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postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 07 de Março de 2017

Publicamos na última terça-feira a primeira parte do texto sobre a campanha desenvolvida pela globo em parceria com o setor do agronegócio, "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo”. Nele, trouxemos alguns dados históricos e a retórica usada pelo agronegócio que tenta confundir o uso do que o setor chama de tecnologia, em nome do acumulo de riquezas de poucos latifundiários e empresas multinacionais - e quem paga essa conta são os agricultores, a saúde humana e o meio ambiente. Sempre sob o falso discurso de “acabar com a fome no mundo” ou sob a justificativa de gerar riquezas para o país, confira aqui.

Nessa segunda parte, damos sequência para entender da onde vem a popularidade do "Agro Pop" e porquê esse modelo de negócio "Agro(não) é Tudo”.

O Agro é Pop

Basta ter assistido por poucas vezes os vídeos da campanha criada pelos marqueteiros da globo para ter claramente registrado no subconsciente a mensagem de que o “Agro é Pop”. Mas de onde vem essa popularidade toda?

A famosa bancada do agronegócio no congresso é uma das maiores e mais poderosas. Ela é composta por nada mais nada menos do que 207 (40%) dos 513 deputados, e por 24 (30%) dos 81 senadores das casas. Eles se organizam em torno da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que se reúne todas às terças-feiras em uma casa de luxo na QL 10 do Lago Sul em Brasília. A cada encontro, são debatidos os temas do “cardápio”, como eles mesmos denominam os encontros. No último, realizado dia 21 de fevereiro, a Frente mostrou no que está de olho nas próximas semanas:

“composição das comissões permanentes para 2017, principalmente as de Agricultura, de Meio Ambiente e de Constituição e Justiça; Também merecem a atenção as comissões especiais da Reforma da Previdência e do Trabalho; Não menos importante é o Projeto de Lei 3729/04, que trata do Licenciamento Ambiental.”

Para entender de uma forma mais clara o que significa quando a Frente define suas linhas de atuação em projetos de lei e comissões, aqui vão alguns exemplos recentes: O PL 4.148 com o objetivo de retirar a identificação de transgênico dos rótulo de alimentos já chegou a ser rejeitado em uma das comissões, mas a bancada ruralista conseguiu que ele prosseguisse por outros caminhos. No ano passado a polêmica voltou à tona e o projeto de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que já foi presidente da FPA, à circular pelo congresso. Felizmente, a mobilização da sociedade civil articulada pelo Instituto de Defesa do Consumidor conseguiu fazer com que o PL não avançasse na surdina como pretendido.

Outro exemplo de atuação da FPA se traduz no PL 3200/2015, conhecido como PL do Veneno, de autoria do deputado Covatti Filho (PP/RS), que já tem até comissão instaurada para dar andamento ao projeto. Entre as principais propostas, estão a mudança do nome de “agrotóxicos” para “defensivo fitossanitário e de controle ambiental”. Em relação a esse ponto, o Ministério Público Federal (MPF) soltou uma nota de repúdio sob a alegação:

“O termo ‘agrotóxicos’ expressa a nocividade dos produtos e é amplamente difundida e conhecida da população, ‘sendo a substituição por termo novo, na prática, ofensa aos princípios da transparência e da informação’. A alteração também confundirá a distinção entre as substâncias utilizadas nas culturas orgânicas e não orgânicas. A prática ‘é um verdadeiro greenwashing, ou seja, modificação da imagem mediante métodos que levam a pensar tratar-se de produto ecologicamente responsável’”.

O PL também propõem que o sistema brasileiro de controle e aprovação de agrotóxicos, extremamente permissivo como já abordado no primeiro texto, seja ainda mais fragilizado. Atualmente, essas decisões precisam passar pelos Ministérios do Meio Ambiente, Saúde e Agricultura representados pelo IBAMA, ANVISA e MAPA. Segundo o projeto, ficam excluídos os representantes da Saúde e do Meio Ambiente e as decisões passarão a ser tomadas apenas por uma comissão intitulada de CTNFito, alocada dentro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Essas são apenas algumas das tantas “propostas” que o PL do Veneno traz. O MPF também escreveu nota contra essa proposta e o PL de maneira geral, confira.

A popularidade da bancada ruralista não vem por acaso, e aliás, ela custa caro. Os principais financiadores das campanhas destes deputados são empresas do agronegócio que chegam a investir milhões para eleger apenas um candidato. É dessa forma que se deturpa a função de um congresso cujo papel deveria ser o de legislar segundo os interesses da população, e passa a garantir os interesses das corporações, mais especificamente nesse caso, o setor do agronegócio.

As ramificações da bancada não se restringem apenas ao congresso. No começo deste ano, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense causou um extremo desconforto no setor do agronegócio ao lançar o seu enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta”, especificamente em relação ao trecho: “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos / Devora as matas e seca os rios / Tanta riqueza que a cobiça destruiu”. Matéria do El País mostrou que o senador ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), pré-candidato à presidência em 2018, sugeriu a criação de uma comissão temática para investigar a escola de samba ao afirmar que: “a escola ‘denegriu’ o setor (agronegócio) e difamou quem deveria ser enaltecido”.

Classificar o setor do agronegócio como “pop” é um eufemismo, o termo “Agro é Pop” é na verdade uma abreviação para definir um setor poderoso que perpetua seus interesses por meio do dinheiro.

Nem todo Agro é (mau)negócio

A propaganda “Agro-Globo” tenta popularizar o agronegócio como algo positivo e descolado, a partir da construção da imagem de que o setor é o grande responsável pela geração de empregos e pela produção dos alimentos que chagam à nossa mesa. O que não aparece na televisão no entanto são os fatos invisibilizados atrás dos números.

Em publicação recente conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), foi constatado que apenas 36% dos empregados pelo agronegócio tem carteira assinada. O dado revela o caráter extremamente informal do setor, que possuí 9 milhões de trabalhadores no segmento primário recebendo uma renda mensal média de R$ 891 na agricultura e R$ 998 na pecuária. É também do agronegócio quem vem 30% das 1.010 pessoas resgatadas em 2015 de condições análogas à escravidão.         

Em relação à produção de alimentos, o agronegócio cria mercadorias, mas quem produz os alimentos que chegam à nossa mesa são os pequenos agricultores e os agricultura familiares. Em estudo pioneiro, pesquisadores da Universidade de Minnesota criaram o primeiro Mapa de Pequenos produtores em países em desenvolvimento, e constaram que eles produzem mais da metade das calorias alimentares do planeta e convertem mais de 70% delas diretamente para o consumo humano de alimentos. Mais especificamente no Brasil, mesmo com a concentração de terras ser predominantemente em propriedades rurais classificadas como grandes ou enormes latifúndios característicos do agronegócio (acima de 15 hectares), são nas pequenas propriedades (até 5 hectares) que é cultivada a maior parte de nossa comida.   

A Agroecologia se apresenta como um modelo alternativo e real para um sistema alimentar mais saudável e inclusivo. A agroecologia é uma ciência que tem como premissa a construção de uma relação sustentável entre o homem e a terra, e apresenta características específicas como a presença da agricultura familiar, produção orgânica, pequenas propriedades, diversidade de culturas, o respeito as características locais e o comércio socialmente justo. É um sistema ecológico extremamente complexo e que se contrapõem ao modelo hegemônico do agronegócio.

No Brasil a criação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) em 2012 estabeleceu um marco. A PNAPO demandou a elaboração do Plano Nacional de Agroecoloia e Produção Orgânica (PLANAPO 2013 -2015) responsável pela consolidação da produção orgânica e agroecológica no país. Apesar da segunda edição do plano para o período 2016-2019 estar lançada, ainda há muito que avançar. O Plano identificou o papel dos pequenos agricultores para a produção de alimentos, e teve como intuito dar suporte a sistemas de produção de base sustentável com foco na agricultura familiar.

O agronegócio pode até ser “pop”, mas se um simples enredo de escola de samba já tira a bancada ruralista do sério, não restam dúvidas do porquê uma campanha com todo o aparato global precisa ser insistentemente repetida em horário nobre durante dois anos. Só assim pra sustentar através da automatização a ideia de que um sistema com acumulo de riquezas e poder nas mãos de poucos, e calcado no desmatamento e uso intensivo de agrotóxicos e sementes transgênicas é mais coerente e benéfico do que um sistema que garante a soberania e segurança alimentar e nutricional com inclusão social e preservação ambiental.


        



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Desde meados de 2016 a Globo passou a exibir no horário nobre de sua programação e com múltiplas entradas a campanha "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo". Concebida pela gerência de Marketing e Comunicação da própria emissora, os vídeos de 1 minuto continuarão a ser "martelados" nos intervalos das novelas, jornais e programas até junho de 2018.

Segundo os criadores, a campanha têm entre outros objetivos:

"tratar a importância dos produtos agrícolas e das coisas do campo; procuramos também sempre citar quantos empregos aquela atividade agrícola gera e quanto ela movimenta na economia"

O Brasil é sem dúvida um país de vocação agrícola fruto de nossa exuberante biodiversidade, e não por outra razão, tivemos em nossas terras desde que os europeus "descobriram" nossos povos indígenas e nossas riquezas naturais, seguidos ciclos de produção capitaneados por diferentes caravanas colonizadoras. Nos dias de hoje, essa riqueza agrícola continua, sem sombra de dúvidas, a movimentar a economia brasileira. Mas o que realmente está por trás da campanha "Agro é Pop" e quais as verdades inconvenientes que ela tenta esconder?

Agro é Tech   

A retórica de que o agronegócio gera riquezas e atua no combate a fome não é recente e nem exclusividade brasileira. A "Revolução Verde" iniciada nos Estados Unidos na década de 50, e que de verde mesmo teve só o nome da cor, trouxe a promessa de acabar com a fome no mundo através do uso da tecnologia aumentando a produção de alimentos. Em termos absolutos, a produção de gêneros alimentícios aumentou, mas mesmo décadas depois, problemas como a fome e a insegurança alimentar e nutricional continuam a assolar mais de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo.

O grande legado da dita "Revolução Verde" foi na verdade a concentração de grandes porções de terras nas mãos de poucos latifundiários e o escoamento de pacotes tecnológicos e de insumos por multinacionais estrangeiras que incluíam agrotóxicos com princípios ativos excedentes da segunda guerra mundial, fertilizantes químicos e sementes transgênicas destinados a países em desenvolvimento como o Brasil.

Em território nacional, agrotóxicos banidos na União Européia e em outros países no mundo circulam com isenção de impostos e linhas de créditos bancárias para pequenos agricultores condicionadas ao uso dos venenos. Esse cenário levou o Brasil à condição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo com sérias implicações para a saúde humana incluindo consumidores e trabalhadores rurais, e para o meio ambiente. A Associação Brasileira de Saúde coletiva (ABRASCO), compilou em 2015 sua versão mais recente do Dossiê: "Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde", livro com mais de 600 páginas reunindo artigos, estudos e pesquisas mostrando entre outros aspectos, as contaminações pelo uso de agrotóxicos que vão desde o comprometimento de aquíferos locais até a presença de compostos tóxicos no ar e no leite materno.

Além de se destacar no consumo de agrotóxicos, o agronegócio brasileiro também nos colocou no patamar de maiores produtores de milho e soja transgênica ficando atrás apenas dos Estados Unidos. Do ponto de vista da segurança para saúde humana do consumo de organismos geneticamente modificados (OGM), a publicação "Lavouras Transgênicas" analidou 750 trabalhos publicados e mostrou que a única certeza é de que não existe consenso científico sobre o consumo seguro deste tipo de alimento. Não resta dúvidas, no entanto, dos sérios agravos para biodiversidade, soberania e segurança alimentar causados pelo monopólio de patentes das multinacionais que controlam a produção de OGM. Recentemente a equipe do IM traduziu matéria alertando que pequenos agricultores da Tanzânia, estão sendo criminalizados por utilizar e trocar sementes nativas ao invés de comprar as sementes transgênicas  da Syngenta. A situação de extrema gravidade não é exclusividade do país Africano e se repete em outras regiões.

O Brasil saiu em 2015 pela primeira vez na história do mapa da fome segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), e essa conquista foi possibilitada não pelo modelo "Agro Tech" sinônimo de agrotóxicos e sementes transgênicas. De acordo com a entidade, os principais fatores que possibilitaram essa conquista foram as políticas de combate a fome e insegurança alimentar e nutricional que resultaram nos programas como o "Fome Zero" e o "Bolsa Família". As iniciativas de transferência de renda e o fornecimento de uma alimentação adequada e saudável por meio de diferentes ações e programas foram de fundamental importância para esse novo cenário.

O que a campanha do agronegócio esconde atrás do "Tech" é o que ele realmente significa e quem verdadeiramente lucra com as riquezas geradas. Acompanhe a coluna de quinta feira para saber da onde vem a popularidade do "Agro Pop" e porquê esse modelo de negócio "Agro(não) é Tudo", leia aqui. 


 



postado por JOSIANE RODRIGUES DE BARROS em Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

Dando continuidade aos conteúdos relacionados à "Agroecologia e Sustentabilidade" do mês de fevereiro, escolhemos um filme que contribui na reflexão do consumo consciente e sustentável.

A percepção de que necessitamos de um sistema alimentar mais saudável e sustentável e a busca de respostas pelo que realmente estamos consumindo, nossas escolhas alimentares e o que de fato está chegando nas nossas mesas são cada vez mais comuns. O documentário "OMG GMO" aborda algumas dessas questões principalmente no que diz respeito a utilização de sementes transgênicas e suas consequências.

Dirigido por Jeremy Seifert, o documentário americano com duração de 90 minutos, retrata como as grandes corporações estão modificando geneticamente as sementes e controlando as patentes. Ao investigar e tentar entender melhor a alimentação de seus filhos, a protagonista  se dá conta do consumo crescente dos alimentos transgênicos e inicia uma busca incessante para tentar responder suas indagações, mas principalmente: " é possível rejeitar o sistema alimentar atual ou já perdemos algo que não podemos ganhar de volta?"

Nessa perspectiva, o uso dos transgênicos não só ameaça a saúde, a segurança alimentar e nutricional e o meio ambiente como nos faz repensar sobre os estilos de vida e o futuro da biodiversidade agrícola.

Você comeria algo que não se sabe até que ponto é realmente seguro? Quais os riscos para nossa saúde? E o impacto para o planeta? Até que ponto a nossa tradicional plantação pode ser substituída pela transgênica? E a extinção de sementes nativas? E o nosso direito de escolha?

Ganhador de prêmios de Melhor Filme Júri Popular do Yale Environmental Fim Festival e de Melhor Documentário no Festival Internacional de Cinema de Berkshire, o documentário é uma boa dica para refletirmos sobres os questionamentos levantados e problematizar essa situação.

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

A Nutricionista do IDEC Ana Paula Bortoletto foi a convidada para falar sobre agrotóxicos no projeto “De Olho nos Ruralistas” do Observatório jornalístico sobre o agronegócio no Brasil.  

Ana iniciou sua fala comentando a respeito da presença de resíduos de veneno em uma expressiva quantidade e variedade de frutas e hortaliças em todos os estados brasileiros. Ela alertou ainda para o fato de que não apenas alimentos in natura apresentam concentrações elevadas, mas até mesmo produtos processados como geleias e possivelmente a cerveja e vários outros que utilizam o milho transgênico como subproduto. Nesse aspecto, Bortoletto destaca que o monitoramento realizado pelo PARA é fundamental mas precisa ser fortalecido e ampliado. O glifosato por exemplo, principal veneno utilizado nas lavouras não é monitorado.

A nível governamental, a nutricionista diz que é uma questão de priorização de agendas. A agroecologia e a produção orgânica e planos como o PAA, PNAE e o PARA são iniciativas que visam aumentar a produção de base sustentável em oposição ao agronegócio predatório. Outro ponto importante mencionado, é o papel da mídia e o monopólio das informações. Segundo Ana, mídias alternativas são cruciais para falar sobre alimentos orgânicos e principalmente denunciar os prejuízos do agronegócio, uma vez que as mídias tradicionais além de financiadas por este setor, fazem campanhas massivas para criar uma imagem mais positiva omitindo os agravos por ela causados. Um exemplo atual é a exibição diária em horário nobre da campanha do agronegócio exibida na rede globo.

Assista o programa na íntegra:   


 

 



postado por Nathália Bandeira Vilhalva Gheventer em Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

 

O Brasil, de acordo com suas raízes históricas, culturais e econômicas, usufrui majoritariamente de um modelo de agricultura pautado no agronegócio. Este sistema econômico dá origem a inúmeras consequências sociais, conflitos de terras, apropriação de bens de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, intoxicação humana pelo manejo de pesticidas, além do próprio impacto nos recuros naturais 

O Mato Grosso, inclusive, é um estado brasileiro que possui uma conformação econômica voltada aos latifúndios de exportação de commodities. Detentor da maior produção de soja, milho, gado e algodão do país, ocupa também o lugar de maior consumidor de fertilizantes químicos e agrotóxicos.

O [Biblioteca do Ideias] de hoje traz à tona um documento divulgado recentemente pelo IPES – Food (Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis), uma organização não governamental, que reúne diversos especialistas na construção de debates, materiais e análises de temas como desnutrição, obesidade, insegurança alimentar e degradação ambiental no olhar do sistema alimentar.

 

 

O documento em questão se chama “Da Uniformidade à Diversidade: Uma mudança de paradigma da agricultura industrial para sistemas agroecológicos diversificados ", que analisa os mais recentes dados sobre os resultados dos diferentes modelos de produção, e identifica oito principais razões do porquê a agricultura industrial ocupa o seu lugar de status, apesar de seus resultados negativos. Ele também traça uma série de passos para quebrar esses ciclos.

 

 

O estudo reforça ainda que apesar das inúmeras evidências científicas a respeito da viabilidade econômica e social da agroecologia, o agronegócio ainda predomina no cenário atual pelo seu maior potencial de geração de lucros, mesmo que insustentáveis, às empresas.

Apesar deste material estar em inglês, vale a pena dar uma conferida! O documento encontra-se em nossa biblioteca.

Para saber mais sobre o IPES- Food, acesse aqui. 



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

O Brasil configura-se como o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, os impactos desta empreitada já podem ser verificados em estudos e pesquisas direcionadas.

A utilização de agrotóxicos em plantações de grande escala, o monoculturalismo e o lobby das grandes corporações para emprego destes químicos em montantes paulatinamente maiores progridem com veemência nas instituições a que competem, inclinando o futuro de nossa gestão agroecológica a uma catástrofe moral e ambiental.

A partir desse panorama o [Biblioteca do Ideias] de hoje destaca o Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde.

 

O Dossiê é um alerta no sentido de ressaltar a importância das técnicas agroecológicas e ofício do pensar no bem-estar social bem como tornar claro e evidente que o corolário da utilização destes agentes de processos físicos, químicos ou biológicos é a degradação da vivacidade de nossa nação, fauna e flora.

“Muito embora a maior parte dos efeitos crônicos dos agrotóxicos sobre a saúde de agricultores e consumidores não seja comumente relacionada à exposição e à ingestão de tais produtos; indiretamente, porque o aumento do emprego dos agrotóxicos é um fenômeno intrinsecamente relacionado à expansão dos sistemas agroalimentares globalizados e à correspondente mudança nos hábitos alimentares da população, com o incremento do consumo de comida ultraprocessada, altamente calórica e portadora de ingredientes químicos maléficos à saúde. “

Contaminamos nosso solo, produtos alimentícios, comunidade rural e população urbana com químicos e princípios ativos proibidos em diversos países. Com a progressão geométrica do uso desses pelos latifundiários, cresce a pressão sobre os órgãos reguladores e fiscalizadores em direção à um liberalismo utilitarista da regulamentação e aplicabilidade destes químicos.

Publicado em 2015 pela editora Expressão Popular, São Paulo, esse documento ocupa-se em divulgar os estudos, considerações e dados relacionados à saúde, a utilização de agrotóxicos, segurança alimentar, meio ambiente, sustentabilidade, agronegócio, agroecologia, intoxicação alimentar,  etc.

Confira também os Painéis Gráficos que foram elaborados para ilustração do Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde  em que foi utilizada a técnica da facilitação gráfica: http://ideiasnamesa.unb.br/index.php?r=bibliotecaIdeias/view&id=307 

Link para o Dossiê: http://ideiasnamesa.unb.br/index.php?r=bibliotecaIdeias/view&id=306



postado por Larissa Chaves Figueiredo em Quarta-feira, 06 de Novembro de 2013

Uma enchente ocorrida no ano de 2012 em Bangladesh ocasionou dezenas de mortes e milhares de pessoas ilhadas; no entanto, esse desastre natural despertou na população a capacidade de superar desafios e desenvolver uma nova forma de plantio. Passaram, então, a plantar o arroz na água combinado com o cultivo de peixes e camarões em zonas inundadas pela água salgada, o que pode aumentar significativamente o rendimento das culturas e a variedade nutricional por hectare, reduzindo o impacto ao meio ambiente. Além disso, os peixes atuam como um sistema de controle de pragas, comendo insetos que causam danos às culturas, o que auxilia a diminuição do uso de pesticidas e demais substâncias tóxicas para o ser humano. De acordo com Nesar Ahmed, pesquisador na gestão das pescas na Universidade Agrícola de Bangladesh, iniciativas como essa em um país onde 27% da população é subnutrida devem ser valorizadas e, para ele, Bangladesh pode se tornar um país bem sucedido economicamente e na produção de alimentos por meio de uma revolução azul-verde.

Acesse fotos do agronegócio aqui: http://www.hypeness.com.br/2013/10/bangladesh-transforma-problema-das-enchentes-em-oportunidade-de-agronegocio/



Observatório Opsan UNB
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