegócio (acima de 15 hectares), são nas pequenas propriedades (até 5 hectares) que é cultivada a maior parte de nossa comida.   

A Agroecologia se apresenta como um modelo alternativo e real para um sistema alimentar mais saudável e inclusivo. A agroecologia é uma ciência que tem como premissa a construção de uma relação sustentável entre o homem e a terra, e apresenta características específicas como a presença da agricultura familiar, produção orgânica, pequenas propriedades, diversidade de culturas, o respeito as características locais e o comércio socialmente justo. É um sistema ecológico extremamente complexo e que se contrapõem ao modelo hegemônico do agronegócio.

No Brasil a criação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) em 2012 estabeleceu um marco. A PNAPO demandou a elaboração do Plano Nacional de Agroecoloia e Produção Orgânica (PLANAPO 2013 -2015) responsável pela consolidação da produção orgânica e agroecológica no país. Apesar da segunda edição do plano para o período 2016-2019 estar lançada, ainda há muito que avançar. O Plano identificou o papel dos pequenos agricultores para a produção de alimentos, e teve como intuito dar suporte a sistemas de produção de base sustentável com foco na agricultura familiar.

O agronegócio pode até ser “pop”, mas se um simples enredo de escola de samba já tira a bancada ruralista do sério, não restam dúvidas do porquê uma campanha com todo o aparato global precisa ser insistentemente repetida em horário nobre durante dois anos. Só assim pra sustentar através da automatização a ideia de que um sistema com acumulo de riquezas e poder nas mãos de poucos, e calcado no desmatamento e uso intensivo de agrotóxicos e sementes transgênicas é mais coerente e benéfico do que um sistema que garante a soberania e segurança alimentar e nutricional com inclusão social e preservação ambiental.


        



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Desde meados de 2016 a Globo passou a exibir no horário nobre de sua programação e com múltiplas entradas a campanha "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo". Concebida pela gerência de Marketing e Comunicação da própria emissora, os vídeos de 1 minuto continuarão a ser "martelados" nos intervalos das novelas, jornais e programas até junho de 2018.

Segundo os criadores, a campanha têm entre outros objetivos:

"tratar a importância dos produtos agrícolas e das coisas do campo; procuramos também sempre citar quantos empregos aquela atividade agrícola gera e quanto ela movimenta na economia"

O Brasil é sem dúvida um país de vocação agrícola fruto de nossa exuberante biodiversidade, e não por outra razão, tivemos em nossas terras desde que os europeus "descobriram" nossos povos indígenas e nossas riquezas naturais, seguidos ciclos de produção capitaneados por diferentes caravanas colonizadoras. Nos dias de hoje, essa riqueza agrícola continua, sem sombra de dúvidas, a movimentar a economia brasileira. Mas o que realmente está por trás da campanha "Agro é Pop" e quais as verdades inconvenientes que ela tenta esconder?

Agro é Tech   

A retórica de que o agronegócio gera riquezas e atua no combate a fome não é recente e nem exclusividade brasileira. A "Revolução Verde" iniciada nos Estados Unidos na década de 50, e que de verde mesmo teve só o nome da cor, trouxe a promessa de acabar com a fome no mundo através do uso da tecnologia aumentando a produção de alimentos. Em termos absolutos, a produção de gêneros alimentícios aumentou, mas mesmo décadas depois, problemas como a fome e a insegurança alimentar e nutricional continuam a assolar mais de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo.

O grande legado da dita "Revolução Verde" foi na verdade a concentração de grandes porções de terras nas mãos de poucos latifundiários e o escoamento de pacotes tecnológicos e de insumos por multinacionais estrangeiras que incluíam agrotóxicos com princípios ativos excedentes da segunda guerra mundial, fertilizantes químicos e sementes transgênicas destinados a países em desenvolvimento como o Brasil.

Em território nacional, agrotóxicos banidos na União Européia e em outros países no mundo circulam com isenção de impostos e linhas de créditos bancárias para pequenos agricultores condicionadas ao uso dos venenos. Esse cenário levou o Brasil à condição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo com sérias implicações para a saúde humana incluindo consumidores e trabalhadores rurais, e para o meio ambiente. A Associação Brasileira de Saúde coletiva (ABRASCO), compilou em 2015 sua versão mais recente do Dossiê: "Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde", livro com mais de 600 páginas reunindo artigos, estudos e pesquisas mostrando entre outros aspectos, as contaminações pelo uso de agrotóxicos que vão desde o comprometimento de aquíferos locais até a presença de compostos tóxicos no ar e no leite materno.

Além de se destacar no consumo de agrotóxicos, o agronegócio brasileiro também nos colocou no patamar de maiores produtores de milho e soja transgênica ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Do ponto de vista da segurança para saúde humana do consumo de organismos geneticamente modificados (OGM), a publicação "Lavouras Transgênicas" analidou 750 trabalhos publicados e mostrou que a única certeza é de que não existe consenso científico sobre o consumo seguro deste tipo de alimento. Não resta dúvidas, no entanto, dos sérios agravos para biodiversidade, soberania e segurança alimentar causados pelo monopólio de patentes das multinacionais que controlam a produção de OGM. Recentemente a equipe do IM traduziu matéria alertando que pequenos agricultores da Tanzânia, estão sendo criminalizados por utilizar e trocar sementes nativas ao invés de comprar as sementes transgênicas  da Syngenta. A situação de extrema gravidade não é exclusividade do país Africano e se repete em outras regiões.

O Brasil saiu em 2015 pela primeira vez na história do mapa da fome segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e essa conquista foi possibilitada não pelo modelo "Agro Tech" sinônimo de agrotóxicos e sementes transgênicas. De acordo com a entidade, os principais fatores que possibilitaram essa conquista foram as políticas de combate a fome e insegurança alimentar e nutricional que resultaram nos programas como o "Fome Zero" e o "Bolsa Família". As iniciativas de transferência de renda e o fornecimento de uma alimentação adequada e saudável por meio de diferentes ações e programas foram de fundamental importância para esse novo cenário.

O que a campanha do agronegócio esconde atrás do "Tech" é o que ele realmente significa e quem verdadeiramente lucra com as riquezas geradas. Acompanhe a coluna de quinta feira para saber da onde vem a popularidade do "Agro Pop" e porquê esse modelo de negócio "Agro(não) é Tudo", leia aqui. 


 



postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 11 de Novembro de 2016

Alimentos orgânicos, já ouviu falar? Temas um pouco menos comuns como a produção agroecológica, técnicas agroflorestais e hortas comunitárias começam a também ser cada vez mais popularizados. No [Comida na Tela] de hoje sugerimos um documentário que revela a urgência destes modelos alternativos para solucionar o sistema agroalimentar insustentável que nos é imposto.

“O mundo segundo a Monsanto” é dirigido pela jornalista francesa Marie-Monique Robin e coproduzido entre França, Canadá e Alemanha. Com 108 minutos e lançado em 2008, o documentário continua a representar o cenário atual mesmo após quase uma década. Os relatos e dados apresentados contam a história da maior fabricante de sementes transgênicas mundial que se fundiu recentemente com a Bayer, outra gigante do ramo farmacêutico e dos agrotóxicos a adubos químicos. A multinacional é a maior produtora de grãos geneticamente modificados como milho, soja e algodão – um dos principais responsáveis pelo desmatamento e utilização intensiva de agrotóxicos no Brasil.

O carro chefe da marca é um agrotóxico chamado Round Up, feito a partir do ingrediente ativo glifosato que já foi banido em diversos países ao redor do mundo devido à sua alta toxicidade. Os impactos negativos para a população e o meio ambiente são extensos, e o documentário discute alguns deles. Questões envolvidas neste modelo insustentável como política, poder e dinheiro se sobressaem aos interesses da saúde coletiva e de direitos sociais, e também são questionados no documentário.

Entenda como é o mundo segundo a Monsanto, e como sem saber, nós vivemos nele:


 



postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 04 de Outubro de 2016

O nosso sistema de produção de alimentos está quebrado, com fortes perdas na biodiversidade. A solução não é mais produtos químicos de algumas companhias cada vez mais dominantes.

Produtores britânicos de trigo tipicamente tratam cada safra durante seu ciclo de crescimento com quatro fungicidas, três herbicidas, um inseticida e um produto químico para o controle de moluscos. Eles compram sementes que foram pré-tratados com agroquímicos contra insetos. Eles pulverizam a terra com herbicida antes de plantar, e novamente depois.

Eles aplicam reguladores químicos de crescimento que alteram o equilíbrio dos hormônios da planta responsáveis pelo controle da altura e força das hastes dos grãos. Eles pulverizam químicos contra pulgões e bolor. E com frequência logo antes da colheita, eles aplicam o herbicida glifosato para secar a colheita, o que economiza os custos energéticos da secagem mecânica.

A maioria dos produtores ao redor do mundo, independente do tipo de alimento que cultivam, recorrem  a pelo menos uma das seis empresas que dominam o mercado para comprar sementes e todos esses agrotóxicos. A concentração de poder sobre a agricultura primária por parte de um número tão pequeno de corporações  e a habilidade delas de definir preços e determinar a disponibilidade de variedades de sementes já tem causado preocupação entre os produtores. Ainda assim, até o ano que vem, é provável que a competitividade encolha ainda mais.

Os seis gigantes globais dos agrotóxicos e sementes vão se tornar três colossais empresas com ainda maior controle de mercado. Bem quando as mudanças climáticas exigem um sistema mais diversificado, adaptado e resiliente às condições de mudança, a agricultura tem sido arrastada para uma rota agroindustrial ainda mais estreita.

Atualmente, Bayer, Monsanto, Dupont, Dow, Syngenta e BASF representam três quartos do mercado global de agroquímicos e quase dois terços do comércio de sementes. Com a queda dos preços de commodities, seus lucros tem murchado. Os agricultores que estão recebendo menos por suas produções tem tido dificuldade para ganhar dinheiro. Nos Estados Unidos, eles começaram a se afastar das caras sementes geneticamente modificadas, e, na Europa, mais de 3 milhões de fazendas foram perdidas em oito anos. Então, por dois anos, as companhias de agrotóxicos têm estado envolvidas em uma agitação de fusões e aquisições para se tornarem ainda maiores e mais poderosas. As propostas se instalaram, no momento, em um trio de mega-acordos.

O mais recente acordo de fusão, que vale 66 bilhões de dólares, é entre a Monsanto, a controversa gigante sediada nos EUA e maior empresa de sementes do mundo e sétima maior em pesticidas; e a alemã Bayer, a segunda maior em agrotóxicos e sétima maior empresa de sementes.

Para dar uma ideia da dimensão e do impacto desse acordo comercial, a Monsanto, além de ser o fornecedor líder mundial de sementes geneticamente modificadas, controla quase um quarto do mercado de sementes vegetais na Europa e é um grande jogador no mercado de sementes convencional de milho. O herbicida glifosato, o seu grande ganhador, agora tem uso tão comum na Europa que foi detectado na urina de 44% das pessoas em uma pesquisa da Friends of the Earth. Bayer é a líder na maioria dos pesticidas, incluindo os neonicotinóides usados para tratar cerca de 90% dos cereais, açúcar de beterraba e óleo de canola do Reino Unido.

A proposta fusão Bayer-Monsanto é precedida por um acordo de 130 bilhões de dólares entre as empresas americanas DuPont (2° em sementes e 6° em pesticidas) e a Dow Chemicals (5 ° em sementes e 4° em pesticidas). A China, focada em sua própria segurança alimentar, também quer participar um pouco da ação, e a ChemChina, empresa apoiada pelo Estado Chinês, que é também a sétima no comércio global de pesticidas devido a vendas por filias, deu um bem-sucedido lance para comprar a suíça Syngenta por 43 bilhões de dólares. Assim, processos paralelos de concentração estão ocorrendo no setor de fertilizantes químicos.

A narrativa oferecida para justificar esse domínio do mercado supostamente livre é que apenas entidades maiores e mais corajosas podem enfrentar o grande desafio de nosso tempo: alimentar um adicional de 3 bilhões de pessoas até o ano de 2050 sem destruir o planeta. Somos convidados a aceitar o modelo de agricultura intensiva como a marcha heróica da ciência, contra os métodos tradicionais, primitivos e de baixo rendimento. Não há alternativa. Mas, na verdade, é este modelo de produção de alimentos que está preso em um barranco.

No Pós-Guerra, havia de fato grandes avanços em aumentar a quantidade de alimentos produzidos no mundo, graças ao melhoramento genético de espécies e o uso de químicos na forma de fertilizantes e pesticidas artificiais. Mas com os triunfos da revolução verde, suas deficiências a longo prazo estão cada vez mais aparentes.

O uso excessivo de agrotóxicos tem contribuído paras as graves perdas de biodiversidade e de polinizadores vitais para o ecossistema. Os alimentos na resistência a pragas ameaçam reverter os ganhos anteriores em rendimento da produção. As pesquisas descobriram que, por um curto período de tempo, o rendimento por hectare de monoculturas são maiores em sistema de agricultura intensiva. No entanto, em um período de tempo maior, e quanto você olha para a produção agrícola total, a agricultura mais variada e diversificada tem maior produtividade.

Se o principal propósito de um sistema alimentar é nutrir as pessoas para mantê-las saudáveis, esse sistema está falhando. Apesar de a quantidade de comida disponível  ter dobrado em algumas regiões, mais de 750 milhões de pessoas ainda passa fome rotineiramente. Enquanto isso, quase 2 bilhões de pessoas tem sobrepeso ou obesidade.

O sistema agroindustrial que essas companhias sustentam é focado principalmente em um pequeno número de culturas de commodities para exportação. O grupo de pesquisa ETC ressalta que companhias de sementes geneticamente modificadas concentraram seus esforços de desenvolvimento em milho, soja e canola, ao invés de investir na imensa variedade de mais de 7000 alimentos cultivados por agricultores ao redor do mundo. Quebrar essas colheitas de commoditties em partes e revender em forma de açúcar, amidos, óleos acrescenta valor para o acionista da rede, mas esvazia o sistema de valor nutricional. Doenças relacionadas à alimentação já ultrapassam as doenças infecciosas como a maior causa de morte prematura em todo o mundo.

Embora as empresas falem em combater a ameaça que mudança climática representa para a segurança alimentar, o sistema alimentar agroindustrial é uma das mais significativas causas dessa mudança, contribuindo para cerca de 1/3 de todas as emissões de gases de efeito estufa produzidas pelo homem.

A concentração das corporações no sistema alimentar tem sugado o dinheiro produzido pela cadeia para a mão de um punhado de empresas no topo. Ele funciona para alguns, mas não para a maioria. Como se para enfatizar esse ponto, o presidente-executivo da Monsanto está para recolher mais de 135 milhões de dólares  da fusão da empresa com a Bayer em opções de ações e verbas rescisórias. De maneira paradoxal, as três grandes fusões da indústria de agroquímicos revela também a  vulnerabilidade do setor.  A indústria de pesticidas está sob pressão - Bayer e Syngeta são grandes produtores dos três tipos de neonicotinóides recentemente proibidos na União Europeia devido ao seu impacto sobre as abelhas. A União Europeia tem estado sob grande pressão para restringir o uso de glifosinato, desde que foi apontado como "provavelmente carcinogênico" pela OMS no ano passado.

Esse modo de produção do nosso alimento está quebrado e a maioria das pessoas, incluindo aqueles que promovem tal meio, sabem disso. Então por que não há mudança? O ex-relator da ONU sobre o Direito à Alimentação, Olivier de Schutter, descreveu uma série de barreiras que impedem essa mudança. Porque o ganho é revertido um número limitado de atores, o seu poder político e econômico e a capacidade de influencia a política de governo é refoçado.

A última fronteira é a África, onde há uma nova luta para difundir o modelo agroindustrial da agricultura. Pode muito bem ser na África, no entanto, que uma visão diferente e mais ecológica do futuro da produção de alimentos pode emergir. Eu tive um vislumbre disso em uma viagem a uma empresa de exportação de produtos da horticultura em larga escala localizada no Lago Naivasha, no Quênia.

A empresa, Flamingo Homegrown, abandonou o seu uso a longo e pesado de pesticidas químicos, em parte em resposta a uma campanha que destacava os seus efeitos na saúde dos trabalhadores, mas em parte também em reconhecimento de que estavam perdendo controle da resistência de pragas devido a pulverização aérea.

Eles reinventaram sua agricultura fazendo a ciência de agrotóxicos parecer primitiva e obsoleta. Em vez disso, empregam grupos de cientistas africanos altamente treinados para estudar e reproduzir em laboratórios os fungos e microorganismos do solo saudável que forma intricadas ligações com as raízes da planta. Ao invés de fazer guerra química na terra, eles trabalham para aproveitar os ecossistemas extremamente complexos do solo. Eles construíram vastas estufas dedicadas à reprodução e colheita de joaninhas para controlar pragas biologicamente ao invés de quimicamente.

Há uma outra rota para a segurança alimentar - e é o pólo oposto das três gigantes dos agrotóxicos que hoje montam o mundo.

Tradução: Marina Morais

Fonta: Felicity Laurence, https://www.theguardian.com/commentisfree/2016/oct/02/agrichemicals-intensive-farming-food-production-biodiversity



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

A Nutricionista do IDEC Ana Paula Bortoletto foi a convidada para falar sobre agrotóxicos no projeto “De Olho nos Ruralistas” do Observatório jornalístico sobre o agronegócio no Brasil.  

Ana iniciou sua fala comentando a respeito da presença de resíduos de veneno em uma expressiva quantidade e variedade de frutas e hortaliças em todos os estados brasileiros. Ela alertou ainda para o fato de que não apenas alimentos in natura apresentam concentrações elevadas, mas até mesmo produtos processados como geleias e possivelmente a cerveja e vários outros que utilizam o milho transgênico como subproduto. Nesse aspecto, Bortoletto destaca que o monitoramento realizado pelo PARA é fundamental mas precisa ser fortalecido e ampliado. O glifosato por exemplo, principal veneno utilizado nas lavouras não é monitorado.

A nível governamental, a nutricionista diz que é uma questão de priorização de agendas. A agroecologia e a produção orgânica e planos como o PAA, PNAE e o PARA são iniciativas que visam aumentar a produção de base sustentável em oposição ao agronegócio predatório. Outro ponto importante mencionado, é o papel da mídia e o monopólio das informações. Segundo Ana, mídias alternativas são cruciais para falar sobre alimentos orgânicos e principalmente denunciar os prejuízos do agronegócio, uma vez que as mídias tradicionais além de financiadas por este setor, fazem campanhas massivas para criar uma imagem mais positiva omitindo os agravos por ela causados. Um exemplo atual é a exibição diária em horário nobre da campanha do agronegócio exibida na rede globo.

Assista o programa na íntegra:   


 

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 27 de Julho de 2016

 

Desde a última década o Brasil é campeão mundial no uso de agrotóxicos e possui um problema antigo de subnotificação de intoxicação por esses produtos. Pensando nisso o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz o "Pequeno Ensaio Cartográfico Sobre o Uso de Agrotóxicos no Brasil", lançado esse ano pela geógrafa Larissa Mies Bombardi que a cinco anos tem se dedicado a estudar o impacto do uso dos agrotóxicos no país, em especial a partir do mapeamento dos casos de intoxicação.

Larissa, Coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, buscou com esse material facilitar a busca por mapeamentos que subsidiem o debate sobre a agricultura brasileira e, particularmente, naquilo que se refere ao uso de agrotóxicos. Calcula-se que a cada brasileiro cabe uma média de 5,2 litros de venenos por ano, o equivalente a duas garrafas e meia de refrigerante, ou a 14 latas de cerveja, e, segundo a professora, de 2007 a 2014 foram notificados 1186 casos de morte por intoxicação com agrotóxicos.

A pesquisadora reuniu os dados sobre os venenos agrícolas em uma sequência cartográfica que dá dimensão complexa a um problema pouco debatido no país. Os mapas presentes no material são chocantes, pois mostram a realidade: mortes por intoxicação, mortes por suicídio, entre outras.

Mas como a pesquisadora coloca na apresentação do artigo: “Esses dados mostram apenas a ponta do iceberg”, pois apesar de levar em conta os registros do Ministério da Saúde para enfermidades agudas (aquelas direta e imediatamente conectadas aos agrotóxicos) ficam de fora dos cálculos às doenças crônicas, aquelas provocadas por anos e anos de exposição aos venenos, entre as quais o câncer. Nesse contexto muitas pessoas não chegam a procurar o Sistema Único de Saúde (SUS) e muitos profissionais ignoram os sintomas provocados pelos venenos, que muitas vezes se confundem com doenças corriqueiras.

Além disso, ela ressalta que os dados apresentados referem-se àqueles que vieram a ser notificados e calcula-se, que no Brasil, para cada caso de intoxicação por agrotóxico notificado, tenhamos cinquenta outros não notificados. Isto significa que temos uma subnotificação da ordem de 1 para 50. Assim, se tivemos 25 mil pessoas atingidas entre 2007 e 2014, multiplica-se o número por 50 e chega-se mais próximo da realidade: 1,25 milhão de casos em sete anos.

Esse material é um ensaio para uma publicação maior que abrangerá todo material reunido por Larissa, o "Atlas do Uso de Agrotóxicos no Brasil", com previsão para lançamento no segundo semestre e que trará um mapeamento bastante abrangente e com dados recentes.

Veja aqui o material completo na nossa biblioteca.

E aqui uma entrevista com a geógrafa Larissa Mies Bombardi falando sobre o tema.



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

O Brasil configura-se como o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, os impactos desta empreitada já podem ser verificados em estudos e pesquisas direcionadas.

A utilização de agrotóxicos em plantações de grande escala, o monoculturalismo e o lobby das grandes corporações para emprego destes químicos em montantes paulatinamente maiores progridem com veemência nas instituições a que competem, inclinando o futuro de nossa gestão agroecológica a uma catástrofe moral e ambiental.

A partir desse panorama o [Biblioteca do Ideias] de hoje destaca o Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

 

O Dossiê é um alerta no sentido de ressaltar a importância das técnicas agroecológicas e ofício do pensar no bem-estar social bem como tornar claro e evidente que o corolário da utilização destes agentes de processos físicos, químicos ou biológicos é a degradação da vivacidade de nossa nação, fauna e flora.

“Muito embora a maior parte dos efeitos crônicos dos agrotóxicos sobre a saúde de agricultores e consumidores não seja comumente relacionada à exposição e à ingestão de tais produtos; indiretamente, porque o aumento do emprego dos agrotóxicos é um fenômeno intrinsecamente relacionado à expansão dos sistemas agroalimentares globalizados e à correspondente mudança nos hábitos alimentares da população, com o incremento do consumo de comida ultraprocessada, altamente calórica e portadora de ingredientes químicos maléficos à saúde. “

Contaminamos nosso solo, produtos alimentícios, comunidade rural e população urbana com químicos e princípios ativos proibidos em diversos países. Com a progressão geométrica do uso desses pelos latifundiários, cresce a pressão sobre os órgãos reguladores e fiscalizadores em direção à um liberalismo utilitarista da regulamentação e aplicabilidade destes químicos.

Publicado em 2015 pela editora Expressão Popular, São Paulo, esse documento ocupa-se em divulgar os estudos, considerações e dados relacionados à saúde, a utilização de agrotóxicos, segurança alimentar, meio ambiente, sustentabilidade, agronegócio, agroecologia, intoxicação alimentar,  etc.

Confira também os Painéis Gráficos que foram elaborados para ilustração do Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde  em que foi utilizada a técnica da facilitação gráfica: http://ideiasnamesa.unb.br/index.php?r=bibliotecaIdeias/view&id=307 

Link para o Dossiê: http://ideiasnamesa.unb.br/index.php?r=bibliotecaIdeias/view&id=306



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 10 de Maio de 2016

 

Durante o mês de maio estamos dando ênfase em posts relacionados à temática dos agrotóxicos e transgênicos, e no quadro de hoje, disponibilizamos a visão do jovem Birke Baehr - 11 anos quando gravou - sobre o tema durante o TEDx “nova geração” em Asheville.

Apesar da pouca idade, Birke apresenta os motivos que o levaram a querer ser um produtor orgânico, “abandonando” o seu desejo de ser um jogador profissional da NFL. Após uma viagem pela estrada com seus familiares aos 9 anos, o garoto passou a estudar sobre práticas produtivas orgânicas e sustentáveis e passou a disseminar estes conhecimentos sobre o sistema alimentar com seus colegas.

De maneira direta Birke fala sobre como a indústria alimentícia tenta passar a mensagem, inclusive à crianças de sua faixa estaria, de que produzem com responsabilidade ambiental, quando na verdade se utilizam de práticas para intensificar a produção e massificar seus produtos com o emprego de sementes transgênicas. Neste ponto, o maior exemplo são as plantações de milho dominadas por sementes transgênicas e que servem como subproduto para a maioria dos alimentos ultraprocessados.

Através de sua fala ele também identifica a proximidade do uso de sementes transgênicas e o uso indiscriminado de agrotóxicos. Tais práticas coexistem dentro do sistema do agronegócio com o intuito de aumentar os lucros produtivos em detrimento da saúde ambiental e da população.

O jovem palestrante apresenta alternativas de como podemos contribuir para um sistema mais saudável e sustentável, através de atitudes como comprar alimentos orgânicos de produtores locais, desta forma estamos cuidando da nossa saúde, do meio ambiente e favorecendo um comércio justo.

 




postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Sexta-feira, 06 de Maio de 2016

Valendo-se da temática de agrotóxicos e transgênicos que apresentaremos em algumas atividades do mês de maio, o [Comida na Tela] de hoje divulga um documentário produzido em 2013 pela rede produtora Fiocruz, e conta com a participação de inúmeros colaboradores, dentre eles o professor Wanderlei Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso. 

 

 

O projeto, que possui cerca de 23 minutos de duração, apresenta através de entrevistas e depoimentos, informações extremamente importantes que auxiliam na compreensão da participação dos agroquímicos em nosso sistema alimentar. No documentário, vários questionamentos são realizados, como alguns elencados logo abaixo.

O Mato Grosso é um estado brasileiro que possui uma conformação econômica voltada aos latifúndios de exportação de commodities. Detentor da maior produção de soja, milho, gado e algodão do país, ocupa também o lugar de maior consumidor de fertilizantes químicos e agrotóxicos.

Há um grande investimento por parte das empresas em novas tecnologias, novas sementes com novas conformações genéticas, novos produtos e substâncias. Porém, onde está o investimento na saúde do trabalhador que se intoxica diariamente durante o manejo desses insumos? E os agravos às nascentes, ao solo, à vegetação, aos biomas e às terras indígenas e quilombolas? Estes produtos inclusive, tem o potencial de contaminar até o leite materno, e se espalhar para hortas orgânicas através da evaporação e consequente precipitação nas chuvas!

Vale a pena tirar um tempinho do dia e assistir este vídeo para se atualizar e refletir um pouco mais sobre o nosso atual sistema agroalimentar. Fica a dica!

 

 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 03 de Maio de 2016

Foto: Cecília Bastos

Durante o mês de maio divulgaremos em paralelo as demais atividades do Ideias, textos, notícias e materiais relacionados à temática de agrotóxicos e alimentos transgênicos. Para o texto de hoje, compartilhamos trechos da entrevista feita com a geógrafa Larissa Bombardi para Revista da USP.

A professora coordenadora do Laboratório de Geografia Agrária da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, vem focando há cinco anos sua pesquisa no impacto e intoxicações causadas por agrotóxicos no Brasil. Estes agravos são fruto do modelo produtivo centrado em monoculturas para exportação, levando o país a posição de maior consumidor de agrotóxicos no mundo desde 2008 e o responsável por um quinto de todos os agroquímicos consumidos.  

Larissa contextualiza este consumo extremamente elevado com o modelo de agricultura predominante em nosso território que teve uma guinada no final dos anos 90, a partir do momento que passamos a exportar commodities alimentares, com destaque para soja, milho e cana de açúcar. Estas são as culturas onde são observadas as maiores aplicações de veneno, associado também ao uso de sementes transgênicas. A pesquisadora salienta que alguns agricultores familiares, ainda que em menor escala, também fazem o uso de agrotóxicos, mas que sem dúvida os grandes responsáveis pela utilização massiva são os latifúndios monocultores.          

Em relação às mortes causadas por agrotóxicos, Bombardi constatou que ocorram em média, desde 2007, 148 mortes por ano. O número de intoxicações também é alarmante atingindo inclusive 2181 crianças no mesmo intervalo de tempo. Outro fato que chama atenção é que para cada caso constatado existam outros 50 não notificados. A professora afirma que são incontestáveis os malefícios causados por agrotóxicos, mas que é necessário avançar na constatação dos dados pois as subnotificações são frequentes.

Ao ser questionada sobre a permissibilidade que o Brasil tem com agrotóxicos que já foram inclusive banidos em outros países, Larissa volta a citar o modelo produtivo, que perpassa por distribuição de terras e chega até o congresso que atualmente conta com uma grande bancada conhecida como ruralista ou do agronegócio, que legisla de acordo com os interesses deste sistema produtivo que gera desigualdade, concentração de terras e renda e uso indiscriminado de venenos.

Por fim, Larissa Bombardi salienta que o Brasil perde a chance de se inserir globalmente uma outra agenda com o enfoque na reforma agrária, agroecologia e soberania alimentar.

Confira a entrevista na íntegra.  




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