Ideias na Mesa - Blog


postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

As escolhas alimentares são baseadas, por um lado, na condição onívora do homem, isto é, na capacidade de comer de tudo e, por outro lado, por diversos nos diversos fatores que influenciam nossas escolhas. Assim, ao se realizar ações de Educação Alimentar e Nutricional é importante refletir sobre alguns fatores que determinam nossas escolhas como preço dos alimentos, o sabor, a variedade, o valor nutricional, a aparência, a higiene, entre outros.

Hoje o [Você no Ideias] apresenta uma experiência que foi pensada a partir desses princípios! O objetivo dessa experiência foi homenagear os Agentes Comunitários de Saúde no dia da comemoração da profissão, demonstrando o quanto eles são importantes para a população, discutir sobre os determinantes das escolhas alimentares e suas consequências para a saúde, refletindo sobre os obstáculos e os facilitadores para realizar escolhas alimentares saudáveis e tirando suas dúvidas. 

A experiência teve inicio em sala de aula para definição do tema que seria abordado em comemoração ao Dia do Agente Comunitário de Saúde (ACS). Depois o grupo foi até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e se reuniram com os ACS da unidade.

Primeiramente, organizaram uma roda de conversa para apresentações e para que os ACS contassem sobre a rotina de trabalho, se realizavam trabalho de EAN com a comunidade e o que pensam a respeito do trabalho do(a) nutricionista na UBS. Após essa conversa foi iniciada uma homenagem enfatizando a importância do ACS, ponte entre a população, os profissionais e serviços de saúde, melhorando a qualidade de vida da comunidade. Esse momento proporcionou o início de uma discussão sobre a importância do autocuidade e de se ter uma alimentação saudável.

Para finalizar, foi realizada uma oficina chamada de "Balança das Escolhas” que contou com uma balança de dois pratos. Um deles teria os fatores que são obstáculos e o outro os que são facilitadores para se ter uma alimentação adequada e saudável. Foi pedido para que cada um escolhesse os fatores que tinham mais relevância no dia a dia, escrevessem em etiquetas adesivas e colassem em pedrinhas. Em seguida, as agentes apresentavam suas pedrinhas, colocando-as nos seus respectivos pratos da balança, explicando qual o fator, onde colocaria e o porquê.

Ao final dessa ação, o grupo considerou que o resultado foi melhor que o esperado, a balança estava quase equilibrada, pesando um pouco mais para o lado dos obstáculos. Os fatores que mais dificultam as ACS de terem uma alimentação melhor são: preguiça, “falta de tempo” e desorganização. Esse exercício permitiu a reflexão e discussão sobre soluções cabíveis para mudar a situação.

Essa ação foi baseada no Instrutivo: metodologia de trabalho em grupos para ações de alimentação e nutrição na atenção básica, disponível na Biblioteca do Ideias na Mesa.

Para saber mais sobre a experiência e seus resultados, clique aqui!

 

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Karol David,  você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil! 

 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Bons exemplos reais são importantes para apoiar ideais de mudanças estruturais, pensando nisso, o [Comida na Tela] de hoje, trouxe um relato em forma de curta metragem: "AGROFLORESTAR - Semeando um mundo de amor, harmonia e fartura".

"Agroflorestar" apresenta a fascinante trajetória dos agricultores de Barra do Turvo, no Vale do Ribeira, junto com várias falas de importantes nomes do movimento agroflorestal. Originalmente trabalhando com a técnica de corte e queima, suas terras já estavam desgastadas. O filme mostra como a introdução do sistema agroflorestal revolucionou a vida de mais de 100 famílias.

Hoje quase 17 anos depois do inicio do Cooperafloresta, através do projeto Agroflorestar, as ideias de uma agricultura florestal sustentável chegaram ao MST, aonde em áreas degradadas pela monocultura, florestas de alimentos estão sendo plantadas. Como Seu Zaqueu disse no filme: "o MST tem a tecnologia de ajuntar gente, e a Coopera tem a tecnologia de ajuntar plantas." De forma positiva o filme demonstra como podemos ter uma alternativa sustentável para a agricultura, sem destruir o planeta.

Veja aqui o filme completo:



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

É um pensamento que normalmente temos tarde demais: "Lembra como os biscoitos da vovó eram maravilhosos? É uma pena nunca termos aprendido a receita”. E se a sua avó era como a minha, nem mesmo a receita seria suficiente para encontrar a fórmula perfeita, porque ela até seguia a lista de ingredientes, mas também adicionava alguns outros e tinha um modo intuitivo de preparo.

Mas uma família conseguiu gravar as receitas da matriarca - continue a ler para descobrir como essa família capturou técnicas de fabricação de pão de sua mãe e algumas dicas sobre a preservação habilidades culinárias!

O segredo? Um video!

A mãe de minha madrasta era famosa por seus caseiros e pãezinhos de canela - ela fez pão quase todos os dias e sempre tinha um pão para compartilhar com amigos e familiares. Ela era conhecida por fazer as coisas à sua maneira, por isso a família sabia que simplesmente copiar as receitas não seria suficiente para replicar as deliciosas preparações - eles não seriam capazes de dizer exatamente o jeito que ela amassava a massa ou enchia os rolos doces de canela.

Por isso, eles decidiram que seria melhor filmá-la!

Para o Natal daquele ano, a família editou a filmagem e distribuiu cópias em VDs para todos.

Isso não é uma grande ideia? Se você também gostaria de preservar as receitas de um membro da família, aqui estão algumas dicas.

Dicas para gravar receitas!

Gravar receitas pode ser um desafio, especialmente se o cozinheiro se baseia na memória para fazer o prato. Por isso, faça todas as perguntas que vierem à mente e, se você tiver tempo, teste a receita em casa, uma ou duas vezes, e volte para outra rodada de perguntas, antes de finalizar a receita. Cozinheiros que têm o hábito de cozinhar um prato específico por anos e anos tendem a esquecer de passos-chave e como dizer, por exemplo, quando a massa de pão subiu o suficiente, pois para eles existe a o sentimento de que "simplesmente parece certo."

Uma opção ainda melhor é fazer o prato e leva-lo para que o seu ente querido prove e dê um feedback.  “A crosta estava crocante o suficiente ou muito crocante?” “Você esqueceu-se de servi-lo da maneira tradicional?”

E enquanto você está anotando a receita, faça perguntas para fornecer o contexto para o prato - quando e onde ele foi preparado pela primeira vez? Quais são as memórias associadas ao prato?

Ferramentas para gravar as receitas

Com os iPhones de hoje e as tecnologia de smartphones, filmar uma receita e editar as filmagens é mais fácil do que nunca. Você mesmo pode fazer tudo no dispositivo através de alguns aplicativos de edição de vídeo, como os seguintes:

iMovie (grátis, iTunes) - versão App do built-in Mac programa de edição permite que vídeos simples e reboques.

Video Maker Pro (grátis, GooglePlay) - edição básica de vídeo para o Android com corte simples e montagem de vídeo.

Transforme receitas, em livros de receitas de família!

Se você está reunindo várias receitas, por que não incluí-los em seu próprio livro de receitas especial da família? Muitos sites de fotos permitem que você adicione o texto para páginas e também  existem alguns sites de livros de receitas personalizados lá fora, oferecendo o  trabalho de formatação para você:

Heritage Cookbook (HeritageCookbook.com) - Este site oferece seu próprio software com modelos de receita e a capacidade de importar muitas receitas. O pedido mínimo é de 4 livros de receitas, por isso é uma ótima opção para presentear férias e famílias grandes.

Blurb (Blurb.com/Cookbooks) - Este lado específico do livro de receitas do site do livro de auto-publicação da Blurb oferece software livre para importar e formatar receitas, juntamente com layouts e cores personalizadas. A vantagem com Blurb é permitir que amigos e familiares comprem cópias. A Blurb funciona com a Amazon para que possa distribuir um link e até mesmo vender os livros para qualquer pessoa com interesse.

Shutterfly (Shutterfly.com) - Criar livros de receita com modelos neste site popular - uma ótima opção para incluir várias fotos a cores.

Como você grava e preserva receitas para as gerações futuras?

 

Tradução de matéria do site thekitchn.com, por Ana Maria Maya.



postado por Lucas Oliveira Teixeira em Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

No contexto da sociedade brasileira não é incomum encontrar véus que dividem as classes, as raças, etnias e gêneros. Violências do mais diversos tipos, são algumas das diferenças que estes grupos muitas vezes enfrentam. 

Devido ao processo de construção social ou muitas vezes familiar desde a infância, é comum que se doutrine, mesmo que subconscientemente, os indivíduos à projetarem suas personalidades conforme as expectativas socialmente tidas como "normais". Sobre o gênero feminino, com o passar do tempo, ficou incumbida a tarefa de manutenção da instituição familiar, as tarefas domésticas e, por consequência, da alimentação de seus próximos. 

Uma refeição em família é, para muitos, um momento de reunião do núcleo familiar já que a exaustiva jornada de trabalho tende a distanciar o contato entre pais, filhos e cônjuges. Naquele momento trocam-se memórias, divertem-se juntos, comem e bebem, e são realizadas as interações que os laços familiares. Nesse contexto, o [Biblioteca] de hoje destaca o livro Mulheres do recanto: Antes de saber o que eu como, deixa eu contar como eu vivo. 

O livro, tem como objetivo apresentar o processo de ensino-aprendizagem e as repercussões da ação de Educação Alimentar e Nutricional desenvolvida com dois grupos de mulheres da cidade do Recanto das Emas. É fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido por educadoras/pesquisadoras do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN/UnB), mediante financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A intenção da equipe de educadoras/pesquisadoras era compreender o contexto e as dinâmicas da alimentação na perspectiva de gênero e realizar uma ação de EAN que fosse planejada e executada com a participação ativa das pessoas envolvidas, à luz do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional para as Políticas Públicas (MREAN), publicado em 2012. Assim, por meio de um conjunto de oficinas, as diferentes dimensões do espaço social alimentar foram abordadas, discutidas e registradas em imagens, sons e documentação cartográfica.
O documento está disponível, inteiramente, em nossa Biblioteca.




postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

No dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) fez o alerta: “O clima está mudando. A alimentação e a agricultura também”. O [Pensando EAN] de hoje traz uma reflexão que parte de uma análise de tal problemática com base na ideia de comida como sistema.

O blog jornalístico "Conhecer para Comer" tratou em um artigo a inter-relação entre clima, agricultura e alimentação, indicando dados, fatos e autores que apontam para a emergência de refletir sobre os limites (do planeta, do solo, da água, das pessoas). Veja aqui alguns trechos do texto:

"(...) O chamado da FAO e as consequências visíveis do atual modelo alimentar, nos leva a refletir a partir de uma visão complexa sobre uma das questões levantadas pelo antroposociólogo francês Edgar Morin. Ele destaca o fato de que os sistemas são tratados como objetos. O autor nos incita a conceber exatamente o inverso: os objetos como sistema. Apoiadas nessas reflexões, assim como a ameaça da crise ambiental para a produção de alimentos atualmente e para as gerações futuras, consideramos que devemos compreender o alimento não como um objeto e, sim, como um sistema, inserido no sistema alimentar, ambos sendo sub-sistemas do sistema capitalista, que faz parte do ecossistema e, assim sucessivamente. Deste modo, poderemos entender melhor o alimento e apontar caminhos teóricos e práticos para enfrentar as contradições, antagonismos e complementariedade, inerentes à complexidade de um sistema. (...)

Para falar em alimento como sistema, neste texto, vamos focalizar um dos aspectos da teoria de sistemas. De acordo com Morin e o biólogo austríaco Ludwing von Bertalanffy, um dos maiores teóricos de sistemas, os sistemas estão formados de subsistemas e podem provocar alterações no sistema e vice-versa.  Esta noção, nos leva a pensar nas articulações que existem assim entre o sistema capitalista e sistema alimentar, sendo este último um subsistema do sistema capitalista. (...)

Entender como a alimentação foi capturada pela lógica privada do capital e como o alimento virou mercadoria é uma das chaves para explicar a contribuição do sistema alimentar hegemônico presente no sistema capitalista e as suas consequências no cenário atual de crise ambiental. Nesse sentido, gostaríamos de destacar o trabalho do jornalista Paul Roberts, especializado em economia, tecnologia e meio ambiente. Ele faz um estudo bem amplo sobre o sistema alimentar no livro o fim dos alimentos (2009).(...) Roberts, com postura crítica, volta sua atenção à economia alimentar moderna e descobre que o sistema que deveria satisfazer a nossa necessidade mais básica está falhando.

 Na visão do autor, a crise alimentar é fundamentalmente econômica, pois o alimento não se conforma na categoria de mercadoria. Por ser tão impróprio à produção em massa, Roberts explica que tivemos de reengendrar plantas e animais para torná-los mais eficientes economicamente. E para corrigir os efeitos colaterais, ergueu-se uma indústria de medicamentos, flavorizantes, aditivos e fertilizantes em prol da qualidade, percebida na textura e no sabor de quem compra. (...)

As ambiguidades na produção, distribuição e consumo de alimentos nos conduz à interpretação para o fenômeno da alimentação, considerado por Morin (1973) como um fato humano total, que rearticule ligações indissociáveis, tais como sujeito-objeto; natureza-cultura; e real-simbólico.

O conjunto de crises que marca a civilização – econômica, ambiental e de conhecimento – é um ponto de inflexão para repensar a centralidade da comida em âmbito individual, coletivo e do território. Observamos que as corporações agroalimentares são as maiores beneficiárias das políticas, aumentando, portanto, o volume de produtos alimentares produzidos, sem, contudo, eliminar a fome.(...)

Pensar na ciência ecológica com relação ao alimento nos remete a agroecologia que pode ser definida como uma nova ciência em construção, um novo paradigma de cujos princípios e bases epistemológicas nascem da convicção de que é possível reorientar os cursos alterados dos processos de uso da terra, de forma a ampliar a inclusão social, reduzir danos ambientais e fortalecer a segurança alimentar e nutricional com a oferta de alimentos sadios para todos (CAPORAL, 2009, apud CAMPOS, 2014, p.267). O desafio agroecológico é a complexidade, a procura de um contexto mais amplo. Cada vez um maior número de cientistas se juntam a esta construção, reconhecendo as limitações do método objetivo, entendendo que reducionismo traz danos ecológicos e altos custos sociais.

Morin sinaliza que a um primeiro olhar a complexidade é um tecido (complexo: o que é tecido junto) de constituintes heterogêneas inseparavelmente associadas: ela coloca o paradoxo do uno e do múltiplo. Num segundo momento, a complexidade é efetivamente o tecido de acontecimentos, ações, interações, retroações, determinações, acasos, que constituem nosso mundo fenomênico (2011, p.13).

Na agroecologia, os sistemas agrícolas tradicionais são valorizados e geram tecnologia e conhecimento. Trata-se de uma tecnologia receptiva à heterogeneidade de condições locais, sem procurar transformá-la, mas sim melhorá-la. Assim o conhecimento agrícola tradicional, mais os elementos da ciência agrícola moderna, não transformam nem modificam radicalmente o ecossistema (ALTIERI, 1999, p.60). Podemos dizer que esta nova ciência está tecendo junto os saberes tradicionais e o conhecimento cientifico. Não significa desprezar os conhecimentos científicos até então acumulados. Ao contrário, significa aprofundar os conhecimentos científicos sobre a natureza, seu comportamento, e verificar, com precaução, aqueles que podem ser alterados sem prejuízos à vida na Terra. (...)

Na agroecologia encontramos a valorização das diferentes dimensões não econômicas do alimento, as técnicas agroecológicas procuram a salvaguarda da vida, da cultura e do planeta. Encontramos assim a valoração do trabalho da natureza e o trabalho social o que se contrapõe a abstração do alimento-mercadoria.

Assim, as técnicas agroecológicas estão em total sintonia com o chamado que faz a FAO para este dia mundial da alimentação, promover políticas públicas que favoreçam a transição a este modo de produção pode permitir maior resiliência e adaptação as mudanças climáticas que estão acontecendo."

E você já tinha parado para pensar na alimentação dessa forma? Veja o artigo completo aqui. 



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

O [Você no Ideias] de hoje traz uma experiência que tem como proposta associar arte e saúde, trabalhando junto aos manipuladores de alimentos, do Banco de Alimentos de Ribeirão das Neves, os sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) trazendo também aspectos do dia a dia destes profissionais para sensibilização dos mesmos a um novo olhar frente aos alimentos, especialmente no que tange à higienização das mãos, utilização correta dos equipamentos/materiais, bem como a sanitização dos alimentos.

O projeto de extensão desenvolvido por estudantes do curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, com o tema “Arte faz bem para a saúde: novos hábitos da velha higiene”, foi dividida em 10 encontros, falaremos aqui apenas o caminho percorrido pelos alimentos no corpo humano e os prejuízos causados pelos parasitas.

Os estudantes utilizaram um manequim para melhor explicar/exemplificar os órgãos do corpo humano, especialmente aqueles responsáveis pelo sistema digestivo. Estes órgãos foram confeccionados em tamanho real com materiais recicláveis. Em seguida, foi exposto o caminho percorrido pelos alimentos, e a importância de cada órgão neste processo. Neste módulo, também foi trabalhado o olfato, onde todos deveriam identificar pelo cheiro qual alimento estava guardado nos frascos. Tal dinâmica possibilitou o despertar para uma maior atenção não somente ao aspecto visual do alimento a ser manipulado, mas também ao odor que o mesmo exala. Em outro módulo, discutiu-se a presença de parasitas no corpo humano, e suas formas de contaminação. Essa discussão é de extrema relevância num Banco de Alimentos, uma vez que ao longo da cadeia produtiva o alimento pode passar por diversas formas de contaminação, e a correta manipulação terá toda uma influência junto ao seu destinatário final: os beneficiários das instituições cadastradas. E nada melhor do que utilizar de dinâmica envolvendo o paladar para abordar os parasitas: neste módulo os participantes deveriam identificar o alimento pelo sabor dos mesmos. E por mais que nos seja tentador o sabor dos alimentos, comê-lo "às escuras" (sem obervar seu aspecto geral) implica talvez em algum tipo de contaminação. Ao término de cada encontro, foram expostas telas de artistas para conhecimento de todos e associação das obras ao tema estudado. Sobre o corpo humano e o percurso dos alimentos, utilizou-se de obras com a Deusa Vênus. Sobre os parasitas, as obras de Candido Portinari, que retrata trabalhadores, retirantes, etc., instigando a todos a pensar nas possíveis condições sanitárias a que estariam expostos o público das obras à época de sua criação.

Trabalhar a segurança alimentar, através do correto manuseio e sanitização dos alimentos, contando para isso com a reeducação e/ou reciclagem dos profissionais quanto a sua própria higiene, bem como o impacto disso no seu ambiente de trabalho, fará toda a diferença, segundo os idealizadores do projeto. Os profissionais tornam-se mais entusiasmados e atenciosos com o trabalho, tendo sua autoestima valorizada frente à importância da sua ação perante toda a sociedade e público beneficiado com as doações de alimentos pelo Banco de Alimentos. O ato de manipular o alimento não diz respeito somente à minimização da fome, mas também um mecanismo de promoção da saúde e garantia do direito à segurança alimentar e nutricional.

Para saber mais sobre a experiência e seus resultados, clique aqui!


Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como o Banco de Alimentos de Ribeirão das Neves/MG, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Marina Morais Santos em Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

As PANCs, também chamadas de Plantas Alimentantícias Não Convencionais, andam cada vez mais populares! Ainda bem, já que essas sementes, vagens, raízes, castanhas, folhas, e até frutos são ricas em nutrientes, são parte da nossa rica biodiversidade brasileira e também têm amplo potencial gastronômico! No [Mais que Ideias] de hoje, vamos te apresentar 4 inspiradoras iniciativas para que você se encantar ainda mais por esse tema! 

Neide Rigo - Imagem: Claudia Silveiro/UOL

Neide Rigo - Imagem: Claudia Silveiro/UOL

1) Blog Come-se:

Há quase 10 anos, a nutricionista e colunista do Paladar, Neide Rigo, escreve o blog Come-se, em que explora o universo das plantas comestíveis não convencionais desde antes do termo ser inventado. Além de escrever sobre o tema, Neide também sugere como preparar as PANCs e dá receitas para aproveitá-las em preparações de dar água na boca! Neste vídeo, ela apresenta várias PANCs e mostra que elas podem ser encontradas nos lugares mais inesperados! Neide também é uma das colaboradoras do próximo livro da rede Ideias na Mesa, o "Mais que Receita: Comida de Verdade", que será lançado no final do mês de outubro. 

 

2) Revista Ideias na Mesa n° 8 - Um Passeio pela nossa Rede de Experiências:

Na mais nova revista do Ideias na Mesa, destacamos a experiência dos estudantes do projeto de Estágio em Nutrição e Desenvolvimento Humano da Unisinos, São Leopoldo (RS), que levaram as PANC para a alimentação de três escolas do município de Harmonia, no Rio Grande do Sul. No projeto, além da apresentação e degustação das PANCs pelos alunos, foram realizadas uma oficina culinária e a construção de uma horta com os alunos. Leia a matéria na nossa revista para conhecer melhor esse projeto incrível! 

 

3) Projeto PANCs:

Outra sugestão é o ótimo vídeo Projeto PANCS, realizado pela nutricionista Irany Arteche, que apresentou as PANCs como uma alternativa para enriquecer a alimentação e produção de assentados do MST/RS. Com oficinas do botânico Valdely Kynupp, estudioso responsável por cunhar o termo PANC, as plantas com grande potencial alimentício, gastronômico e de comercialização são apresentadas na mata e até na beira da estrada! 

4) Revista Agriculturas Experoências em Agroecologica - Plantas Alimentícias Não Convencionais:

A revista, disponível aqui, traz o tema das PANCs de diferentes perspectivas com artigos que passeam pelas regiões do Rio Grande do Sul, Bahia, Serra da Misericórdia, Berlim e Etiópia. Você pode acessar gratuitamente e se inpirar com visões tão diferentes e ricas! 

 



postado por Ideias na Mesa em Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016

                                     Imagem: Na Calçada 

No dia 27 de setembro a Rede Ideias na Mesa, em parceria com a webtv Na Calçada, realizou na Universidade de Brasília uma intervenção intitulada "Tenda da Felicidade".

O objetivo dessa ação foi sensibilizar as pessoas sobre alimentação saudável e a influência da publicidade nas escolhas alimentares. A medida que a tenda foi sendo montada alguns passantes observavam com curiosidade, e ao longo de três horas, a ideia foi surpreendê-los com a pergunta: "Você conhece a receita da felicidade?", convidando-os a viver uma experiência cheia de conteúdo, ironia e bom humor.

Surpresa e perplexidade foram algumas das reações daqueles que passaram pela tenda. As reações espontâneas e comentários surgiam a medida que as 9 colheres de chá de açúcar (37 gramas mais precisamente) eram adicionadas, representando a quantidade presente em uma única lata de refrigerante. A quantidade excede o limite máximo para consumo de açúcar durante um dia inteiro, que é de 25 gramas segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da representação ter sido feita com base em uma lata de refrigerante, a reflexão retratou o consumo de bebidas açucaradas, que incluem refrigerantes, sucos e chás gelados industrializados, de uma forma geral.

Para além dos comprovados malefícios à saúde, o enfoque da atividade procurou mostrar como a indústria de bebidas açucaradas investe anualmente quantidades astronômicas de dinheiro em campanhas publicitárias apelando para o lado afetivo e emocional para legitimar e comercializar seus produtos. Ao final de cada intervenção, além da interação com os espectadores, os organizadores da tenda também distribuíram panfletos com informações adicionais. Dentre elas, a taxação de bebidas açucaradas como uma forma de diminuir o seu consumo. Esse caminho tem sido proposto pela OMS que publicou estudo nessa terça feira (11/10) com a seguinte indicação: “políticas fiscais que levem a pelo menos um aumento de 20% nos preços de varejo de bebidas açucaradas poderiam resultar em reduções proporcionais no consumo de tais produtos”.                  

Confira o vídeo da Tenda da Felicidade!

A ação do Ideias foi inspirada em ação semelhante realizada pelo Centro para Ciência no Interesse Público (CSPI) de mesmo nome, "The Happiness stand". Acesse o link para assistir ao vídeo.

Entenda melhor o tema

Com o intuito de reunir conhecimentos sobre essa temática, a última revista lançada pelo Ideias , que pode ser gratuitamente acessada no link a seguir, aprofundou a discussão sobre regulação de alimentos, mostrando iniciativas que tem sido adotadas em outros países no sentido da taxação de bebidas açucaradas. Na contramão, dossiês elaborados pelo jornalismo investigativo tem evidenciado como a indústria de bebidas açucaradas tenta esconder seu vínculo com a obesidade, ou pior ainda, judicializar o trabalho de organizações que tentam preservar a saúde da população.

Inúmeros exemplos também denunciam como o seguimento de produtos não saudáveis tenta comprar a produção de conhecimento com propósitos de marketing através do financiamento de pesquisas de forma conflituosa. Recentemente  um caso brasileiro de estudo financiado por uma grande rede de fast-food evidenciou tal prática.


                   



postado por Isadora Dias Nunes de Sena em Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

Levando em consideração o crescente consumo, entre as crianças, de guloseimas  processadas, em substituição ao que é oferecido em casa e até no cardápio da merenda escolar, o [Você no Ideias] de hoje traz uma experiência que teve como objetivo propagar a valorização da cultura alimentar e dos hábitos alimentares dos antepassados das crianças do município de Pedras de Fogo, Paraíba.

O Projeto Contação de Histórias, realizado por profissionais no NASF, no ano de 2015, foi desenvolvido pela necessidade de despertar o interesse dos pequenos estudantes por alimentos produzidos pela agricultura familiar local. A ação foi realizada por apoiadores das escolas e creches do município que, vestidos de personagens, contavam histórias e lendas sobre os alimentos.

Primeiramente, buscou-se conhecer os hábitos alimentares das crianças, isso possibilitou a percepção de que alguns alimentos oferecidos no cardápio escolar, como a macaxeira (ou mandioca), eram rejeitados. Este alimento é abundante na agricultura familiar da região então se buscou saber a origem do mesmo.

Em conversas com professores e a população percebeu-se que muitas famílias tinham descendência indígena.  Assim, por meio da internet, encontraram algumas histórias e lendas sobre a macaxeira, alimento este que está ligado à cultura indígena e adaptaram ao texto que usaram para uma peça de teatro. Além disso, fizeram pintura de rosto e dançaram ciranda de roda com as crianças que participaram daquele momento especial com muita alegria.

A equipe que realizou essa experiência percebeu resultados positivos devido ao aumento na aceitação da merenda escolar!

Para saber mais sobre a experiência e seus resultados, clique aqui


 

Em 2016 queremos valorizar ainda mais as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a SHEILLA VIRGÍNIA SILVA NASCIMENTO, você pode ter a oportunidade de ter sua experiência divulgada aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!

 



postado por Carla Tavares de Moraes Sarmento em Sexta-feira, 07 de Outubro de 2016

relato

O Marco de Referência apresenta a Educação Alimentar e Nutricional (EAN) como um campo de conhecimento e de prática contínua e permanente, transdisciplinar, intersetorial e multiprofissional que visa promover a prática autônoma e voluntária de hábitos alimentares saudáveis. Apesar de ser um componente curricular que precisa perpassar todo o curso de nutrição, na maior parte das situações a Educação (Alimentar e) Nutricional ainda se restringe a uma disciplina. Fica cada vez mais evidente a necessidade de estratégias curriculares e pedagógicas e também um maior envolvimento do corpo docente como um todo para que a EAN esteja presente ao longo do processo de formação do estudante de Nutrição.

Com o intuito de sensibilizar o corpo docente de um curso de nutrição, sobre a importância de se trabalhar os princípios do Marco de Referência, duas professoras realizaram uma oficina de Educação Alimentar e Nutricional durante a Semana Pedagógica da instituição. O resultado foi muito positivo e você poderá encontrar aqui neste post.

A oficina foi realizada com professores e coordenadores de uma Instituição de Ensino Superior de Brasília, DF, durante a semana pedagógica para apresentar a temática de EAN no contexto do Marco de Referência e seus princípios. A atividade foi realizada em Julho de 2016,

As motivações para a realização da oficina foram:

  • Na maior parte das vezes o nutricionista ainda é quem decide pelo seu paciente, não só no consultório, mas nos diferentes campos de atuação e espaços. Então, como construir um ambiente favorável para que as pessoas possam construir seu próprio conhecimento e tomar suas decisões?


  • Necessidade de desconstrução da ideia atual que o nutricionista virou um profissional para "dar dicas". Porém, para desconstruir vem uma pergunta: quais as características que o profissional precisa ter para contribuir com a transformação das pessoas que o procuram?


  • As redes sociais mudaram as relações e não conseguimos saber até que ponto o nutricionista estava preparado para "se jogar nessa rede" sem perder seu objetivo. Será que perdemos o controle? E até mesmo a credibilidade? Parece que nosso espaço e função está sendo dividido com muitos outros profissionais.

 

  • Qual o perfil do profissional que precisamos atualmente? São quase 7 mil novos nutricionistas credenciados nos conselhos a cada ano e, mesmo assim, as prevalências de sobrepeso e obesidade continuam aumentando.

Que tipo de profissional estamos precisando para atuar com EAN lembrando que os estudantes chegam no curso com distintas perspectivas e interesses. Como envolver e formar com excelência?

A partir destas inquietações foi apresentada a proposta à coordenação do curso de Nutrição do qual as realizadoras da oficina fazem parte do corpo docente. A coordenadora aprovou a oficina e agendou para o primeiro dia da Semana Pedagógica com a participação de todos os docentes e orientadores de prática totalizando 19 nutricionistas.

Saiba mais sobre o planejamento e desenvolvimento da oficina neste link aqui!



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