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Posts Relacionados com a(tag):Agricultura Familiar

postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 14 de Março de 2017

Impulsionados pela necessidade de uma produção alimentar mais inclusiva e alternativa ao modelo agroalimentar hegemônico vigente, cada vez mais estudos e projetos têm buscado compreender os fatores e potencialidades relacionados à produção de base familiar. A concentração fundiária  é majoritariamente centrada em latifúndios monocultores e produtores de commodities, mas no que diz respeito a produção de alimentos para consumo humano a nível global, os pequenos agricultores produzem mais de 70% de tudo o que consumimos.       

A publicação desenvolvida pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário é fruto de grupos de trabalho, oficinas e congressos e reuni a contribuição de um vasto grupo de especialistas e pesquisadores dos temas relacionados à agricultura familiar. Dividido em sete partes, a publicação aborda diferentes questões e traz um panorama da questão agrária e caracteriza os camponeses na atualidade, analisa as políticas públicas destinadas à agricultura familiar, e enumera os desafios e perspectivas para se avançar.     

As primeiras duas partes do documento discutem a estrutura agrária Brasileira que aprofundou no século XXI os processos de concentração de terras como resultante do modelo econômico do agronegócio, pavimentado na intensificação produtiva e mercantilização de insumos. Esse modelo hegemônico centrado na grande empresa e no capital, contribuiu em grande escala para a expulsão de povos e comunidades tradicionais , assim como jovens e famílias que ocupavam o espaço rural. A terceira parte, "Inovações Sociais: Experiências Contemporâneas", apresenta um conceito de desenvolvimento rural alternativo ao modelo hegemônico e mais inclusivo, incorporando as noções de agroecologia e soberania e segurança alimentar e nutricional.

Os capítulos subsequentes avaliam as políticas públicas que tem como alvo a agricultura familiar e trazem também as perspectivas futuras, levantando também os desafios e questões relativas aos movimentos e organizações sociais. A última parte também aborda as diferentes categorias e dimensões sociais do trabalho no campo, trazendo alguns exemplos como as mulheres agricultoras e comunidades.       

Acesse a publicação em nossa biblioteca.         




postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Bons exemplos reais são importantes para apoiar ideais de mudanças estruturais, pensando nisso, o [Comida na Tela] de hoje, trouxe um relato em forma de curta metragem: "AGROFLORESTAR - Semeando um mundo de amor, harmonia e fartura".

"Agroflorestar" apresenta a fascinante trajetória dos agricultores de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, junto com várias falas de importantes nomes do movimento agroflorestal. Originalmente trabalhando com a técnica de corte e queima, suas terras já estavam desgastadas. O filme mostra como a introdução do sistema agroflorestal revolucionou a vida de mais de 100 famílias.

Hoje quase 17 anos depois do inicio do Cooperafloresta, através do projeto Agroflorestar, as ideias de uma agricultura florestal sustentável chegaram ao MST, aonde em áreas degradadas pela monocultura, florestas de alimentos estão sendo plantadas. Como Seu Zaqueu disse no filme: "o MST tem a tecnologia de ajuntar gente, e a Coopera tem a tecnologia de ajuntar plantas." De forma positiva o filme demonstra como podemos ter uma alternativa sustentável para a agricultura, sem destruir o planeta.

Veja aqui o filme completo:



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

Levando em consideração o crescente consumo, entre as crianças, de guloseimas  processadas, em substituição ao que é oferecido em casa e até no cardápio da merenda escolar, o [Você no Ideias] de hoje traz uma experiência que teve como objetivo propagar a valorização da cultura alimentar e dos hábitos alimentares dos antepassados das crianças do município de Pedras de Fogo, Paraíba.

O Projeto Contação de Histórias, realizado por profissionais no NASF, no ano de 2015, foi desenvolvido pela necessidade de despertar o interesse dos pequenos estudantes por alimentos produzidos pela agricultura familiar local. A ação foi realizada por apoiadores das escolas e creches do município que, vestidos de personagens, contavam histórias e lendas sobre os alimentos.

Primeiramente, buscou-se conhecer os hábitos alimentares das crianças, isso possibilitou a percepção de que alguns alimentos oferecidos no cardápio escolar, como a macaxeira (ou mandioca), eram rejeitados. Este alimento é abundante na agricultura familiar da região então se buscou saber a origem do mesmo.

Em conversas com professores e a população percebeu-se que muitas famílias tinham descendência indígena.  Assim, por meio da internet, encontraram algumas histórias e lendas sobre a macaxeira, alimento este que está ligado à cultura indígena e adaptaram ao texto que usaram para uma peça de teatro. Além disso, fizeram pintura de rosto e dançaram ciranda de roda com as crianças que participaram daquele momento especial com muita alegria.

A equipe que realizou essa experiência percebeu resultados positivos devido ao aumento na aceitação da merenda escolar!

Para saber mais sobre a experiência e seus resultados, clique aqui


 

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a SHEILLA VIRGÍNIA SILVA NASCIMENTO, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!

 



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

Existem alguns espaços nos quais a produção agroecológica ainda não ganhou o espaço de discussão e reconhecimento adequados. Por isso, um projeto de extensão realizado no Piauí realizou ações de ensino, pesquisa e extensão relacionadas aos conhecimentos, princípios, práticas e demais iniciativas que promovem a soberania e um sistema de base agroecológica sustentável. A experiência do [Você no Ideias] de hoje promoveu interação entre a comunidade escolar, agricultores familiares e sociedade civil, com vistas à valorização da perspectiva socioambiental do fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica.

O projeto foi realizado em 3 pólos nos quais estão inseridos 15 unidades de produção familiar que produzem: alface , abóbora, abobrinha, acerola, batata-doce, berinjela, beterraba, banana, coentro, cebolinha, cenoura, couve, feijão-verde, galinha caipira, milho-verde, macaxeira, maxixe, mamão, melancia, maracujá, ovo caipira, pepino, pimenta, pimentão, quiabo, rúcula, rabanete, repolho, tomate, tomate cereja, bolos e polpas.

Após a inclusão dos agricultores no projeto, foram realizados 5 encontros a partir dos temas:

I. Ambiente e agrobiodiversidade

II. Saúde - a melhor propaganda de valorização dos produtos de cultivo agroecológico de alimentos

III. Produtos e preparações oriundos da agricultura de base agroecológica;

IV. Produção sustentável, manejo, coleta e tratamento para a produção de alimentos saudáveis;

V. Comercialização, mercado local e os programas de compras governamentais de aquisição de produtos da agricultura familiar.

Como forma de agregar a proposta do projeto de extensão ao campus, foi iniciada uma horta local para a eventual necessidade de suprimento do Restaurante Institucional e Estudantil e para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares.

Esse projeto já dura dois anos e seus idealizadores visam a sua continuidade, valorizando a intersetorialidade como peça fundamental para que este projeto se mantenha fortalecido com discussões permanentes com base no fomento da agricultura familiar e a promoção de estratégias de base agroecológicas para proteção da saúde e garantia da segurança alimentar e nutricional da população.

Para saber mais sobre essa experiência clique aqui.

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Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Tatiane Locádio Timóteo de São Raimundo Nonato, Piauí, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil.



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 11 de Maio de 2016

 

A agricultura familiar desempenha um papel central na estratégia de superação da fome e na segurança alimentar do País, sendo a principal produtora de comida para o campo e a cidade. E o Guia Alimentar para a População Brasileira traz que "A alimentação adequada e saudável também deve atender as formas de produção de alimentos sócio e ambientalmente sustentáveis.".

O [Biblioteca do Ideias] de hoje destaca o Plano Safra da Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Criado em 2003, foi planejado para fortalecer as organizações econômicas da agricultura familiar e estimular a produção sustentável e concentra uma série de medidas que incluem desde os financiamentos de projetos individuais e coletivos até o acesso aos mercados de compras institucionais.

Além disso, ele é renovado e aperfeiçoado a cada ano (a inclusão do Selo da Identificação da Participação da Agricultura Familiar, do Seguro da Agricultura Familiar e do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar, são alguns exemplos desse aprimoramento), com o período de vigência de julho a junho do ano seguinte, data estrategicamente escolhida para se adequar ao inicio do calendário da safra agrícola brasileira.

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2016-2017 dá continuidade às políticas de prestação de serviços de assistência técnica a 230 mil novas famílias, triplicando os atendimentos nesta safra, com um volume recorde de crédito para financiamento da safra de 28,9 bilhões. Também cobre a ampliação da cobertura do seguro agrícola, expansão dos mercados, regularização da agroindústria familiar, criação de um programa de apoio às cooperativas entre outras medidas.

Além disso, lança uma estratégia construída com participação de jovens rurais de todo o País: o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural; e reduz os juros de 5,5% para 2,5% ao ano para estimulo da produção de base orgânica e agroecológica e o investimento em práticas sustentáveis de manejo do solo e da água, produção de energia renovável e armazenagem.

Os principais pontos tratados pelo Plano são: Mais crédito para produção de alimentos saudáveis; Mais proteção para quem produz: seguro da agricultura familiar/garantia-safra; assistência técnica e extensão rural; Apoio ao cooperativismo; Apoio a comercialização; Apoio à produção das mulheres rurais; Plano nacional de juventude e sucessão rural; Povos e comunidades tradicionais; Reforma agrária; 2º plano nacional de agroecologia e produção orgânica e Desenvolvimento rural com participação social.

Acesso o Plano Safra da Agricultura Familiar 2016-2017 na Biblioteca do Ideias.



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015

O Centro de Excelência Contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos da ONU lançou recentemente as versões em português de 3 estudos que compõem a Série Políticas Sociais e de Alimentação, que trata das compras públicas de alimentos no Brasil e seus impactos na SAN e na agricultura familiar, e hoje compõem a [Biblioteca do Ideias].

Os estudos trazem dados e análises dos programas de compras de alimentos da agricultura familiar implementados no Brasil, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O primeiro estudo: “Abastecimento alimentar e compras públicas no Brasil: um resgate histórico”, como o próprio nome já diz traz um apanhado histórico da trajetória das políticas públicas para a construção e a implementação dos programas no país, apresentando as experiências do governo brasileiro em relação as compras de alimentos e as crises de abastecimento que sucederam ao longo do processo, descrevendo as origens, motivações e estímulos políticos para a promoção da segurança alimentar no país.

Confira o 1º estudo aqui.

Já o segundo estudo “Modalidades de compras públicas de alimentos da agricultura familiar no Brasil” apresenta as diferentes modalidades de compras públicas de alimentos que existem no Brasil, entre elas, o PNAE e o PAA, um dos programas mais eficazes do mundo. Destaca as modificações nas normas de compras públicas que tornaram possível que agricultores familiares vendessem seus produtos a instituições públicas, inclusive escolas.

Aqui você pode conferir o 2º estudo.

Por fim o terceiro estudo “Escala de Compras Públicas de Alimentos no Brasil”, traz uma estimativa das quantidades de alimentos comprados nas compras institucionais, tanto a nível federal, estadual e municipal, com ênfase no PNAE e no PAA, os dois programas que representam a maior demanda das compras de alimentos.

E por último aqui o 3º estudo da série.

Todos os estudos da série você pode conferir na [Biblioteca do Ideias].



postado por Ramon da Silva Rodrigues Almeida em Quarta-feira, 07 de Outubro de 2015

Temos hoje na [Biblioteca do Ideias] um material pedagógico desenvolvido pelo PEAAF (Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar), coordenado pelo Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente que aborda um conjunto de ações desenvolvidas pelo programa na temática da educação ambiental em conjunto com a agricultura familiar.

O material tem por objetivo formar agentes populares que sejam capazes de identificar e refletir sobre as questões socioambientais em seus territórios e comunidades de forma a implementar ações sustentáveis no meio rural e na agricultura familiar.

Por meio de uma linguagem acessível e de fácil entendimento para diversos públicos, o material dialoga por meio de ações educativas e com estratégias de construção coletivas para o enfretamento dos problemas socioambientais rurais.

A publicação possui 4 volumes lançados com diferentes assuntos:

1. Educação ambiental e a agricultura familiar no Brasil: aspectos introdutórios;

 
 
 
 
 
 

Confira os 4 volumes do material na [Biblioteca do Ideias].



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 22 de Setembro de 2015

Em meio a crescente necessidade de se discutir e implantar modelos de agricultura alternativos ao modelo atual, a coluna de hoje apresenta o texto de Juliana Dias – editora do site Malagueta News - Jornalista e mestre em Educação em Ciências e Saúde.  

Juliana reúne dados que apontam as incoerências e problemas resultantes do modelo do agronegócio atual, e nós selecionamos alguns trechos de seu artigo:

“A agricultura moderna posiciona-se no centro do cenário da crise ecológica mundial, num duplo papel de algoz e vítima. De acordo com Paulo Petersen, coordenador-executivo da AS-PTA, organização que atua no fortalecimento da agricultura familiar e agroecologia há 30 anos, essa dualidade explica-se pela fato de que a monocultura industrializada e os mercados agroalimentares estão entre as principais atividades geradoras da degradação ambiental e das mudanças climáticas mas, ao mesmo tempo, são vulneráveis aos efeitos do uso indiscriminado dos recursos naturais.

A ambiguidade do sistema industrial de produção também pode ser observada nos resultados sociais e econômicos da crise em curso. O relatório O Estado de Insegurança Alimentar no Mundo (SOFI, sigla em inglês), divulgado pela FAO em setembro, informa que existem 805 milhões de pessoas com fome no planeta. Petersen salienta que o número de famintos e subnutridos iguala-se ao de pessoas sujeitas à epidemia de sobrepeso e obesidade – que muito frequentemente acompanha a subnutrição. A insegurança alimentar é o elo mais evidente na articulação entre a crise econômico-social e a crise ecológico-climática.”

Nos parágrafos seguintes a Jornalista apresenta uma experiência de sucesso de um agricultor familiar que voltou a produzir através da agroecologia:

“Compreender a Agricultura Familiar é “um caminhar lentamente”. Foi assim que Francisco, hoje presidente do Consea-Rio (Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do município) definiu sua trajetória, enquanto subíamos o Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), em direção ao seu sítio. Durante a caminhada, desviando de obstáculos, apreciando paisagem e os pequenos frutos espalhados pela trilha, (como cambucá, camboatá e grumixama), acenando para a vizinhança, dando passagem a cavalos e motos e identificando os frutos mais apreciados pelos pássaros da região, ouvimos sua experiência e vivenciamos, em parte, a intimidade que tem com a floresta onde vive.

De família de agricultores em Santa Maria Madalena, município do Estado do Rio, e casado com Angélica Caldeira há 34 anos, cuja família está há cinco gerações cultivando alimentos no Maciço da Pedra Branca, ele diz que já nasceu agricultor. Mas a dureza da caminhada o fez desistir da lavoura. “Não conseguia trabalhar, não tinha assistência técnica, a terra não correspondia devido aos usos indevidos do solo. Era uma atividade muito rudimentar. Não tinha reconhecimento”, lembra. Saiu, então, em busca de melhores oportunidades na cidade, mas continuou insatisfeito. Trabalhou por oito anos em feiras livres na Zona Oeste, entretanto, permanecia inquieto. “Quando você tem um umbigo enterrado nessa história, às vezes, você sai dela, mas ela não sai de você”, concluiu o seu desconforto em desistir de seu ofício.

No Consea, Francisco comemora o fato de ter levado as questões da Agricultura Familiar Agroecológica para a pauta. Em sua opinião, o desafio é contribuir para elaboração de políticas públicas que contemplem o modo de produção local como fundamental para combater a insegurança alimentar. “Temos péssimos hábitos alimentares, com o pensamento de que tudo é produzido na gôndola do supermercado. Tudo vem das caixinhas. Até as sementes tradicionais estão sendo substituídas pelas transgênicas. Precisamos desconstruir esse modelo de produção agrícola que não respeita o meio ambiente e as pessoas. É um modelo que produz commodities para exportar. Temos que desconstruir esse modelo que é bom para alguns e que tem empobrecido o agricultor, que é aquele que produz comida”, declara.”

Juliana conclui sobre o papel central que a Agricultura Familiar e a Agroecologia possuem para superar o atual modelo:

“Essas populações, vistas por muitos como atrasadas e condenadas à extinção, têm hoje importantes aliados na cidade. A Agricultura Familiar está tentando descobrir novas alternativas para situações difíceis. Por isso, afirma o professor Van der Ploeg, cada passo, não importa o quão pequeno, será sempre útil. Daí a importância de fortalecer as organizações civis e movimentos rurais, e compartilhar as experiências bem sucedidas, como é o caso da história do Francisco e seu engajamento às redes (Agrovargem, Rede CAU, Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro/AARJ e Consea). São passos de uma caminhada que inspira, lentamente. Afinal, estamos falando de comida na mesa não só para hoje, mas para as próximas gerações.”

Para leitura do texto na íntegra acesse aqui.


 

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

Agricultores familiares ponderam que as normas sanitárias vigentes no país acabam dificultando ou inviabilizando sua produção. Dentre as principais dificuldades está o fato de produções artesanais de pequena escala serem comparadas e avaliadas como as gigantescas indústrias da cadeia produtiva.

Em entrevista para a Articulação Nacional de Agroecologia, Luis Roberto Carrazza, secretário executivo da Rede Cerrado e Rodrigo Noleto, assessor do ISPN - que participaram da construção por parte da sociedade civil da Resolução da Diretoria Colegiada RDC 49/2013 que regulamenta o setor – comentaram sobre o tema.

Confira:   

Quais os principais entraves que os agricultores familiares enfrentam em relação às normas sanitárias?

É um conjunto de entraves que acaba atrapalhando ou dificultando o desenvolvimento de vários empreendimentos comunitários. A maior dificuldade é em função da inadequação das normas para pequena escala de produção. Todas foram elaboradas pensando em grandes indústrias. O modelo brasileiro é espelhado no americano, que preza muito pela estrutura e excessiva pasteurização ou esterilização do ambiente e dos equipamentos envolvidos no processo. É importante, mas as boas práticas adotadas pelas comunidades possibilitam fazer produtos de qualidade em ambientes às vezes não tão grandes ou estruturados como exige a legislação.

Temos também um problema muito sério com os fiscais da vigilância sanitária e do Ministério da Agricultura (MAPA), que não têm um olhar diferenciado e sensibilidade para lidar com agroindústrias comunitárias. Tem fiscais mais sensíveis e outros menos, mas no geral eles vão com o poder de autuar e olhar o que está errado. Esses órgãos são muito punitivos e pouco orientadores, talvez isso seja um ponto político importante para batalhar.

E como os agricultores fazem para entender essas legislações?

Os empreendimentos têm uma dificuldade muito grande para entender o emaranhado e a complexidade dessas normas e como funcionam os diversos subsistemas. Parte dos produtos que são dos estabelecimentos de agroindústria é de competência de registro do MAPA: Produtos de origem animal (queijo, mel, carnes e embutidos); Bebidas, que inclui a polpa de fruta; E os Vegetais in natura. Todos os demais vegetais processados como geleias, doces e frutas desidratadas é de competência do SNVS (Sistema Nacional de Vigilância Sanitária), cujo o órgão central do sistema é a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Porém, em razão da descentralização do sistema, estados e municípios executam e também regulam de maneira independente e complementar a legislação sanitária.

Então, existe uma duplicidade de órgãos que tratam do assunto, e como a agricultura familiar se viabiliza na diversificação da produção é muito comum que o mesmo empreendimento faça um doce, uma geleia e tenha polpa de fruta para os sucos. A rigor, ele teria de ter duas agroindústrias ou dois registros e as regras e olhares dos órgãos são diferentes.

De alguns anos para cá um grupo de organizações, articuladas pelo ISPN (Instituto, Sociedade, População e Natureza) que está em Brasília, fizeram uma cartilha de normas e foram realizados seminários e encontros com a vigilância sanitária. Esse processo ajudou na construção da Resolução 49/ANVISA (RDC 49/2013). A Anvisa funciona como uma agência reguladora dos órgãos estaduais, todo o processo de agroindústrias de produtos vegetais é feito com a vigilância sanitária nos seus estados. A Anvisa, que é a agência nacional, regula e normatiza. Essa resolução 49 prevê uma condição diferenciada de registro do estabelecimento da agroindústria para agricultura familiar e a economia solidária. Tivemos a conquista da norma, que inclusive prevê a isenção de pagamento de taxa de registro para a agricultura familiar e a economia solidária para o microempreendedor individual também. Porém, a prefeitura ou o estado precisa criar uma lei orgânica para isentar das taxas que são uma obrigatoriedade. Mas o importante é que a sociedade civil se mobilizou e subsidiou o governo para uma resolução que prevê que a vigilância sanitária, no registro de empreendimentos de agricultura familiar, deve fazer um olhar mais sensível em relação à escala.

Por que cada região tem suas especificidades locais e não dá para aplicar um padrão de controle nacional?

Porque é muito diferente você pegar uma agroindústria que processa milho durante 20h por dia e com jornada de vários funcionários, do que outra família que funciona duas vezes por semana. A dinâmica é diferente, então a resolução vem equacionar um pouco isso. Só que tem uma resistência muito grande dos técnicos nos estados, porque são formados com um olhar viciado para a indústria e são muito exigentes em relação às estruturas da agroindústria.

Isso implica em custos e em tempo, no sentido de ter pessoas dedicadas exclusivamente a fazer esse acompanhamento de gestão, que para o pequeno é muito mais difícil.

Temos que centrar nalguma estratégia de incidência política para ir criando por dentro do MAPA, a partir desses técnicos sensíveis, propostas para devagarzinho ir galgando essas mudanças. Grupos defendem que a competência das agroindústrias familiares passe para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas o próprio consultor do órgão nesse tema que ajudou a elaborar a lei do SUASA e foi uma conquista que comemoramos, embora os resultados na prática não tenham se efetivado por uma série de razões, reconhece que não tem estrutura para assumir toda a parte de inspeção sanitária. As delegacias estaduais de agricultura familiar do MDA têm no máximo um delegado e dois ajudantes, e para você tratar do assunto a nível nacional precisaria de uma megaestrutura. Eu defendo que vá tudo para a vigilância sanitária, e incidir para que lá tenha profissionais específicos para lidar com a agricultura familiar e não o mesmo fiscal que trabalha nas indústrias. Um profissional que tenha um olhar mais adequado, inclusive com equipes multidisciplinares: antropólogos, sociólogos e outros profissionais que não engenheiros de alimentos, nutricionistas ou químicos. Pessoas com um olhar mais sensível para essas realidades e a diversidades.

Fotos:Bento Viana/ISPN.





postado por Rafael Rioja Arantes em Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

Curta Agroecologia - Arroz Ecológico: alimento iluminado from AGROECOLOGIA on Vimeo.


 O maravilhoso documentário da série Curta Agroecologia produzido pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) retrata como a produção orgânica melhorou profundamente a vida de agricultores familiares no Rio Grande do Sul.  

“A agricultura orgânica não é uma atividade de competição e sim uma atividade de cooperação”. Juaresz Filipi Pereira, agricultor ecologista

É neste espírito que 470 famílias produzem atualmente mais de 20 mil toneladas de arroz orgânico em uma área de 4000 hectares. Tudo isso graças a criação da cooperativa Coopan que envolve os agricultores em toda a cadeia processual desde o plantio, colheita e armazenamento até a parte administrativa.

O curta perpassa por áreas que se complementam e exemplificam a estrutura da produção agroecológica, são elas:

Sustentabilidade

Os assentados relatam que por não serem utilizados venenos nas lavouras, a água volta aos rios e solos livre de metais pesados e contaminantes. No caso do arroz, a própria casca que é retirada do alimento é utilizada para combustão necessária para secagem e comercialização do produto.  As cinzas restantes são reinseridas nas lavouras como adubo.

Aspecto social

Todas as ações acontecem de forma conjunta por meio da cooperativa, desta forma, toda a comunidade é envolvida gerando renda a informação a todos e todas. Os jovens adultos trabalham meio período por dia e há a preocupação para que eles dediquem também meio período para estudar e se aperfeiçoar.

Abastecimento

Os agricultores familiares também se alimentam daquilo que comercializam e os alimentos que eles não possuem são adquiridos a partir de trocas nas feiras agroecológicas. Desta forma, sua Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional se concretizam.   



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