Ideias na Mesa - Blog


postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Quarta-feira, 09 de Novembro de 2016

As frutas tropicais nem sempre são apreciadas por pessoas de outras nacionalidades pela falta de hábito de consumo ou por não serem tão facilmente encontradas no mercado externo. E quando as encontram, os estrangeiros normalmente não sabem como consumi-las. Diante desse cenário, o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz um livro que reuniu algumas frutas tropicais produzidas e consumidas no Brasil, cujas  formas de consumo podem ser consideradas diferenciadas.

O Brasil possui uma grande diversidade de frutas tropicais nativas e exóticas, ou seja, importadas de outros climas tropicais e adaptadas ao nosso ecossistema. "Para os estrangeiros, as fotografias das frutas presentes no livro passam a ser fundamentais, já que muitas são totalmente desconhecidas para eles", afirma o engenheiro da Embrapa, Marcos Maia, autor das fotos.

O conteúdo da publicação traz informações gerais sobre as frutas com enfoque no consumo. "É possível consumir as frutas com casca, inteira, com ou sem semente, com ou sem auxílio de talheres. E há, ainda, aquelas que só podem ser consumidas após processadas, na forma de suco, sorvete ou geleia, por exemplo.", conta a pesquisadora Virgínia da Matta, uma das autoras da publicação.

Produzido pela equipe da Embrapa Agroindústria de Alimentos e lançado na Feira Rio Alimentação Sustentável, durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, neste pequeno guia os textos são também em inglês e espanhol, ilustrados com fotografias das frutas selecionadas. Assim, espera-se que a publicação forneça aos leitores informações úteis que os ajudem a usufruir mais e melhor deste fantástico universo das frutas tropicais.

Veja a publicação na nossa biblioteca e se delicie com as frutas típicas do nosso país.



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Terça-feira, 08 de Novembro de 2016

No último fim de semana, o Ideias na Mesa foi assistir ao curta metragem “Incondicional”. O filme trata da problemática da alergia alimentar em crianças, abordando o drama de uma mãe desesperada, que persegue uma celebridade que ela acredita ser responsável pela morte de seu filho alérgico.

Após essa exibição participamos de um debate com especialistas sobre a alergia alimentar, os rótulos, a urgência no acesso às canetas de adrenalina e a importância do acolhimento das famílias na sociedade. Inspirados no tema e sensibilizados pela problemática de milhares de pessoas, o [Pensando EAN] de hoje vai discutir as estratégias utilizadas para proteger pessoas que possuem algum tipo de alergia alimentar.

No Brasil, cerca de 8% das crianças e 3% dos adultos possuem alergia alimentar, cujo tratamento demanda um cuidado especial em relação ao que é consumido. Assim, é imprescindível que os rótulos dos produtos industrializados tragam informações claras, legíveis, em língua portuguesa, incluindo dados sobre o risco de contaminação cruzada com outros alimentos, que não os declarados na lista de ingredientes.

Mas uma pesquisa do Datafolha, encomendada pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), organização que atua na área de promoção da saúde, mostrou que 48% dos brasileiros não têm o costume de ler as informações do rótulo. E entre os 52% que leem o rótulo, é alto o percentual daqueles que afirmam entender apenas "mais ou menos": 35% (outros 14% dizem que entendem bem e 3% dizem que não entendem).

Surge então o debate sobre a reformulação dos rótulos, para que de fato atendam as demandas do consumidor e transmitam informação clara e objetiva.

Para a nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Paula Bortoletto, falta transparência e clareza. “As pessoas já valorizam a informação do rótulo, mas, como há dificuldade de lê-lo, isso desestimula a procura-la”. O Idec fez um levantamento que mostrou ainda que o uso de letras pequenas, de termos técnicos – como chamar açúcar de “sacarose” – e a necessidade de fazer contas são os principais inimigos de quem tenta ler os rótulos.

As entidades de saúde e os movimentos de defesa do consumidor têm agitado essa discussão, e é nesse cenário que o Movimento Põe no Rótulo pressionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária de tal forma, que a partir desse ano, é obrigatória a inclusão de alertas a alérgicos, caso o produto contenha amendoim, ovos, camarão, entre outros.

A RDC nº26, de 2 de julho de 2015 dispõe sobre os requisitos para a rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares. Ela obriga a indústria alimentícia a declarar nos rótulos dos seus produtos a presença dos principais componentes que podem causar alergias alimentares. Os alergênicos devem ser destacados nos rótulos dos alimentos embalados na ausência do consumidor.

A medida exige que a informação seja colocada abaixo da lista de ingredientes. O prazo limite para adequação terminou no dia 3 de julho de 2016, mas os produtos que foram fabricados antes da data limite têm até o dia de sua validade para mudar suas embalagens. O objetivo é que os produtos que contenham esses alergênicos apresentem em seu pacote todas as informações necessárias para o cliente. Hoje, o brasileiro pode chegar ao supermercado e saber se o alimento que necessita contém o ingrediente que lhe causa alergia.

Para saber mais assista a essa matéria: 

O informativo da embalagem precisa estar abaixo da lista de ingredientes e dizer se o alimento contém ou possui probabilidade de conter o alergênico. A medida exige ainda, que as empresas coloquem o aviso em negrito e caixa alta.

Em resumo, o que mudou desde o dia 2 de julho foi o seguinte:

Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovada em junho do ano passado, obriga a indústria alimentícia a informar nos rótulos a presença dos principais alimentos que levam a alergias alimentares. São eles: Oleaginosas; leite; trigo; cevada; centeio e aveia; crustáceos; ovo; soja; peixe.

O Ideias na Mesa sempre lembra que comer é um ato político e que as nossas escolhas podem mudar o ambiente no qual vivemos. Por isso, se encontrar um produto sem a rotulagem adequada à RDC 26/15, mande mensagem para ouvidoria@anvisa.gov.br, ligue nos SACs das empresas e exija essa informação e seja crítico ao escolher um produto que não atende às normas que beneficiam a população!

Depois da vitória dos rótulos para os alérgicos o movimento luta pela disponibilização das canetas de adrenalina. Para saber mais sobre esse movimento acesse o site do “Põe no Rótulo”.

Quanto à rotulagem, continuamos na luta para facilitar a leitura das informações que nos dão autonomia e permitem que façamos escolhas conscientes!



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 07 de Novembro de 2016

O [Você do Ideias] de hoje traz uma experiência repleta de afeto e lembranças, realizada pela Fundação Salvador Arena entre setembro e outubro deste ano, aproveitando o Dia Mundial da Alimentação. A ideia era desenvolver um projeto que fosse capaz de despertar reflexões sobre o significado da alimentação na vida das pessoas, considerando que o ato de se alimentar tem diferentes horizontes como a sua relação com o prazer, com a saúde e suas dimensões sociais e simbólicas.

Para isso, foi criada a exposição "Memórias Alimentares: Experiências Saborosas", cuja proposta é resgatar, junto aos funcionários da Fundação, suas próprias relações com os alimentos na forma de relatos, lembranças e fotos. O resultado foi uma exposição (que você pode conferir aqui) com lindos depoimentos, fotos e receitas, que relatam não apenas simples fatos do passado dos funcionários da Fundação, mas memórias repletas de sentimentos que mostram que comer realmente é um ato afetivo e simbólico. 

Segundo a Fernanda Trigo Costa, organizadora que compartilhou essa experiência na Rede, "Falar de memórias é pedir às pessoas que parem um instante no presente para pensar no passado, num passado às vezes distante, às vezes próximo, mas num passado que marcou suas vidas. Falar de memórias alimentares remete a aromas, sons, gostos, carinho, amor e tantas outras sensações que podem ser saboreados em cada um dos depoimentos, fotos e outros materiais que conpuseram esta exposição. Mais do que o jargão 'a gente é o que a gente come', esses depoimentos mostraram que 'a gente come o que a gente é'."

Para conhecer melhor essa experiência, dar uma olhada no Passo a Passo e no relato completo, clique aqui

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Fernanda Trigo Costa,  você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Marina Morais Santos em Sexta-feira, 04 de Novembro de 2016

Cozinhar é mais do que transformar alimentos em refeições para atender nossas necessidades nutricionais e fisiológicas; é uma manifestação de tradições, afeto e valores. Através do cozinhar, ganhamos autonomia sobre nossa própria alimentação e por isso a cozinha é lugar de todos! Para tornar essa prática possível, é preciso criar estratégias que permitam a participação de todos, considerando a diferença de cada um e criando, portanto, uma cozinha verdadeiramente inclusiva.

É nessa perspectiva que o casal Débora e Felipe Dable criaram o canal Chef Cenoura no Youtube! Lá, os dois ensinam receitas do tipo "comfort food" em duas línguas: a portuguesa e a LIBRAS (língua brasiliera de sinais). Assim, a dupla torna suas receitas acessíveis para o público surdo e para o público ouvinte, criando uma verdadeira Cozinha Inclusiva! No vídeo abaixo, a equipe do canal, que inclui o casal e também o videomaker Lucas Costa, conta a história da criação do "Chef Cenoura":

 

O canal inclui receitas deliciosas de massas, bruschettas, hambúrgueres vegetarianos, sobremesas e molhos e conta com um site, onde você encontra as receitas escritas também! Nas palavras de seus criadores "Este é um canal que vai ensinar receitas pensadas e feitas com muito amor. Aqui, todos são bem-vindos. Nossa proposta é uma cozinha inclusiva, descomplicada e que proporcione momentos de felicidade. Se você quer cozinhar e dar amor, aqui é seu lugar.". Abaixo, veja o casal preparando um delicioso Dahl de Lentilha: 




postado por Ideias na Mesa em Quinta-feira, 03 de Novembro de 2016

Por Mariana Ferraz

Pensou em comida nos Estados Unidos, logo as grandes redes de Fast Food vem à mente. Mas a "Cidade que Nunca Dorme", não dorme no ponto e desperta para disponibilização de comida de verdade aos que buscam formas mais saudáveis e justas de alimentação.

Sim, justas!  Isso porque os mercados verdes (chamados de greenmarkets – a nossa boa e velha “feira”) tem como lema levar à cidade o que é produzido localmente. Assim, consumidor e produtor são aproximados, permitindo uma remuneração mais justa pelo alimento, uma vez que são reduzidos os custos de intermediários e de deslocamento por longas distâncias.

Ao contrario do que imaginamos, os greenmarkets não são coisas tão recentes em Nova Iorque. Na década de 70 nasceu a GrowNYC, uma organização sem fins lucrativos que colabora com o governo municipal na gestão das feiras verdes. Não só isso, a organização tem projetos interessantíssimos relacionados à educação juvenil e hortas comunitárias. Todos esse projetos apoiam-se na visão da promoção de comida fresca, saudável, cultivada localmente por agricultores familiares e vendida diretamente ao consumidor.

Nas feiras é possível encontrar legumes e verduras fresquinhas, coloridas frutas da estação e também pães, queijos, vinhos, iogurtes, bolos e docinhos feitos com ingredients locais.  Um ambiente perfeito para trocar ideias, conhecer a história dos alimentos, de onde vêm, como foram produzidos, e claro, receber ideias e sugestões de como preparer novas receitas. Para sentir o clima dos greenmarkets, assista o video produzido com carinho por Mariana Ferraz, colaboradora do Ideias na Mesa.

 

Mais informações:

http://www.grownyc.org/greenmarket/ourmarkets



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Terça-feira, 01 de Novembro de 2016

A história da genética agrícola ocidental e moderna nos levou a um cenário estrutural de produção e segurança alimentar bastante problemático: 75% da biodiversidade agrícola acumulada durante milênios pela humanidade foi perdida por causa da grande uniformidade de cultivos tóxicos, obtidos graças a uma grande erosão genética. Hoje o [Pensando EAN] traz um artigo publicado por Sebastian Debenedetti - professor doutor na Universidade de Buenos Aires, docente de genética e melhoramento na licenciatura em agroecologia da Universidade Nacional de Rio Negro-, e traduzido pelo grupo De Olho nos Ruralistas.

O texto nos ajuda a refletir sobre como a mercantilização e a apropriação de conhecimentos acumulados, diretamente ligados à agricultura, modificaram nossa relação com a biodiversidade alimentar e, junto com o modelo alternativo, lança mão do conceito de genética agroecológica. Tudo isso embasado em dados históricos relevantes e esclarecedores.

Veja aqui o texto completo:

"O melhoramento genético é uma disciplina que começou, de modo incipiente, ao mesmo tempo que o desenvolvimento da agricultura, nas primeiras domesticações dos cultivos, dez mil anos atrás. Assim temos, por exemplo, que a partir do Teocintle se passaram milhões de anos para que, com a domesticação dos milhos primitivos, os americanos obtivessem o milho. Da mesma forma, os cereais de inverno (trigo e aveia) foram desenvolvidos no Crescente Fértil do Oriente Médio e o arroz foi cultivado pelos antigos povos assentados nas regiões da atual China e do Sudeste Asiático.

Deste modo a humanidade deve grande parte da existência de seu sistema alimentar agrícola à contribuição anônima e acumulativa que os primeiros povos originários nos deram durante milênios, selecionando e melhorando constantemente as diferentes espécies cultivadas.

A genética agrícola ocidental e moderna têm, como disciplina, pouco mais que um século de existência formal e acadêmica. Esse suposto “avanço racional” na tecnologia foi buscando, em paralelo ao desenvolvimento da mercantilização universal, diferentes mecanismos para obter uma apropriação do conhecimento acumulado.

A primeira grande tentativa bem sucedida de impedir o uso próprio da semente cultivada, forçando a compra anual obrigatória da semente, ocorreu com a aparição dos híbridos comerciais. Ao se cruzarem duas variedades vegetais, potencializavam-se fortemente as características remanescentes de cada uma, enquanto se evitava o uso próprio por causa da segregação que se evidenciava na geração seguinte, tornando agronomicamente inviável o cultivo.

Até o início dos anos 60, apesar disso, a ampla maioria da diversidade genética agrícola mundial se mantinha e se ampliava pelo livre intercâmbio, pelas viagens e pelo comércio de sementes, sua compra e venda, o cruzamento e a seleção vegetal em cada ambiente agrícola particular.

Em 1961, após a instalação da “revolução verde” estadunidense, se legalizou a “Propriedade Intelectual dos Obtentores Vegetais”, com a invenção e adoção, por vários países, do Convênio Internacional para a proteção das Obtenções Vegetais, ditado por uma “Conferência Diplomática” em 2 de dezembro de 1961, em Paris. Desde então se começou a reconhecer legalmente, pelos países, os direitos à propriedade intelectual dos obtentores sobre as variedades, assinando a “criação” das mesmas e o “descobrimento” de outras, apropriando-se da construção coletiva histórica de toda a humanidade, condensada e sintetizada nas sementes agrícolas.

O projeto de capitalização ocidental das culturas fitogenéticas, desenvolvidas e socializadas pelos camponeses e povos originários, foi plasmado nas atas da UPOV (Organização para a Proteção de Obtenções Vegetais), verdadeiras “guias legais” que foram ditando as leis que permitiram a expropriação de mais-valor por parte das grandes empresas de sementes e o lucro, com base em variedades naturais e preexistentes, selecionadas e aperfeiçoadas, sem reconhecimento da contribuição prévia.

A lei de sementes 20.247 na Argentina responde textualmente às atas de modificação, em 1972, do  Convênio Internacional da UPOV. Mas sucessivas emendas (aproximadamente mil) modificam substancialmente a lei. Isto abriu portas para que, hoje, grandes transnacionais como Monsanto, Syngenta, Basf e Bayer utilizem ou possam utilizar qualquer semente de uma variedade conhecida ou desconhecida, ou mesmo outras plantas comestíveis obtidas a partir da biodiversidade regional, como fonte para inserção de seus transgênicos. Desta maneira foram gerados prioritariamente cultivos resistentes a herbicidas ou lepidópteros, transformando-os em verdadeiros veículos de contaminação genética humana  e em fonte de toxicidade alimentar em grande escala.

Assim, 75% da biodiversidade agrícola acumulada durante milênios pela humanidade se perdeu, diante de uma grande uniformidade de cultivos tóxicos, obtidas graças a uma grande erosão genética.

A agroecologia promove o resgate das práticas e saberes camponeses e indígenas, interagindo livremente com o conhecimento obtido pela modernidade por meio de um diálogo dialético onde, do contraste entre visões anteriormente opostas e incompatíveis, surge uma síntese superadora. Esta disciplina implica uma visão oposta ao agronegócio, especialmente aquele baseado na engenharia genética, implicando a volta à propriedade mista, descartando o uso e abuso dos agrotóxicos, lutando por cultivos comestíveis saborosos e livres de fertilizantes e pesticidas, propondo um manejo holístico e equilibrado do ecossistema agrícola (a interação harmônica entre planta, solo, água, ambiente, animais e populações rurais).

Neste contexto, a genética agroecológica, como nova disciplina, tende a propor planos de seleção e melhoramento contextualizados, integrados e ancorados nos territórios, vinculados à interação com animais e insetos locais. Para isso é preciso que estes sejam tolerados pelos cultivos, promovendo não somente o aumento da produtividade, mas também a manutenção do homem no campo e a sustentabilidade socioambiental.

Deste modo, a agroecologia não somente rechaça a nova Lei Monsanto de sementes, baseada no relatório UPOV 1991 – que, ao limitar o uso próprio, também criminaliza as práticas ancestrais de livre circulação de sementes. Mas também rechaça a atual lei de sementes da ditadura militar de Lanusse, modificada pelo Menemismo, que colocou as bases para o atual modelo agroindustrial, expandido em grande escala na última década. A apropriação do conhecimento acumulado e a transformação dos alimentos em armas biotecnológicas foi um projeto de longo prazo. Hoje, com a nova lei de sementes em debate, estamos diante do fim de um amplo processo de mercantilização monopolista da vida.

Não obstante as boas intenções da agroecologia, porém, não ignoramos o fato de que, sem uma mudança social radical na organização da sociedade, é altamente provável que as transnacionais adotem o programa agroecológico, capitalizando-o e esvaziando-o de conteúdo, com propensão para uma transformação de sentido, em uma espécie de programa Capitalista Agroecológico.

Nesse contexto de mobilização contra a Lei Monsanto de sementes, propomos que a semente transgênica seja claramente rotulada, que se promova um plano nacional de estímulo à agricultura camponesa de raiz regional. E que seja desenvolvido um programa nacional muito amplo de conservação e expansão dos recursos genéticos locais, que permite resgatar em primeira instância as sementes locais e crioulas, para então se estimular seu uso e seu melhoramento genético em um marco agroecológico, com a inclusão de uma reforma agrária integral para potencializar uma ampla produção de alimentos saudáveis, socialmente sustentáveis e economicamente viáveis."

Já parou pra pensar sobre isso?



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

O [Você no Ideias] de hoje apresenta uma experiência de EAN organizada pela prefeitura de Marituba, município localizado a cerca de 11km de Belém - PA, e desenvolvida pelos nutricionistas do Departamento de Alimentação Escolar do município. Realizadas entre fevereiro e junho de 2015, as atividades de EAN aconteceram em 35 escolas e 5 creches municipais com mais de 1000 participantes. As ações, que envolveram crianças de 3 a 6 anos, tinham como objetivo promover o consumo de frutas, conscientizar os alunos sobre a importância da higiene em relação aos alimentos, além de desenvolver conceitos ligados a outras temáticas como higiene pessoal, matemática e português.

Para alcançar esses objetivos, foram realizadas oficinas culinárias em que as crianças, depois de instruídas em relação a higiene e com mãos lavadas e toucas na cabeça, prepararam e degustaram saladas de frutas. Com isso, foi observada grande aceitação das crianças pelos alimentos, inclusive por parte daquelas que anteriormente não tinham o hábito de consumir frutas.  De acordo com Angélica Pereira, que compartilhou a experiência na Rede Ideias na Mesa "O envolvimento com a execução das preparações, provavelmente, contribuiu para um maior interesse para o consumo do produto final, pois manipular, preparar e provar alimentos pode estimular seu consumo." 

Para saber mais sobre a experiência e seus resultados, clique aqui!

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Angélica Pereira,  você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 

 



postado por Equipe Ideias na Mesa em Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

 

No mês do aniversário da Rede, o Ideias na Mesa presenteia o seu público com um novo livro colaborativo da série Mais que Receita. Essa nova edição traz um tema caro aos profissionais e pessoas que desejam mudar hábitos e levar comida saudável para a mesa do brasileiro. A publicação é composta por receitas enviadas por mais de 60 colaboradores da Rede em todo o Brasil. Reunidas em um hotsite criado especialmente para o projeto, elas foram selecionadas com base no conceito de Comida de Verdade, ou seja, são receitas saborosas realizadas a partir de escolhas sustentáveis e que envolvem práticas alimentares saudáveis.

A ideia é incentivar a utilização de ingredientes in natura, plantados no quintal de casa ou comprados em canais agroecológicos/orgânicos para a elaboração de receitas práticas, rápidas e fáceis. Entre as receitas selecionadas, o leitor encontrará entre outras delícias: Peixe na Folha de Bananeira, Tortilha de talos e folhas, Muffins de Tomate, Hambúrguer de batata doce e Rostie de Mandioca.

O livro está organizado em cinco capítulos nos quais as receitas reúnem características que ajudam a compreender e exercitar diferentes aspectos e etapas do sistema alimentar. Além de receitas e belas ilustrações, o leitor encontrará dicas práticas sobre alimentos agroecológicos e informações sobre como tornar o cozinhar mais divertido, e até entender como a alimentação influencia a biodiversidade e as afeta as mudanças climáticas.

A concepção e a organização do livro são de responsabilidade de Marina Morais e Rafael Rioja com coordenação da professora ElisabettaRecine:"O processo de concepção deste livro foi criativo como o próprio o próprio processo de semear, colher e preparar o alimento. Com ele esperamos contribuir com a consciência e a prática de que a nossa comida é a pressão do mundo e um modo de viver que acreditamos", afirma a professora que é coordenadora do Opsan e da Rede Virtual Ideias na Mesa.

 

O Mais que Receitas é uma publicação da Rede Virtual Ideias na Mesa e uma iniciativa do Observatório de Política de Segurança Alimentar e Nutrição do Departamento de Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB), em parceria com a Coordenação-Geral de Educação Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Agráfio (CGEAN/SESAN/MDAS).

Para acessar o Livro no formato on-line clique aqui. Para o formato em .pdf clique aqui e vá para a nossa Biblioteca.

 

 

Publicação: Mais que Receitas - Comida de verdade

Número de páginas: 144 

Edição: Rede Ideias na Mesa

Disponível no site Ideias na Mesa (link



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Muitas pessoas que realizam ações de Educação Alimentar e Nutricional relatam dificuldades na etapa de avaliação, por isso o [Biblioteca do Ideias] de hoje traz esse material que visa orientar a avaliação de práticas educativas envolvendo alimentação nas escolas. O primeiro princípio adotado por esse material é que para avaliar é preciso compartilhar saberes, cumprindo as regras do jogo simbólico em relação ao que é certo, mas sem perder o espírito revolucionário, que busca transformar a imagem de perfeição ou de um final feliz em cotidiano – deixemos os príncipes e princesas em paz em seus castelos medievais europeus. Aqui, se apresenta uma concepção de avaliação que seja útil pra você na prática educativa, reforçando o uso do pensamento mas, sem perder de vista experiências e interpretações individuais sobre o ”comer bem”.

Partimos do princípio que ações de EAN conectam Políticas Públicas, teorias construtivistas e troca de saberes. Avaliar uma prática de EAN é um desafio de interpretação! É necessário se avaliar a todo momento, mas muitas vezes isso parece uma questão nebulosa, algo que causa um certo desconforto, dando uma impressão de acusação. Para acabar com essa perspectiva, a apostila de Avaliação das ações de EAN nas escolas se propõe a conhecer mais profundamente como podemos avaliar ações de EAN para adequar e aumentar as possibilidades do direito de comer bem e da convivência social.

Esse material motiva a construção de critérios e desdobramentos de uma forma de avaliar restrita a ‘sim deu certo’. Há que se planejar uma boa avaliação. O objetivo desta apostila é, portanto indicar parâmetros para análises de EAN no contexto social orientado por Políticas Públicas, certos que politizar é preciso uma vez que “um coletivo organizado pode mais”.

Este material servirá de auxílio prático para redigir uma boa avaliação, mostrando os possíveis caminhos a seguir.

Delicie-se na leitura desse passo-a-passo para uma avaliação eficaz! Acesse a publicação "Avaliação das Ações de EAN na escola" aqui

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

No dia a dia vários dos alimentos que consumimos passam por um processo de polinização para serem produzidos, a maioria, pelos melhores e mais eficientes agentes polinizadores da natureza, que são responsáveis pela reprodução e perpetuação de milhares de espécies vegetais, produzindo alimentos, conservando o meio ambiente e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas: as abelhas. Segundo a FAO, 70% de todas as culturas agrícolas dependem dos polinizadores e estima-se que 1/3 de todos os alimentos que chegam à nossa mesa tenham alguma dependência dos polinizadores para serem gerados.

O que muitas pessoas não sabem, é que esse cenário está em crise, nos últimos anos um problema pauta a apicultura em todo o mundo: o desaparecimento e a morte massiva das abelhas. Um problema de proporções expressivas: só nos EUA mais de 1/3 dos enxames têm sido perdidos todos os anos, e o Brasil e a América Latina começam a se mobilizar frente aos diversos relatos de mortalidade de abelhas, de causas ainda controversas.

Estudos científicos indicam que este fenômeno é sintomático e epidêmico, causado por um distúrbio que mundialmente passou a ser denominado CCD (Colony Collapse Disorder – Síndrome do Colapso das Colônias) ou, simplesmente, Síndrome do Desaparecimento das Abelhas.

Sem as abelhas, tanto a renovação das matas e florestas, como a produção mundial de frutas e grãos ficariam comprometidas. O equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade sofreria um sério impacto, o que afetaria diretamente o ser humano de diversas maneiras.

Tal contexto é, provavelmente, um dos temas que mais intriga a comunidade científica no mundo, por não haver uma razão única. É certo, entretanto, que as múltiplas causas têm, comprovadamente, grande interdependência entre elas. Agrotóxicos, desmatamento, queimadas, doenças, ácaros, mudanças climáticas, déficit nutricional estão entre as inúmeras causas do desaparecimento ou morte das abelhas.

As estatísticas sobre a atividade apícola no Brasil infelizmente são escassas, e um canal para o registro compartilhado do desaparecimento e morte massiva de abelhas apenas começou a ser feito a partir da iniciativa da campanha “Sem Abelha, Sem Alimento”, a maior iniciativa em proteção às abelhas da América Latina, que tem o objetivo de conscientizar a sociedade para a importância destes polinizadores, e alertá-la para os riscos de seu declínio.  O aplicativo Bee Alert, lançado pela campanha, tinha, até fevereiro de 2015, mais de 100 casos documentados na América Latina (sendo 95% deles no Brasil), com aproximadamente 12 mil colmeias afetadas, e cerca de 700 milhões de abelhas exterminadas e o assunto tem ganhado a atenção da mídia, por se apresentar como um problema que evolui e se expande de forma preocupante.

Veja abaixo uma palestra onde a entomologista especialista no assunto faz alguns esclarecimentos, e acesse aqui o site da campanha Sem Abelha, Sem Alimento.

 



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