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Posts Relacionados com a(tag):Agroecologia

postado por Marina Morais Santos em Terça-feira, 07 de Março de 2017

Durante o mês de Fevereiro, a Rede Ideias na Mesa abordou uma temática vital para o nosso futuro: Agroecologia e Sustentabilidade. E como muita coisa rolou por aqui, no post de hoje destacamos as matérias imperdíveis que exploraram esse tema! Não deixe de acessar para ler, se inspirar e agir para conquistarmos um Sistema Alimentar mais justo e sustentável. 

Para Assistir: 

[Comida na Tela] Dive - Living Off America Waste

[Comida na Tela] Mais que Mel

[Comida na Tela] OMG GMO

Para refletir:

As verdades inconvenientes que a campanha "Agro Pop" tenta esconder

As verdades inconvenientes que a campanha "Agro Pop" tenta esconder: Segunda parte

[Pensando EAN] Como o incentivo às energias renováveis pode estimular o desenvolvimento de sistemas alimentares mais saudáveis

[Pensando EAN] Preservar as sementes tradicionais para salvaguardar a biodiversidade

Para se inspirar:

[Mais que Ideias] 10 dicas para incluir orgânicos e agroecológicos na alimentação sem pesar no bolso

[Mais que Ideias] As potencialidades da Agricultura Urbana e Periurbana

[Você no Ideias] Horta em Prosa: Troca de saberes e sementes crioulas com participantes de um Centro de Convivência

[Biblioteca do Ideias] O futuro da Alimentação e da Agricultura, tendências e desafios

No mês de março exploraremos temas relacionados à cultura e patrimônio  alimentar trazendo notícias e postagens reflexivas nas colunas do blog, acompanhe nossas redes e fique por dentro! 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 07 de Março de 2017

Publicamos na última terça-feira a primeira parte do texto sobre a campanha desenvolvida pela globo em parceria com o setor do agronegócio, "Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é tudo”. Nele, trouxemos alguns dados históricos e a retórica usada pelo agronegócio que tenta confundir o uso do que o setor chama de tecnologia, em nome do acumulo de riquezas de poucos latifundiários e empresas multinacionais - e quem paga essa conta são os agricultores, a saúde humana e o meio ambiente. Sempre sob o falso discurso de “acabar com a fome no mundo” ou sob a justificativa de gerar riquezas para o país, confira aqui.

Nessa segunda parte, damos sequência para entender da onde vem a popularidade do "Agro Pop" e porquê esse modelo de negócio "Agro(não) é Tudo”.

O Agro é Pop

Basta ter assistido por poucas vezes os vídeos da campanha criada pelos marqueteiros da globo para ter claramente registrado no subconsciente a mensagem de que o “Agro é Pop”. Mas de onde vem essa popularidade toda?

A famosa bancada do agronegócio no congresso é uma das maiores e mais poderosas. Ela é composta por nada mais nada menos do que 207 (40%) dos 513 deputados, e por 24 (30%) dos 81 senadores das casas. Eles se organizam em torno da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que se reúne todas às terças-feiras em uma casa de luxo na QL 10 do Lago Sul em Brasília. A cada encontro, são debatidos os temas do “cardápio”, como eles mesmos denominam os encontros. No último, realizado dia 21 de fevereiro, a Frente mostrou no que está de olho nas próximas semanas:

“composição das comissões permanentes para 2017, principalmente as de Agricultura, de Meio Ambiente e de Constituição e Justiça; Também merecem a atenção as comissões especiais da Reforma da Previdência e do Trabalho; Não menos importante é o Projeto de Lei 3729/04, que trata do Licenciamento Ambiental.”

Para entender de uma forma mais clara o que significa quando a Frente define suas linhas de atuação em projetos de lei e comissões, aqui vão alguns exemplos recentes: O PL 4.148 com o objetivo de retirar a identificação de transgênico dos rótulo de alimentos já chegou a ser rejeitado em uma das comissões, mas a bancada ruralista conseguiu que ele prosseguisse por outros caminhos. No ano passado a polêmica voltou à tona e o projeto de autoria do deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que já foi presidente da FPA, à circular pelo congresso. Felizmente, a mobilização da sociedade civil articulada pelo Instituto de Defesa do Consumidor conseguiu fazer com que o PL não avançasse na surdina como pretendido.

Outro exemplo de atuação da FPA se traduz no PL 3200/2015, conhecido como PL do Veneno, de autoria do deputado Covatti Filho (PP/RS), que já tem até comissão instaurada para dar andamento ao projeto. Entre as principais propostas, estão a mudança do nome de “agrotóxicos” para “defensivo fitossanitário e de controle ambiental”. Em relação a esse ponto, o Ministério Público Federal (MPF) soltou uma nota de repúdio sob a alegação:

“O termo ‘agrotóxicos’ expressa a nocividade dos produtos e é amplamente difundida e conhecida da população, ‘sendo a substituição por termo novo, na prática, ofensa aos princípios da transparência e da informação’. A alteração também confundirá a distinção entre as substâncias utilizadas nas culturas orgânicas e não orgânicas. A prática ‘é um verdadeiro greenwashing, ou seja, modificação da imagem mediante métodos que levam a pensar tratar-se de produto ecologicamente responsável’”.

O PL também propõem que o sistema brasileiro de controle e aprovação de agrotóxicos, extremamente permissivo como já abordado no primeiro texto, seja ainda mais fragilizado. Atualmente, essas decisões precisam passar pelos Ministérios do Meio Ambiente, Saúde e Agricultura representados pelo IBAMA, ANVISA e MAPA. Segundo o projeto, ficam excluídos os representantes da Saúde e do Meio Ambiente e as decisões passarão a ser tomadas apenas por uma comissão intitulada de CTNFito, alocada dentro do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Essas são apenas algumas das tantas “propostas” que o PL do Veneno traz. O MPF também escreveu nota contra essa proposta e o PL de maneira geral, confira.

A popularidade da bancada ruralista não vem por acaso, e aliás, ela custa caro. Os principais financiadores das campanhas destes deputados são empresas do agronegócio que chegam a investir milhões para eleger apenas um candidato. É dessa forma que se deturpa a função de um congresso cujo papel deveria ser o de legislar segundo os interesses da população, e passa a garantir os interesses das corporações, mais especificamente nesse caso, o setor do agronegócio.

As ramificações da bancada não se restringem apenas ao congresso. No começo deste ano, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense causou um extremo desconforto no setor do agronegócio ao lançar o seu enredo “Xingu, o clamor que vem da floresta”, especificamente em relação ao trecho: “O belo monstro rouba as terras dos seus filhos / Devora as matas e seca os rios / Tanta riqueza que a cobiça destruiu”. Matéria do El País mostrou que o senador ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), pré-candidato à presidência em 2018, sugeriu a criação de uma comissão temática para investigar a escola de samba ao afirmar que: “a escola ‘denegriu’ o setor (agronegócio) e difamou quem deveria ser enaltecido”.

Classificar o setor do agronegócio como “pop” é um eufemismo, o termo “Agro é Pop” é na verdade uma abreviação para definir um setor poderoso que perpetua seus interesses por meio do dinheiro.

Nem todo Agro é (mau)negócio

A propaganda “Agro-Globo” tenta popularizar o agronegócio como algo positivo e descolado, a partir da construção da imagem de que o setor é o grande responsável pela geração de empregos e pela produção dos alimentos que chagam à nossa mesa. O que não aparece na televisão no entanto são os fatos invisibilizados atrás dos números.

Em publicação recente conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), foi constatado que apenas 36% dos empregados pelo agronegócio tem carteira assinada. O dado revela o caráter extremamente informal do setor, que possuí 9 milhões de trabalhadores no segmento primário recebendo uma renda mensal média de R$ 891 na agricultura e R$ 998 na pecuária. É também do agronegócio quem vem 30% das 1.010 pessoas resgatadas em 2015 de condições análogas à escravidão.         

Em relação à produção de alimentos, o agronegócio cria mercadorias, mas quem produz os alimentos que chegam à nossa mesa são os pequenos agricultores e os agricultura familiares. Em estudo pioneiro, pesquisadores da Universidade de Minnesota criaram o primeiro Mapa de Pequenos produtores em países em desenvolvimento, e constaram que eles produzem mais da metade das calorias alimentares do planeta e convertem mais de 70% delas diretamente para o consumo humano de alimentos. Mais especificamente no Brasil, mesmo com a concentração de terras ser predominantemente em propriedades rurais classificadas como grandes ou enormes latifúndios característicos do agronegócio (acima de 15 hectares), são nas pequenas propriedades (até 5 hectares) que é cultivada a maior parte de nossa comida.   

A Agroecologia se apresenta como um modelo alternativo e real para um sistema alimentar mais saudável e inclusivo. A agroecologia é uma ciência que tem como premissa a construção de uma relação sustentável entre o homem e a terra, e apresenta características específicas como a presença da agricultura familiar, produção orgânica, pequenas propriedades, diversidade de culturas, o respeito as características locais e o comércio socialmente justo. É um sistema ecológico extremamente complexo e que se contrapõem ao modelo hegemônico do agronegócio.

No Brasil a criação da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) em 2012 estabeleceu um marco. A PNAPO demandou a elaboração do Plano Nacional de Agroecoloia e Produção Orgânica (PLANAPO 2013 -2015) responsável pela consolidação da produção orgânica e agroecológica no país. Apesar da segunda edição do plano para o período 2016-2019 estar lançada, ainda há muito que avançar. O Plano identificou o papel dos pequenos agricultores para a produção de alimentos, e teve como intuito dar suporte a sistemas de produção de base sustentável com foco na agricultura familiar.

O agronegócio pode até ser “pop”, mas se um simples enredo de escola de samba já tira a bancada ruralista do sério, não restam dúvidas do porquê uma campanha com todo o aparato global precisa ser insistentemente repetida em horário nobre durante dois anos. Só assim pra sustentar através da automatização a ideia de que um sistema com acumulo de riquezas e poder nas mãos de poucos, e calcado no desmatamento e uso intensivo de agrotóxicos e sementes transgênicas é mais coerente e benéfico do que um sistema que garante a soberania e segurança alimentar e nutricional com inclusão social e preservação ambiental.


        



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

A capacidade da humanidade se alimentar no futuro está em perigo devido à intensificação da pressão sobre os recursos naturais, à crescente desigualdade e às consequências trazidas pelas mudanças climática, de acordo com um novo relatório da FAO, que é tema do [Biblioteca do Ideias] de hoje.

Apesar de termos alcançado progressos reais e significativos para a redução da fome no mundo, nos últimos 30 anos, "aumentar a produção de alimentos e crescer economicamente têm, muitas vezes, um custo muito alto para o meio ambiente", diz o relatório "O Futuro da Alimentação e Agricultura: Tendências e Desafios". 

"Quase metade das florestas que cobriam a Terra desapareceram. As fontes de água subterrânea estão sendo esgotadas rapidamente. A biodiversidade foi profundamente corroída", observa.

Até 2050 a população mundial deve atingir os 10 bilhões de pessoas. Em um cenário com crescimento econômico moderado, esse aumento da população aumentará a demanda global de produtos agrícolas em 50% em relação à atual demanda, intensificando as pressões sobre os já esgotados recursos naturais.

Ao mesmo tempo, mais pessoas estarão comendo menos cereais e mais carnes, frutas, legumes e alimentos processados - um resultado de uma transição alimentar global em curso que irá adicionar ainda mais pressão ao sistema alimentar, provocando mais desmatamento, degradação da terra e aumentando a emissão de gases causadores do efeito de estufa.

Juntamente com estas tendências, as mudanças climáticas vão adicionar obstáculos. 

O relatório dá esperança quando apresenta a possibiidade de acabarmos com a fome no mundo a partir de sistemas agrícolas e alimentares sustentáveis que satisfaçam as necessidades de uma população mundial crescente. Mas alerta sobre a importância de "grandes transformações" para que isso aconteça. 

"Sem esforços adicionais para promover o desenvolvimento em prol dos pobres, reduzir as desigualdades e proteger as pessoas vulneráveis, mais de 600 milhões de pessoas ainda estarão subnutridas em 2030", diz.

O relatório discute ainda que os sistemas agrícolas que usam insumos e recursos intensivos, que causam desmatamento, escassez de água, esgotamento do solo e altos níveis de emissões de gases de efeito estufa, não podem fornecer alimentos e produção agrícola sustentável, por isso devem ser substituídos por métodos sustentáveis. 

Ainda segundo o relatório as 15 tendências para o sistema alimentar são:

- Uma população mundial em rápida expansão marcada por "pontos quentes" de crescimento, urbanização e envelhecimento

- Diversas tendências no crescimento econômico, renda familiar, investimento agrícola e desigualdade econômica.

- Maior competição pelos recursos naturais

- Alterações Climáticas

- Poucas alterações relacionadas à produção agrícola

- Doenças transfronteiriças

- Aumento dos conflitos, crises e desastres naturais

- Persistência da pobreza, desigualdade e insegurança alimentar

- Transições alimentares que afetam a nutrição e a saúde

- Alterações estruturais nos sistemas econômicos e implicações no emprego

- Aumento da migração

- Mudança dos sistemas alimentares e consequentes impactos nos meios de subsistência dos agricultores

- Persistência de perdas de alimentos e desperdício

- Novos mecanismos de governança internacional para responder a questões de segurança alimentar e nutricional

- Mudanças no financiamento internacional para o desenvolvimento.

E os 10 desafios são:

- Adotar práticas agrícolas mais sustentáveis

- Garantir uma base sustentável de recursos naturais

- Abordagem das alterações climáticas e intensificação dos riscos naturais

- Erradicar a pobreza extrema e reduzir a desigualdade

- Eliminar a fome e todas as formas de desnutrição

- Tornar os sistemas alimentares mais eficientes, inclusivos e resilientes

- Melhorar as oportunidades de obtenção de rendimentos nas zonas rurais e abordar as causas profundas da migração

- Fortalecer a resistência para superar crises prolongadas, catástrofes e conflitos

- Prevenção das ameaças transfronteiras e emergentes da agricultura e do sistema alimentar

- Abordar a necessidade de uma governança nacional e internacional coerente e eficaz

O resumo desse relatório em espanhol pode ser acessado aqui e o completo em inglês está aqui.



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Terça-feira, 01 de Novembro de 2016

A história da genética agrícola ocidental e moderna nos levou a um cenário estrutural de produção e segurança alimentar bastante problemático: 75% da biodiversidade agrícola acumulada durante milênios pela humanidade foi perdida por causa da grande uniformidade de cultivos tóxicos, obtidos graças a uma grande erosão genética. Hoje o [Pensando EAN] traz um artigo publicado por Sebastian Debenedetti - professor doutor na Universidade de Buenos Aires, docente de genética e melhoramento na licenciatura em agroecologia da Universidade Nacional de Rio Negro-, e traduzido pelo grupo De Olho nos Ruralistas.

O texto nos ajuda a refletir sobre como a mercantilização e a apropriação de conhecimentos acumulados, diretamente ligados à agricultura, modificaram nossa relação com a biodiversidade alimentar e, junto com o modelo alternativo, lança mão do conceito de genética agroecológica. Tudo isso embasado em dados históricos relevantes e esclarecedores.

Veja aqui o texto completo:

"O melhoramento genético é uma disciplina que começou, de modo incipiente, ao mesmo tempo que o desenvolvimento da agricultura, nas primeiras domesticações dos cultivos, dez mil anos atrás. Assim temos, por exemplo, que a partir do Teocintle se passaram milhões de anos para que, com a domesticação dos milhos primitivos, os americanos obtivessem o milho. Da mesma forma, os cereais de inverno (trigo e aveia) foram desenvolvidos no Crescente Fértil do Oriente Médio e o arroz foi cultivado pelos antigos povos assentados nas regiões da atual China e do Sudeste Asiático.

Deste modo a humanidade deve grande parte da existência de seu sistema alimentar agrícola à contribuição anônima e acumulativa que os primeiros povos originários nos deram durante milênios, selecionando e melhorando constantemente as diferentes espécies cultivadas.

A genética agrícola ocidental e moderna têm, como disciplina, pouco mais que um século de existência formal e acadêmica. Esse suposto “avanço racional” na tecnologia foi buscando, em paralelo ao desenvolvimento da mercantilização universal, diferentes mecanismos para obter uma apropriação do conhecimento acumulado.

A primeira grande tentativa bem sucedida de impedir o uso próprio da semente cultivada, forçando a compra anual obrigatória da semente, ocorreu com a aparição dos híbridos comerciais. Ao se cruzarem duas variedades vegetais, potencializavam-se fortemente as características remanescentes de cada uma, enquanto se evitava o uso próprio por causa da segregação que se evidenciava na geração seguinte, tornando agronomicamente inviável o cultivo.

Até o início dos anos 60, apesar disso, a ampla maioria da diversidade genética agrícola mundial se mantinha e se ampliava pelo livre intercâmbio, pelas viagens e pelo comércio de sementes, sua compra e venda, o cruzamento e a seleção vegetal em cada ambiente agrícola particular.

Em 1961, após a instalação da “revolução verde” estadunidense, se legalizou a “Propriedade Intelectual dos Obtentores Vegetais”, com a invenção e adoção, por vários países, do Convênio Internacional para a proteção das Obtenções Vegetais, ditado por uma “Conferência Diplomática” em 2 de dezembro de 1961, em Paris. Desde então se começou a reconhecer legalmente, pelos países, os direitos à propriedade intelectual dos obtentores sobre as variedades, assinando a “criação” das mesmas e o “descobrimento” de outras, apropriando-se da construção coletiva histórica de toda a humanidade, condensada e sintetizada nas sementes agrícolas.

O projeto de capitalização ocidental das culturas fitogenéticas, desenvolvidas e socializadas pelos camponeses e povos originários, foi plasmado nas atas da UPOV (Organização para a Proteção de Obtenções Vegetais), verdadeiras “guias legais” que foram ditando as leis que permitiram a expropriação de mais-valor por parte das grandes empresas de sementes e o lucro, com base em variedades naturais e preexistentes, selecionadas e aperfeiçoadas, sem reconhecimento da contribuição prévia.

A lei de sementes 20.247 na Argentina responde textualmente às atas de modificação, em 1972, do  Convênio Internacional da UPOV. Mas sucessivas emendas (aproximadamente mil) modificam substancialmente a lei. Isto abriu portas para que, hoje, grandes transnacionais como Monsanto, Syngenta, Basf e Bayer utilizem ou possam utilizar qualquer semente de uma variedade conhecida ou desconhecida, ou mesmo outras plantas comestíveis obtidas a partir da biodiversidade regional, como fonte para inserção de seus transgênicos. Desta maneira foram gerados prioritariamente cultivos resistentes a herbicidas ou lepidópteros, transformando-os em verdadeiros veículos de contaminação genética humana  e em fonte de toxicidade alimentar em grande escala.

Assim, 75% da biodiversidade agrícola acumulada durante milênios pela humanidade se perdeu, diante de uma grande uniformidade de cultivos tóxicos, obtidas graças a uma grande erosão genética.

A agroecologia promove o resgate das práticas e saberes camponeses e indígenas, interagindo livremente com o conhecimento obtido pela modernidade por meio de um diálogo dialético onde, do contraste entre visões anteriormente opostas e incompatíveis, surge uma síntese superadora. Esta disciplina implica uma visão oposta ao agronegócio, especialmente aquele baseado na engenharia genética, implicando a volta à propriedade mista, descartando o uso e abuso dos agrotóxicos, lutando por cultivos comestíveis saborosos e livres de fertilizantes e pesticidas, propondo um manejo holístico e equilibrado do ecossistema agrícola (a interação harmônica entre planta, solo, água, ambiente, animais e populações rurais).

Neste contexto, a genética agroecológica, como nova disciplina, tende a propor planos de seleção e melhoramento contextualizados, integrados e ancorados nos territórios, vinculados à interação com animais e insetos locais. Para isso é preciso que estes sejam tolerados pelos cultivos, promovendo não somente o aumento da produtividade, mas também a manutenção do homem no campo e a sustentabilidade socioambiental.

Deste modo, a agroecologia não somente rechaça a nova Lei Monsanto de sementes, baseada no relatório UPOV 1991 – que, ao limitar o uso próprio, também criminaliza as práticas ancestrais de livre circulação de sementes. Mas também rechaça a atual lei de sementes da ditadura militar de Lanusse, modificada pelo Menemismo, que colocou as bases para o atual modelo agroindustrial, expandido em grande escala na última década. A apropriação do conhecimento acumulado e a transformação dos alimentos em armas biotecnológicas foi um projeto de longo prazo. Hoje, com a nova lei de sementes em debate, estamos diante do fim de um amplo processo de mercantilização monopolista da vida.

Não obstante as boas intenções da agroecologia, porém, não ignoramos o fato de que, sem uma mudança social radical na organização da sociedade, é altamente provável que as transnacionais adotem o programa agroecológico, capitalizando-o e esvaziando-o de conteúdo, com propensão para uma transformação de sentido, em uma espécie de programa Capitalista Agroecológico.

Nesse contexto de mobilização contra a Lei Monsanto de sementes, propomos que a semente transgênica seja claramente rotulada, que se promova um plano nacional de estímulo à agricultura camponesa de raiz regional. E que seja desenvolvido um programa nacional muito amplo de conservação e expansão dos recursos genéticos locais, que permite resgatar em primeira instância as sementes locais e crioulas, para então se estimular seu uso e seu melhoramento genético em um marco agroecológico, com a inclusão de uma reforma agrária integral para potencializar uma ampla produção de alimentos saudáveis, socialmente sustentáveis e economicamente viáveis."

Já parou pra pensar sobre isso?



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

No dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) fez o alerta: “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também”. O [Pensando EAN] de hoje traz uma reflexão que parte de uma análise de tal problemática com base na ideia de comida como sistema.

O blog jornalístico "Conhecer para Comer" tratou em um artigo a inter-relação entre clima, agricultura e alimentação, indicando dados, fatos e autores que apontam para a emergência de refletir sobre os limites (do planeta, do solo, da água, das pessoas). Veja aqui alguns trechos do texto:

"(...) O chamado da FAO e as consequências visíveis do atual modelo alimentar, nos leva a refletir a partir de uma visão complexa sobre uma das questões levantadas pelo antroposociólogo francês Edgar Morin. Ele destaca o fato de que os sistemas são tratados como objetos. O autor nos incita a conceber exatamente o inverso: os objetos como sistema. Apoiadas nessas reflexões, assim como a ameaça da crise ambiental para a produção de alimentos atualmente e para as gerações futuras, consideramos que devemos compreender o alimento não como um objeto e, sim, como um sistema, inserido no sistema alimentar, ambos sendo sub-sistemas do sistema capitalista, que faz parte do ecossistema e, assim sucessivamente. Deste modo, poderemos entender melhor o alimento e apontar caminhos teóricos e práticos para enfrentar as contradições, antagonismos e complementariedade, inerentes à complexidade de um sistema. (...)

Para falar em alimento como sistema, neste texto, vamos focalizar um dos aspectos da teoria de sistemas. De acordo com Morin e o biólogo austríaco Ludwing von Bertalanffy, um dos maiores teóricos de sistemas, os sistemas estão formados de subsistemas e podem provocar alterações no sistema e vice-versa.  Esta noção, nos leva a pensar nas articulações que existem assim entre o sistema capitalista e sistema alimentar, sendo este último um subsistema do sistema capitalista. (...)

Entender como a alimentação foi capturada pela lógica privada do capital e como o alimento virou mercadoria é uma das chaves para explicar a contribuição do sistema alimentar hegemônico presente no sistema capitalista e as suas consequências no cenário atual de crise ambiental. Nesse sentido, gostaríamos de destacar o trabalho do jornalista Paul Roberts, especializado em economia, tecnologia e meio ambiente. Ele faz um estudo bem amplo sobre o sistema alimentar no livro o fim dos alimentos (2009).(...) Roberts, com postura crítica, volta sua atenção à economia alimentar moderna e descobre que o sistema que deveria satisfazer a nossa necessidade mais básica está falhando.

 Na visão do autor, a crise alimentar é fundamentalmente econômica, pois o alimento não se conforma na categoria de mercadoria. Por ser tão impróprio à produção em massa, Roberts explica que tivemos de reengendrar plantas e animais para torná-los mais eficientes economicamente. E para corrigir os efeitos colaterais, ergueu-se uma indústria de medicamentos, flavorizantes, aditivos e fertilizantes em prol da qualidade, percebida na textura e no sabor de quem compra. (...)

As ambiguidades na produção, distribuição e consumo de alimentos nos conduz à interpretação para o fenômeno da alimentação, considerado por Morin (1973) como um fato humano total, que rearticule ligações indissociáveis, tais como sujeito-objeto; natureza-cultura; e real-simbólico.

O conjunto de crises que marca a civilização – econômica, ambiental e de conhecimento – é um ponto de inflexão para repensar a centralidade da comida em âmbito individual, coletivo e do território. Observamos que as corporações agroalimentares são as maiores beneficiárias das políticas, aumentando, portanto, o volume de produtos alimentares produzidos, sem, contudo, eliminar a fome.(...)

Pensar na ciência ecológica com relação ao alimento nos remete a agroecologia que pode ser definida como uma nova ciência em construção, um novo paradigma de cujos princípios e bases epistemológicas nascem da convicção de que é possível reorientar os cursos alterados dos processos de uso da terra, de forma a ampliar a inclusão social, reduzir danos ambientais e fortalecer a segurança alimentar e nutricional com a oferta de alimentos sadios para todos (CAPORAL, 2009, apud CAMPOS, 2014, p.267). O desafio agroecológico é a complexidade, a procura de um contexto mais amplo. Cada vez um maior número de cientistas se juntam a esta construção, reconhecendo as limitações do método objetivo, entendendo que reducionismo traz danos ecológicos e altos custos sociais.

Morin sinaliza que a um primeiro olhar a complexidade é um tecido (complexo: o que é tecido junto) de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas: ela coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Num segundo momento, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico (2011, p.13).

Na agroecologia, os sistemas agrícolas tradicionais são valorizados e geram tecnologia e conhecimento. Trata-se de uma tecnologia receptiva à heterogeneidade de condições locais, sem procurar transformá-la, mas sim melhorá-la. Assim o conhecimento agrícola tradicional, mais os elementos da ciência agrícola moderna, não transformam nem modificam radicalmente o ecossistema (ALTIERI, 1999, p.60). Podemos dizer que esta nova ciência está tecendo junto os saberes tradicionais e o conhecimento cientifico. Não significa desprezar os conhecimentos científicos até então acumulados. Ao contrário, significa aprofundar os conhecimentos científicos sobre a natureza, seu comportamento, e verificar, com precaução, aqueles que podem ser alterados sem prejuízos à vida na Terra. (...)

Na agroecologia encontramos a valorização das diferentes dimensões não econômicas do alimento, as técnicas agroecológicas procuram a salvaguarda da vida, da cultura e do planeta. Encontramos assim a valoração do trabalho da natureza e o trabalho social o que se contrapõe a abstração do alimento-mercadoria.

Assim, as técnicas agroecológicas estão em total sintonia com o chamado que faz a FAO para este dia mundial da alimentação, promover políticas públicas que favoreçam a transição a este modo de produção pode permitir maior resiliência e adaptação as mudanças climáticas que estão acontecendo."

E você já tinha parado para pensar na alimentação dessa forma? Veja o artigo completo aqui. 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 02 de Setembro de 2016

O [Comida na Tela] de hoje traz um documentário que através de belas imagens e importantes depoimentos, mostra exemplos de projetos de sucesso que seguem o conjunto de princípios e técnicas da chamada Agricultura Sintrópica que viabiliza integrar produção de alimentos à dinâmica de regeneração natural de florestas.

O criador de tais técnicas de recuperação de solos, que por meio de métodos de plantio mimetizam a regeneração natural de florestas complexificando sistemas, é um agricultor e pesquisador suíço que migrou para o Brasil no começo da década de 80 e se estabeleceu em uma fazenda na zona cacaueira do sul da Bahia, chamado Ernst Götsch.  Com o acúmulo de mais de três décadas de trabalho que resultaram na recomposição de 480 hectares de terras degradadas, ele teve como resultado de sua intervenção, além da colheita agrícola, o desenvolvimento na fazenda do seu próprio microclima, 14 nascentes de água foram recuperadas e a repopulação natural da fauna.

Este modelo de agricultura, onde o insumo mais importante é o conhecimento,  tem sido disseminado e adaptado a diferentes regiões e climas nos últimos 30 anos.  E é exatamente alguns desses relatos que o curta "Vida em Sintropia" traz, junto de explicações de como se dá essa forma inovadora de agroecologia.

O vídeo é fruto do Projeto Agenda Götsch, realizado pela parceria dos jornalistas Dayana Andrade e Felipe Pasini, criadores de uma série audiovisual que tem como objetivo ajudar produtores de todo o mundo a adotar técnicas agrícolas verdadeiramente sustentáveis. "Vida em Sintropia" foi uma edição feita especialmente para ser apresentada em eventos na COP21, realizado em Paris no ano passado, com um compilado de experiências expressivas em Agricultura Sintrópica, em imagens e entrevistas inéditas.

Assista:



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

Existem alguns espaços nos quais a produção agroecológica ainda não ganhou o espaço de discussão e reconhecimento adequados. Por isso, um projeto de extensão realizado no Piauí realizou ações de ensino, pesquisa e extensão relacionadas aos conhecimentos, princípios, práticas e demais iniciativas que promovem a soberania e um sistema de base agroecológica sustentável. A experiência do [Você no Ideias] de hoje promoveu interação entre a comunidade escolar, agricultores familiares e sociedade civil, com vistas à valorização da perspectiva socioambiental do fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica.

O projeto foi realizado em 3 pólos nos quais estão inseridos 15 unidades de produção familiar que produzem: alface , abóbora, abobrinha, acerola, batata-doce, berinjela, beterraba, banana, coentro, cebolinha, cenoura, couve, feijão-verde, galinha caipira, milho-verde, macaxeira, maxixe, mamão, melancia, maracujá, ovo caipira, pepino, pimenta, pimentão, quiabo, rúcula, rabanete, repolho, tomate, tomate cereja, bolos e polpas.

Após a inclusão dos agricultores no projeto, foram realizados 5 encontros a partir dos temas:

I. Ambiente e agrobiodiversidade

II. Saúde - a melhor propaganda de valorização dos produtos de cultivo agroecológico de alimentos

III. Produtos e preparações oriundos da agricultura de base agroecológica;

IV. Produção sustentável, manejo, coleta e tratamento para a produção de alimentos saudáveis;

V. Comercialização, mercado local e os programas de compras governamentais de aquisição de produtos da agricultura familiar.

Como forma de agregar a proposta do projeto de extensão ao campus, foi iniciada uma horta local para a eventual necessidade de suprimento do Restaurante Institucional e Estudantil e para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares.

Esse projeto já dura dois anos e seus idealizadores visam a sua continuidade, valorizando a intersetorialidade como peça fundamental para que este projeto se mantenha fortalecido com discussões permanentes com base no fomento da agricultura familiar e a promoção de estratégias de base agroecológicas para proteção da saúde e garantia da segurança alimentar e nutricional da população.

Para saber mais sobre essa experiência clique aqui.

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Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Tatiane Locádio Timóteo de São Raimundo Nonato, Piauí, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil.



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

“A transformação, eu tenho certeza, vem através da semente. A semente que a gente resgata, a semente das organizações, a semente das atitudes. Tudo tem que ser pela semente, porque nós somos uma semente. E isso não precisa aprender numa faculdade. Isso você tem que sentir que está na hora de mudar."
(Lourdes Bodaneze)

 

Esse é o sentimento que move as camponesas do  Oeste de Santa Catarina  que participam do curta "Mulheres da Terra", produzido pela Plural Filmes, que está no [Comida na Tela] de hoje.

As agricultoras Joana Fernandes Sebben, Edel Schneider, Lourdes Bodaneze, e Rosalina Nogueira da Silva, participantes do Movimento de Mulheres Camponesas e  Guardiãs de Sementes Crioulas, contam como esses dois movimentos fizeram diferença em suas vidas tanto na questão da emancipação das mulheres como na forma de produzir na terra o seu sustento.

Ressaltam a importância da mudança de paradigmas tanto nas relações dos seres humanos com a natureza, a partir do fortalecimento da agroecologia, como na construção de novas relações sociais de gênero. Trazem também a importância dos conhecimentos tradicionais de cultivo resgatando assim suas origens quilombolas e indígenas.

Veja a força feminina (e feminista) das mulheres do campo, mostrada quase que de forma poética nesse curta:



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

O gênero feminino fora e é subjugado em numerosos aspectos da vida social, ora por longas jornadas de trabalho, tarefas domésticas e menoridade salarial em relação a contra parte masculina desse sistema trabalhista, ora pela objetificação e invasão de seus corpos, mente e alma.

A despeito de ao redor do globo existirem cerca de 2,5 milhões pequenas agricultoras, criadoras, habitantes das florestas e pescadoras, cujos conhecimentos e trabalho cumprem papel fundamental na sustentabilidade dos diversos sistemas alimentares; e a comunidade mulheril agrícola e extrativista somar 15 milhões de pessoas, representando 47,8% do montante de moradores do meio rural, apenas 16% destas são titulares das terras onde moram. Artigos mostram o quanto as mulheres trabalham e como estão engajadas em praticamente todas as atividades agrícolas e extrativistas, assumindo jornadas de trabalho muito extensas. Mesmo assim, elas continuam com restrição de acesso aos recursos produtivos, bem como o reconhecimento do seu trabalho ainda é colocado em questão.

senhora na fazenda

 

O [Biblioteca do Ideias] desta semana destaca o editorial de Maria Emília Lisboa Pacheco na revista Agricultura V.6 nº 4, sobre as ações do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). Esta mostra a forma com que esse movimento busca construir um projeto de agricultura camponesa baseado nos princípios da Agroecologia. Um projeto que garanta a soberania alimentar enquanto direito, questione o patriarcado, afirme a auto-organização das mulheres e as reconheça como sujeitos políticos. A Campanha Nacional pela Produção de Alimentos Saudáveis expressa a dupla face de questionamento, tanto do modelo de produção capitalista quanto da opressão patriarcal vivida pelas mulheres.

Os dados apresentados são ponto de deflagração para pautas de economia feminista no campo, e não feminina, como Hildete Melo, coautora de um estudos da revista, o dissera no lançamento da revista, uma vez que este visa lançar um olhar engajado, buscando desvendar as mulheres que normalmente as estatísticas econômicas ignoram.

O artigo está disponível na Biblioteca.


Por Giphy

foto de capa: Morguefile



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 24 de Junho de 2016

“A palavra ‘paraíso’ vem do persa ‘paradiso’, que quer dizer ‘jardim’. Se transformarmos nosso modelo agrícola em jardim, o planeta tem tudo pra se transformar em paraíso”. Com essa fala começa o filme do [Comida na Tela] de hoje: "Por que não o paraíso?". Produzido pelo Projeto Céu e Terra, traz um olhar sobre a experiência de Marsha Hanzi, precursora da Permacultura no Brasil, e de sua equipe. Eles criaram o Epicentro Marizá, sítio agroecológico no sertão da Bahia com o intuito de apontar possíveis caminhos de transformação para a humanidade e o planeta.

"O pessoal da permacultura diz que todos os grandes problemas do planeta se resolvem num jardim, transformando esse planeta em jardim a gente ta transformando esse planeta em paraíso, e esse planeta tem tudo pra se transformar em paraíso. Se a gente transforma nosso modelo agrícola em jardim, em jardinagem em larga escala, que é o que a agroecologia e a permacultura propõem, ele virará um paraíso" É nisso que acredita Marsha, fundadora do Instituto de Permacultura da Bahia em 1992, e que em 2003 saiu da cidade grande rumo ao povoado de Marizá no município de Tucano, sertão da Bahia, para começar o projeto “Marizá Epicentro de Cultura e Agroecologia”.

O trabalho feito no Projeto segue quatro princípios que norteiam há onze anos ela e sua equipe. A transformação de 19 hectares de areia seca num belo jardim produtivo, cheio de árvores, flores silvestres, cantos de mais de 60 tipos de passarinhos e uma importante proposta com as PANCS do sertão: a boa vizinhança e contribuição para a comunidade; a produção semissilvestre de alimentos saborosos; a cura – de pessoas, do lugar, e do planeta - a vida multidimensional, onde a magia interpenetra o quotidiano.

Na página do Epicentro eles afirmam: "Já temos todos os conhecimentos necessários para transformar este planeta num belo paraíso. Todas as técnicas e estratégias foram testadas e estão prontas para a implantação: a agroecologia, construções biológicas, energias alternativas, moedas locais, estruturas sociais de cooperação e de ajuda mútua.". Fica então a questão, por que não o paraíso?

Assista e inspire-se:



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