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Posts Relacionados com a(tag):Agricultura

postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 14 de Março de 2017

Impulsionados pela necessidade de uma produção alimentar mais inclusiva e alternativa ao modelo agroalimentar hegemônico vigente, cada vez mais estudos e projetos têm buscado compreender os fatores e potencialidades relacionados à produção de base familiar. A concentração fundiária  é majoritariamente centrada em latifúndios monocultores e produtores de commodities, mas no que diz respeito a produção de alimentos para consumo humano a nível global, os pequenos agricultores produzem mais de 70% de tudo o que consumimos.       

A publicação desenvolvida pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário é fruto de grupos de trabalho, oficinas e congressos e reuni a contribuição de um vasto grupo de especialistas e pesquisadores dos temas relacionados à agricultura familiar. Dividido em sete partes, a publicação aborda diferentes questões e traz um panorama da questão agrária e caracteriza os camponeses na atualidade, analisa as políticas públicas destinadas à agricultura familiar, e enumera os desafios e perspectivas para se avançar.     

As primeiras duas partes do documento discutem a estrutura agrária Brasileira que aprofundou no século XXI os processos de concentração de terras como resultante do modelo econômico do agronegócio, pavimentado na intensificação produtiva e mercantilização de insumos. Esse modelo hegemônico centrado na grande empresa e no capital, contribuiu em grande escala para a expulsão de povos e comunidades tradicionais , assim como jovens e famílias que ocupavam o espaço rural. A terceira parte, "Inovações Sociais: Experiências Contemporâneas", apresenta um conceito de desenvolvimento rural alternativo ao modelo hegemônico e mais inclusivo, incorporando as noções de agroecologia e soberania e segurança alimentar e nutricional.

Os capítulos subsequentes avaliam as políticas públicas que tem como alvo a agricultura familiar e trazem também as perspectivas futuras, levantando também os desafios e questões relativas aos movimentos e organizações sociais. A última parte também aborda as diferentes categorias e dimensões sociais do trabalho no campo, trazendo alguns exemplos como as mulheres agricultoras e comunidades.       

Acesse a publicação em nossa biblioteca.         




postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

O [Comida na Tela] de hoje apresenta um relato compartilhado no “TEDx Tucson Salon”, no qual a jornalista Megan Kimble conta sobre como foi excluir alimentos processados e ultraprocessados da sua alimentação e porque ela acredita que esse processo seja importante.

A jornalista inicia esse relato (e a própria experiência) problematizando o que são alimentos processados e ultraprocessados. Para entender melhor sobre o assunto e abordar o sistema alimentar, ela começa a visitar supermercados para descobrir como os alimentos chegam até eles e se questiona sobre questões relacionadas à justiça no trabalho e ao excesso de etapas para que o alimento saia do campo e chegue à mesa do consumidor. Para exemplificar esse processo ela cita as etapas que uma melancia produzida no México, passa para alimentar os moradores de Connecticut, passando por questões como justiça no trabalho e preço. Ela compara esse processo ao processo utilizado pelas “Comunidades que Sustentam a Agricultura”, que valorizam o produtor local e se baseiam nos princípios da sazonalidade para produção de alimentos de forma justa, adequada e saudável sem a utilização de pesticidas.

Além disso, ela problematiza a quantidade de açúcar adicionado em produtos ultraprocessados e a substituição por adoçantes. Ao se revelar amantes dos doces, ela conta como descobriu o que a indústria já sabe há décadas, que o açúcar causa certa dependência, levando as pessoas a querer consumir mais e mais açúcar. Quando substituído por adoçantes, a saciedade vem de forma ainda mais lenta, por isso devemos estar alertas ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados que contenham açúcar ou adoçantes na lista de ingredientes.

Para Megan, a escolha por uma alimentação saudável simplifica o dia a dia porque as pessoas não têm mais que se preocupar com a origem da comida, como ela é feita, quais os impactos a produção tem gerado, se vai fazer mal para o corpo, entre tantos outros. Quando se reduz o consumo dos ultraprocessados, você começa a reconhecer o alimento, a origem dele, você mesmo faz preparações e isso gera impacto positivo para si e para a sociedade.

 

Muitas pessoas questionam se ela se sente diferente, e ela responde dizendo “Eu me sinto satisfeita”.

Vale a pena conferir esse vídeo:



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

A capacidade da humanidade se alimentar no futuro está em perigo devido à intensificação da pressão sobre os recursos naturais, à crescente desigualdade e às consequências trazidas pelas mudanças climática, de acordo com um novo relatório da FAO, que é tema do [Biblioteca do Ideias] de hoje.

Apesar de termos alcançado progressos reais e significativos para a redução da fome no mundo, nos últimos 30 anos, "aumentar a produção de alimentos e crescer economicamente têm, muitas vezes, um custo muito alto para o meio ambiente", diz o relatório "O Futuro da Alimentação e Agricultura: Tendências e Desafios". 

"Quase metade das florestas que cobriam a Terra desapareceram. As fontes de água subterrânea estão sendo esgotadas rapidamente. A biodiversidade foi profundamente corroída", observa.

Até 2050 a população mundial deve atingir os 10 bilhões de pessoas. Em um cenário com crescimento econômico moderado, esse aumento da população aumentará a demanda global de produtos agrícolas em 50% em relação à atual demanda, intensificando as pressões sobre os já esgotados recursos naturais.

Ao mesmo tempo, mais pessoas estarão comendo menos cereais e mais carnes, frutas, legumes e alimentos processados - um resultado de uma transição alimentar global em curso que irá adicionar ainda mais pressão ao sistema alimentar, provocando mais desmatamento, degradação da terra e aumentando a emissão de gases causadores do efeito de estufa.

Juntamente com estas tendências, as mudanças climáticas vão adicionar obstáculos. 

O relatório dá esperança quando apresenta a possibiidade de acabarmos com a fome no mundo a partir de sistemas agrícolas e alimentares sustentáveis que satisfaçam as necessidades de uma população mundial crescente. Mas alerta sobre a importância de "grandes transformações" para que isso aconteça. 

"Sem esforços adicionais para promover o desenvolvimento em prol dos pobres, reduzir as desigualdades e proteger as pessoas vulneráveis, mais de 600 milhões de pessoas ainda estarão subnutridas em 2030", diz.

O relatório discute ainda que os sistemas agrícolas que usam insumos e recursos intensivos, que causam desmatamento, escassez de água, esgotamento do solo e altos níveis de emissões de gases de efeito estufa, não podem fornecer alimentos e produção agrícola sustentável, por isso devem ser substituídos por métodos sustentáveis. 

Ainda segundo o relatório as 15 tendências para o sistema alimentar são:

- Uma população mundial em rápida expansão marcada por "pontos quentes" de crescimento, urbanização e envelhecimento

- Diversas tendências no crescimento econômico, renda familiar, investimento agrícola e desigualdade econômica.

- Maior competição pelos recursos naturais

- Alterações Climáticas

- Poucas alterações relacionadas à produção agrícola

- Doenças transfronteiriças

- Aumento dos conflitos, crises e desastres naturais

- Persistência da pobreza, desigualdade e insegurança alimentar

- Transições alimentares que afetam a nutrição e a saúde

- Alterações estruturais nos sistemas econômicos e implicações no emprego

- Aumento da migração

- Mudança dos sistemas alimentares e consequentes impactos nos meios de subsistência dos agricultores

- Persistência de perdas de alimentos e desperdício

- Novos mecanismos de governança internacional para responder a questões de segurança alimentar e nutricional

- Mudanças no financiamento internacional para o desenvolvimento.

E os 10 desafios são:

- Adotar práticas agrícolas mais sustentáveis

- Garantir uma base sustentável de recursos naturais

- Abordagem das alterações climáticas e intensificação dos riscos naturais

- Erradicar a pobreza extrema e reduzir a desigualdade

- Eliminar a fome e todas as formas de desnutrição

- Tornar os sistemas alimentares mais eficientes, inclusivos e resilientes

- Melhorar as oportunidades de obtenção de rendimentos nas zonas rurais e abordar as causas profundas da migração

- Fortalecer a resistência para superar crises prolongadas, catástrofes e conflitos

- Prevenção das ameaças transfronteiras e emergentes da agricultura e do sistema alimentar

- Abordar a necessidade de uma governança nacional e internacional coerente e eficaz

O resumo desse relatório em espanhol pode ser acessado aqui e o completo em inglês está aqui.



postado por Equipe Ideias na Mesa em Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2017


Proporcionar o abastecimento de alimentos orgânicos com processos e insumos sustentáveis, favorecer os circuitos curtos de comercialização e promover a segurança alimentar e nutricional são algumas das potencialidades da agricultura praticada dentro e nas redondezas das cidades.     

Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) é um conceito multidimensional que pode, em linhas gerais, ser definido como o plantio de alimentos e criação animal no perímetro das cidades. A AUP é considerada um elemento para o desenvolvimento sustentável dos centros urbanos. Apesar de ser uma prática milenar, a agricultura urbana vem se reposicionando dentro das metrópoles principalmente a partir de 1990, fruto da expansão da população urbana e do êxodo rural. O tema é pauta de organismos internacionais como a FAO que tem promovido o tema e documentado experiências em diversas regiões, já que alternativas para produção de alimentos saudáveis dentro de sistemas com resiliência ambiental são de extrema relevância uma vez que a população nas cidades não para de crescer assim como os agravos resultantes das mudanças climáticas.  

A AUP se relaciona de forma direta com pelo menos três dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável do Milênio, como os ODS 2 "Fome Zero e Agricultura Sustentável"; ODS 11 "Cidades e Comunidades Sustentáveis"; e ODS 13 "Ação Contra a Mudança Global do Clima, e dialoga de maneira transversal com as outras agendas. Ela pode dar uma importante contribuição para segurança alimentar e nutricional, especialmente em regiões de desertos alimentares. O processo produtivo  da AUP é predominantemente realizado de forma coletiva, empoderando os grupos envolvidos, proporciona o consumo de alimentos saudáveis e pode gerar renda a partir da comercialização de alimentos frescos e com um menor custo.

A transformação de Detroit

A AUP proporciona que as pessoas se sensibilizem de maneira prática e direta com questões ambientais, assim como também podem ser locais de expressão e aprendizagem associados à produção de alimentos.

 Muitas vezes geridos coletivamente, esses locais tornam-se novos espaços de cidadania. Um exemplo exitoso é o que tem acontecido em Detroit. A cidade que já foi uma das mais importantes dos EUA, por abrigar sedes e grande parte da produção das principais montadoras americanas, Chrysler, Ford e General Motors, viu sua “Era de Ouro” chegar ao fim com a crise de 2008. Houve um grande êxodo e, em pouco tempo, a cidade quebrou. Detroit virou uma cidade fantasma. Hoje a cidade conta com diversos projetos que buscam transforma-la em um lugar mais saudável, seguro e verde através de projetos de agricultura urbana para recuperação dos espaços.

O projeto de recuperação, por meio da agricultura, foi iniciado em 2012 por iniciativa da ONG Michigan Urban Farming Initiative (MUFI). O cultivo conta com mais de 8 mil voluntários e já produz o suficiente para atender gratuitamente mais de duas mil famílias que moram na região . O projeto abrange uma área de 30 mil metros quadrados. O complexo conta com mais de 200 árvores frutíferas, hortaliças e vegetais diversos, um jardim sensorial para as crianças e muito mais. Conforme o levantamento da organização, são mais de 300 variedades de vegetais. Desde o início do projeto, a colheita já rendeu mais de 22 mil quilos de alimentos, todos distribuídos gratuitamente à comunidade.

Experiências Brasileiras

Assim como em Detroit, existem diversas outras iniciativas ao redor do mundo, inclusive no Brasil, que mudaram a realidade de comunidades através da agricultura urbana. O documentário "Saindo da Caixinha" mostra iniciativas de AUP na cidade de São Paulo e como a experiência transformou a saúde de indivíduos além de tornar os ambientes urbanos mais verdes e saudáveis. Outra iniciativa é a "Revolução dos Baldinhos" na cidade de Florianópolis que faz a gestão comunitária de resíduos orgânicos sincronizada à prática da AUP, significando uma diminuição da produção do que antes era tido como "lixo" nas cidades e gerando adubo de alta qualidade com inclusão social.

A partir de exemplos como estes, a AUP tem sido incentivada pelos benefícios que tem trazido como: promoção  da soberania alimentar; incentivo ao comércio e distribuição de alimentos e agricultores locais; criação de emprego e geração de renda; redução dos impactos ambientais; e participação social e empoderamento. Os desafios são otimizar cada vez mais a utilização dos insumos, como água por exemplo, e associar a prática da AUP com outras técnicas para conservação e geração de sistemas sustentáveis e integrados garantindo mais equidade e responsabilidade ambiental nas cidades. 

Você conhece ou participa de alguma experiência de agricultura urbana ? Conta para nós na página do FB do Ideias na Mesa !





postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Bons exemplos reais são importantes para apoiar ideais de mudanças estruturais, pensando nisso, o [Comida na Tela] de hoje, trouxe um relato em forma de curta metragem: "AGROFLORESTAR - Semeando um mundo de amor, harmonia e fartura".

"Agroflorestar" apresenta a fascinante trajetória dos agricultores de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, junto com várias falas de importantes nomes do movimento agroflorestal. Originalmente trabalhando com a técnica de corte e queima, suas terras já estavam desgastadas. O filme mostra como a introdução do sistema agroflorestal revolucionou a vida de mais de 100 famílias.

Hoje quase 17 anos depois do inicio do Cooperafloresta, através do projeto Agroflorestar, as ideias de uma agricultura florestal sustentável chegaram ao MST, aonde em áreas degradadas pela monocultura, florestas de alimentos estão sendo plantadas. Como Seu Zaqueu disse no filme: "o MST tem a tecnologia de ajuntar gente, e a Coopera tem a tecnologia de ajuntar plantas." De forma positiva o filme demonstra como podemos ter uma alternativa sustentável para a agricultura, sem destruir o planeta.

Veja aqui o filme completo:



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

Levando em consideração o crescente consumo, entre as crianças, de guloseimas  processadas, em substituição ao que é oferecido em casa e até no cardápio da merenda escolar, o [Você no Ideias] de hoje traz uma experiência que teve como objetivo propagar a valorização da cultura alimentar e dos hábitos alimentares dos antepassados das crianças do município de Pedras de Fogo, Paraíba.

O Projeto Contação de Histórias, realizado por profissionais no NASF, no ano de 2015, foi desenvolvido pela necessidade de despertar o interesse dos pequenos estudantes por alimentos produzidos pela agricultura familiar local. A ação foi realizada por apoiadores das escolas e creches do município que, vestidos de personagens, contavam histórias e lendas sobre os alimentos.

Primeiramente, buscou-se conhecer os hábitos alimentares das crianças, isso possibilitou a percepção de que alguns alimentos oferecidos no cardápio escolar, como a macaxeira (ou mandioca), eram rejeitados. Este alimento é abundante na agricultura familiar da região então se buscou saber a origem do mesmo.

Em conversas com professores e a população percebeu-se que muitas famílias tinham descendência indígena.  Assim, por meio da internet, encontraram algumas histórias e lendas sobre a macaxeira, alimento este que está ligado à cultura indígena e adaptaram ao texto que usaram para uma peça de teatro. Além disso, fizeram pintura de rosto e dançaram ciranda de roda com as crianças que participaram daquele momento especial com muita alegria.

A equipe que realizou essa experiência percebeu resultados positivos devido ao aumento na aceitação da merenda escolar!

Para saber mais sobre a experiência e seus resultados, clique aqui


 

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a SHEILLA VIRGÍNIA SILVA NASCIMENTO, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!

 



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Imagem: Atta Kenare/AFP/Getty Images

O aquecimento global e suas incontáveis consequências que interferem desde geleiras no Ártico até plantações nas cidades é uma seria realidade que as nações precisam enfrentar com seriedade.

Em matéria recente do jornal Britânico The Guardian, que traduzimos alguns trechos e acrescentamos outras informações, o antropólogo Jason Hickel publicou uma série de dados sobre essa temática e mostrou porque a solução pode estar ao alcance das mãos. Estudos recentes demonstram que nos últimos 14 meses os recordes de temperaturas globais foram consecutivamente quebrados e que dificilmente será possível permanecer na faixa de aumento de temperatura de 1,5 graus, mas que ainda é possível manter este incremento abaixo de 2 graus ainda que com um esforço monumental.    

Hickel diz que encontrar uma maneira de fazer a diferença é uma das maiores questões do século 21. Ele salienta que existem várias propostas, incluindo por exemplo capturar o CO2 emitido pelas indústrias, torná-lo líquido e armazená-lo em câmaras no subsolo. Outra seria distribuir ferro nos oceanos para desencadear uma reprodução massiva de algas que absorveriam CO2. Existe ainda uma outra linha de enfrentamento que preconiza colocar gigantes placas espelhadas no espaço para refletirem alguns dos raios solares. Infelizmente, em todos esses casos ou os riscos são muito grandes, ou nós ainda não temos a tecnologia necessária.

Enquanto engenheiros e outras correntes parecem não encontrar soluções através de grandes esquemas tecnológicos, uma alternativa mais simples e menos rebuscada está sendo subestimada: A preservação dos solos.

Os solos são o segundo maior reservatório de carbono do planeta depois dos oceanos, e concentram quatro vezes mais carbono do que todas as plantas e árvores no mundo. No entanto, atividades como o desmatamento e o agronegócio - responsável por intensas modificações no solo, monoculturas e uso intensivo de fertilizantes químicos e agrotóxicos - estão comprometendo nossos solos a uma velocidade alarmante e acabando com a matéria orgânica nele contida. Não por acaso, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) dedicou o ano de 2015 para discutir o tema, e apontou que apesar de 95% de tudo que comemos vir dos solos, este organismo que abriga mais de um quarto de toda a biodiversidade de nosso planeta já teve uma área mundial degradada equivalente a 33% de seu total.

Imagem: Bazuki Muhammad/REUTERS

As práticas de agricultura regenerativa como a agroecologia e sistemas agroflorestais além de serem alternativas ambientalmente sustentáveis e justas do ponto de vista socioeconômico em face ao agronegócio, podem também ajudar diretamente na fixação de carbono nos solos por sequestrá-los da atmosfera. Em outras palavras, a agricultura regenerativa pode ser a nossa melhor chance de frear o aquecimento global. Mesmo assim, grupos e associações que atuam com agriculturas alternativas - Via Campesina - por exemplo, enfrentam enormes batalhas com as poderosas corporações multinacionais que ditam os sistemas alimentares industriais. As corporações mesmo sabendo que os seus métodos centrados em fertilizantes químicos, pesticidas e monoculturas serem também responsáveis pelo aquecimento global, insistem em assegurar seu monopólio para perpetuar seus interesses econômicos.

A disputa aqui não é apenas entre dois modelos diferentes, mas entre duas maneiras distintas de se relacionar com a terra: uma que enxerga os solos como um objeto no qual o lucro deve ser extraído a qualquer custo, e a outra que reconhece a interdependência dos sistemas e honra os princípios de equilíbrio e harmonia. Assim, podemos enxergar os conflitos que causam não apenas os desequilíbrios ambientais como aquecimento global, mas também as violações do Direito Humano a Alimentação Adequada e a Segurança Alimentar e Nutricional.     

Para acessar a matéria na íntegra acesse o link.   


 

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 02 de Setembro de 2016

O [Comida na Tela] de hoje traz um documentário que através de belas imagens e importantes depoimentos, mostra exemplos de projetos de sucesso que seguem o conjunto de princípios e técnicas da chamada Agricultura Sintrópica que viabiliza integrar produção de alimentos à dinâmica de regeneração natural de florestas.

O criador de tais técnicas de recuperação de solos, que por meio de métodos de plantio mimetizam a regeneração natural de florestas complexificando sistemas, é um agricultor e pesquisador suíço que migrou para o Brasil no começo da década de 80 e se estabeleceu em uma fazenda na zona cacaueira do sul da Bahia, chamado Ernst Götsch.  Com o acúmulo de mais de três décadas de trabalho que resultaram na recomposição de 480 hectares de terras degradadas, ele teve como resultado de sua intervenção, além da colheita agrícola, o desenvolvimento na fazenda do seu próprio microclima, 14 nascentes de água foram recuperadas e a repopulação natural da fauna.

Este modelo de agricultura, onde o insumo mais importante é o conhecimento,  tem sido disseminado e adaptado a diferentes regiões e climas nos últimos 30 anos.  E é exatamente alguns desses relatos que o curta "Vida em Sintropia" traz, junto de explicações de como se dá essa forma inovadora de agroecologia.

O vídeo é fruto do Projeto Agenda Götsch, realizado pela parceria dos jornalistas Dayana Andrade e Felipe Pasini, criadores de uma série audiovisual que tem como objetivo ajudar produtores de todo o mundo a adotar técnicas agrícolas verdadeiramente sustentáveis. "Vida em Sintropia" foi uma edição feita especialmente para ser apresentada em eventos na COP21, realizado em Paris no ano passado, com um compilado de experiências expressivas em Agricultura Sintrópica, em imagens e entrevistas inéditas.

Assista:



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

Existem alguns espaços nos quais a produção agroecológica ainda não ganhou o espaço de discussão e reconhecimento adequados. Por isso, um projeto de extensão realizado no Piauí realizou ações de ensino, pesquisa e extensão relacionadas aos conhecimentos, princípios, práticas e demais iniciativas que promovem a soberania e um sistema de base agroecológica sustentável. A experiência do [Você no Ideias] de hoje promoveu interação entre a comunidade escolar, agricultores familiares e sociedade civil, com vistas à valorização da perspectiva socioambiental do fortalecimento da agricultura familiar de base agroecológica.

O projeto foi realizado em 3 pólos nos quais estão inseridos 15 unidades de produção familiar que produzem: alface , abóbora, abobrinha, acerola, batata-doce, berinjela, beterraba, banana, coentro, cebolinha, cenoura, couve, feijão-verde, galinha caipira, milho-verde, macaxeira, maxixe, mamão, melancia, maracujá, ovo caipira, pepino, pimenta, pimentão, quiabo, rúcula, rabanete, repolho, tomate, tomate cereja, bolos e polpas.

Após a inclusão dos agricultores no projeto, foram realizados 5 encontros a partir dos temas:

I. Ambiente e agrobiodiversidade

II. Saúde - a melhor propaganda de valorização dos produtos de cultivo agroecológico de alimentos

III. Produtos e preparações oriundos da agricultura de base agroecológica;

IV. Produção sustentável, manejo, coleta e tratamento para a produção de alimentos saudáveis;

V. Comercialização, mercado local e os programas de compras governamentais de aquisição de produtos da agricultura familiar.

Como forma de agregar a proposta do projeto de extensão ao campus, foi iniciada uma horta local para a eventual necessidade de suprimento do Restaurante Institucional e Estudantil e para o desenvolvimento de atividades interdisciplinares.

Esse projeto já dura dois anos e seus idealizadores visam a sua continuidade, valorizando a intersetorialidade como peça fundamental para que este projeto se mantenha fortalecido com discussões permanentes com base no fomento da agricultura familiar e a promoção de estratégias de base agroecológicas para proteção da saúde e garantia da segurança alimentar e nutricional da população.

Para saber mais sobre essa experiência clique aqui.

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Você no Ideias na Mesa!     

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Tatiane Locádio Timóteo de São Raimundo Nonato, Piauí, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil.



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 11 de Maio de 2016

 

A agricultura familiar desempenha um papel central na estratégia de superação da fome e na segurança alimentar do País, sendo a principal produtora de comida para o campo e a cidade. E o Guia Alimentar para a População Brasileira traz que "A alimentação adequada e saudável também deve atender as formas de produção de alimentos sócio e ambientalmente sustentáveis.".

O [Biblioteca do Ideias] de hoje destaca o Plano Safra da Agricultura Familiar, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Criado em 2003, foi planejado para fortalecer as organizações econômicas da agricultura familiar e estimular a produção sustentável e concentra uma série de medidas que incluem desde os financiamentos de projetos individuais e coletivos até o acesso aos mercados de compras institucionais.

Além disso, ele é renovado e aperfeiçoado a cada ano (a inclusão do Selo da Identificação da Participação da Agricultura Familiar, do Seguro da Agricultura Familiar e do Programa de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar, são alguns exemplos desse aprimoramento), com o período de vigência de julho a junho do ano seguinte, data estrategicamente escolhida para se adequar ao inicio do calendário da safra agrícola brasileira.

O Plano Safra da Agricultura Familiar 2016-2017 dá continuidade às políticas de prestação de serviços de assistência técnica a 230 mil novas famílias, triplicando os atendimentos nesta safra, com um volume recorde de crédito para financiamento da safra de 28,9 bilhões. Também cobre a ampliação da cobertura do seguro agrícola, expansão dos mercados, regularização da agroindústria familiar, criação de um programa de apoio às cooperativas entre outras medidas.

Além disso, lança uma estratégia construída com participação de jovens rurais de todo o País: o Plano Nacional de Juventude e Sucessão Rural; e reduz os juros de 5,5% para 2,5% ao ano para estimulo da produção de base orgânica e agroecológica e o investimento em práticas sustentáveis de manejo do solo e da água, produção de energia renovável e armazenagem.

Os principais pontos tratados pelo Plano são: Mais crédito para produção de alimentos saudáveis; Mais proteção para quem produz: seguro da agricultura familiar/garantia-safra; assistência técnica e extensão rural; Apoio ao cooperativismo; Apoio a comercialização; Apoio à produção das mulheres rurais; Plano nacional de juventude e sucessão rural; Povos e comunidades tradicionais; Reforma agrária; 2º plano nacional de agroecologia e produção orgânica e Desenvolvimento rural com participação social.

Acesso o Plano Safra da Agricultura Familiar 2016-2017 na Biblioteca do Ideias.



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