Ideias na Mesa - Blog


postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Marion Nestle é professora no Departamento de Nutrição, Estudos Alimentares e Saúde Pública da Universidade de Nova Iorque. Nestle é autora de nove livros, incluindo Política dos alimentos: Como a indústria de alimentos influencia a Nutrição e a Saúde.

Em entrevista, Nestle fala sobre como e por que a indústria de alimentos investe na ciência da nutrição.

P: O financiamento da indústria de alimentos influencia os cientistas?

R: Sim. Estudo pós estudo e comentário pós comentário mostram que influencia. Isso tem sido visto nas pesquisas sobre o tabaco, os produtos químicos e as drogas farmacêuticas, que, nessa perspectiva, são as mais próximas aos alimentos.

A pesquisa sobre a influência da “Big Pharma” nas práticas de prescrição ou de investigação dos médicos iniciou há 40 anos. Há evidências de que um presente minúsculo da indústria farmacêutica, como uma caneta ou um bloco de papel, é suficiente para mudar as práticas de prescrição. E os médicos não conseguem perceber isso.

 

P: Eles não são conscientes sobre essa influência?

R: Não, é inconsciente. Eles acham que outras pessoas são influenciadas pela indústria, mas eles não. Eles não têm a intenção de vender um produto. Na verdade, eles negam veementemente essa prática.

Muitas vezes, eles não se aproximam das empresas de alimentos que financiam pesquisas, pois têm uma ideia de que estariam sendo comprados para garantir o cumprimento dos interesses da indústria e essa não é a intenção. A intenção era apenas para obter dinheiro para a pesquisa. O efeito não é reconhecido, não é intencional, mas inconsciente.

 

P: O que sua pesquisa mostrou?

R: Durante um ano, coletei estudos que foram financiados pela indústria de alimentos. Esta foi uma coleta casual. Dos 168 estudos que encontrei 156 deles tiveram resultados que foram favoráveis ao patrocinador e apenas 12 não.

 

P: As revisões sistemáticas concordam?

A: Apenas cerca de uma dúzia de opiniões têm olhado sobre isso. A maioria das evidências é consistente em relação aos estudos apresentados, sobre a indústria farmacêutica . Eles acham que os estudos financiados pela indústria são mais propensos a favorecer os produtos dos financiadores. Isso tem sido mostrado tantas vezes que é um dado. Exceções existem, mas são raras.

 

P: O quanto a indústria está envolvida?

R: É quase impossível obter evidências sobre isso, porque você não está lá enquanto os estudos estão sendo feitos.

Mas alguns e-mails foram reveladores. Por exemplo, em 2015, o New York Times obteve e-mails revelando que a Coca-Cola estava intimamente envolvida com pesquisadores cujos estudos visavam minimizar os efeitos das bebidas açucaradas sobre a obesidade.

 

P: E o recente estudo afirmando que o conselho de comer menos açúcar é baseado em pesquisas fracas?

R: Os autores disseram que o patrocinador do estudo, o “Instituto Internacional de Ciências da Vida (ILSI)”, financiado pela indústria de alimentos e de bebidas açucaradas, não tinha nada a ver com o estudo. Mas Candice Choi, uma repórter, tinha e-mails mostrando que o financiador tinha muito a ver com o estudo.

 

P: Os repórteres não podem pegar as falhas em estudos financiados pela indústria?

R: Até eu posso ter problemas com isso. Às vezes é óbvio, mas às vezes não é. E pode não haver nada de errado com a forma como a ciência é feita. É como a pergunta foi feita, a pesquisa foi projetada, ou como os resultados foram interpretados que conta.

Ou você poderia ter um resultado que é equívoco, mas você pode rodar os resultados de forma positiva. Eu vi muitos exemplos disso nos 156 estudos que coletei.

 

P: Quais empresas do ramo alimentício financiam pesquisas?

R: É difícil pensar em uma empresa alimentos que não. Eles descobriram que se eles têm um produto que parece ruim, eles podem fazer pesquisas para lançar dúvidas sobre essa ciência e destacar os benefícios da comida. Isso inclui açúcar, chocolate, Coca-Cola, carne bovina, carne de porco e laticínios.

 

P: E quanto a estudos sobre alimentos mais saudáveis?

R: Há também pesquisa sobre blueberries, amêndoas, caju, pecans, abacates, romãs. Assim, eles podem anunciar esses alimentos como “superfoods”. E funciona. Essa prática salvou a indústria do mirtilo de Maine. Alguém descobriu que as “blueberries” tinham um monte de antioxidantes, e eles começaram a publicidade sobre isso.

 

P: O que as pessoas podem fazer?

R: Desconfiar. Ter mais do que o nível habitual de ceticismo sobre um único estudo. Faça uma pergunta muito simples: Por que esta empresa pagou por este estudo? O que a empresa ganha com isso?

 

P: Os cientistas não precisam divulgar seu financiamento?

R: A maioria das revistas científicas exige divulgação, mas às vezes os autores esquecem. E raramente há consequências se o fizerem. E até mesmo a divulgação completa não controla o problema. Isso faz com que as pessoas pensem que tudo está sendo cuidado.

Pior, há um corpo substancial de pesquisa que mostra que a divulgação pode ter efeitos perversos. Para algumas pessoas, ver a divulgação faz com que confiem mais em um estudo, talvez porque pensem que os autores estão sendo honestos.

 

P: Você não é a favor da divulgação?

R: Absolutamente. Mas precisamos de uma declaração de divulgação unificada, para que todos tenham de revelar a mesma coisa.

 

P: Não se trata apenas de financiar um estudo?

R: Certo. Alguns conflitos são pessoais. Por exemplo, os pesquisadores teriam de dizer que são consultores da Coca-Cola, fizeram pesquisas no passado com a Coca-Cola, tiveram despesas de viagem pagas pela Coca-Cola, ou qualquer outra coisa.

E mesmo quando se trata do estudo, há gradações. Os pagamentos incluem salários para os investigadores, materiais, pagamentos aos sujeitos? Ou é algo tão pouco como o fornecimento de vitaminas?

A literatura da indústria farmacêutica diz que dar aos médicos uma caneta e uma almofada de prescrição é suficiente para mudar suas práticas de prescrição, mas se essas grandes empresas pagam viagens ou sua educação continuada, isso tem um efeito mais forte.

 

P: Algumas pessoas não acreditam que o financiamento da indústria seja apenas um tipo de viés?

R: Sim. Eles argumentam que todos os pesquisadores têm conflitos intelectuais de interesse. Isso é verdade. Você não faria ciência se não tivesse interesses intelectuais.

No entanto, esses estudos são susceptíveis de ser repetido por pessoas que têm interesses intelectuais diferentes. É por isso que na ciência, um estudo não faz uma conclusão.

Mas financiamento da indústria tem apenas uma finalidade, que é vender produtos alimentares. Essa é a principal diferença entre o viés de qualquer cientista e os vieses da indústria.

 

P: Como os cientistas respondem a você?

R: Muitos estão ofendidos. "Você está tentando dizer que todo o financiamento da indústria é ruim?", eles perguntam. Não. Estou dizendo que a pesquisa financiada pela indústria é mais provável de ser feita para fins de marketing. Enormemente mais provável.



postado por Rafael Rioja Arantes em Quarta-feira, 22 de Março de 2017


O dia 22 de março é anualmente conhecido como o Dia Mundial da Água desde 1992 quando foi instituído como tal pela Organização das Nações Unidas. A cada ano, a data que é “celebrada” para conscientizar a população sobre a importância deste valioso recurso natural ganha um significado ainda maior.

Ao redor do globo e mais especificamente no Brasil, as seguidas crises hídricas somadas a realidade de regiões que ainda sofrem com a falta de acesso à água potável e saneamento, não deixam dúvidas de que é urgente a tomada de decisões para preservar as reservas e aquíferos. É também evidente que para gerir esse recurso de maneira sustentável, não basta aguardar de forma passiva que os regimes de chuva reponham indefinidamente os reservatórios de água enquanto acontecem as mais diversas formas de desperdício e a má utilização da água. Estratégias que garantam uma utilização mais responsável e consciente dos recursos hídricos são imprescindíveis para a sustentabilidade de diferentes sistemas.  

Nesse contexto, disponibilizamos em nossa biblioteca um material informativo elaborado pela ONU lançado para o Dia Mundial da Água 2017 intitulado “Por que desperdiçar água?”. Nele, são compartilhadas informações relacionadas às potencialidades da reutilização de águas residuais assim como a tomada de atitudes para minimizar os desperdícios. O folheto foi desenvolvido no contexto do Objetivo Para o Desenvolvimento Sustentável do Milênio número 6 que tem como premissa assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para a população.   

Algumas das principais mensagens da publicação:

  • Mais de 80% das águas residuais geradas pela sociedade flui de volta para o ecossistema sem ser tratada ou reutilizada
  • 1,8 bilhão de pessoas usam uma fonte de água potável contaminada com diferentes poluentes. Água insalubre e saneamento e higiene deficientes causam cerca de 842.000 mortes a cada ano
  • Até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades, em comparação com 50% atualmente
  • A maioria das cidades nos países em desenvolvimento não tem infraestrutura e recursos adequados para lidar com a gestão das águas residuais de uma maneira eficiente e sustentável
  • Os custos da gestão de águas residuais são grandemente compensados pelos benefícios à saúde humana, ao desenvolvimento econômico e à sustentabilidade ambiental, oferecendo novas oportunidades de negócios e criando mais empregos “verdes”

Além dos padrões de consumo e o não reaproveitamento de água que acontecem a nível residencial, o documento traz uma reflexão sobre os dois setores que juntos correspondem por mais de 80% de toda água consumida no planeta, e por consequência, contabilizam a maior parte dos desperdícios e contaminações. Acesse a íntegra do documento em nossa biblioteca.   


 



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 20 de Março de 2017

A obra Comer bem, viver bem: arte, educação e cultura cadastrada em nossa Rede é um livro colaborativo que conta com trabalhos de conclusão de alunos de duas universidades do Nordeste: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O livro propõe-se a apresentar a arte como objeto de conhecimento no estudo da alimentação, além de discutir o relevo da análise cultural na compreensão da alimentação e destacar também o papel da Educação Alimentar e Nutricional como princípio de diálogo. 

A obra conta com 13 Trabalhos de Conclusão de Curso, orientados pela Professora Dr. Michelle Jacob, e divididos em 3 eixos temáticos: arte, cultura e educação. De acordo com Viviany Chaves, que cadastrou o livro em nossa rede, a obra é fruto de várias pesquisas e ações no âmbito da Nutrição: "São um conjunto de trabalhos de conclusão de curso que já tiveram seus êxitos (resultados) tanto na academia como também, em alguns casos, na comunidade. A ideia de postá-lo no site do Ideias na Mesa é pra justamente divulgar essas pesquisas na área da nutrição que possuem um cunho metodológico mais qualitativo e voltado para as questões subjetivas do alimento, do comer e do sujeito, fugindo do pragmatismo dos estudos epidemiológicos e biomédicos."

O livro traz trabalhos que se utilizaram de obras literárias como as de Cíntia Moscovich, Clarice Lispector, Graciliano Ramos e até mesmo a Bíblia para discutir o fenômeno da alimentação. Além de dedicar uma sessão inteira para debater sobre o papel da Educação Alimentar e Nutricional, relacionando-a com a arte, a cultura e a literatura. 

Viviany acrescentou também: "Acreditamos que o comer bem, e logo o viver bem, passe pelo processo de aprender a partilhar, denominado por Derrida de aprender-a-dar-de-comer-ao-outro, e pelos andinos a saber dar e receber. Nutrir ideias em um livro é um gesto de partilha, de um processo que ativa a interação e, em consequência, na nutrição mútua deste jovem campo em pleno estágio de desenvolvimento. Acreditamos que esse seja o princípio de toda Nutrição Humana." 

Quer saber mais sobre o livro, acessar o seu cadastro e baixá-lo na íntegra? Então acesse a experiência completa aqui.

 


Em 2017 vamos continuar valorizando a Educação Alimentar e Nutricional. Assim como a Viviany Chaves, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 20 de Março de 2017

A obra Comer bem, viver bem: arte, educação e cultura cadastrada em nossa Rede é um livro colaborativo que conta com trabalhos de conclusão de alunos de duas universidades do Nordeste: Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). O livro propõe-se a apresentar a arte como objeto de conhecimento no estudo da alimentação, além de discutir o relevo da análise cultural na compreensão da alimentação e destacar também o papel da Educação Alimentar e Nutricional como princípio de diálogo. 

A obra conta com 13 Trabalhos de Conclusão de Curso, orientados pela Professora Dr. Michelle Jacob, e divididos em 3 eixos temáticos: arte, cultura e educação. De acordo com Viviany Chaves, que cadastrou o livro em nossa rede, a obra é fruto de várias pesquisas e ações no âmbito da Nutrição: "São um conjunto de trabalhos de conclusão de curso que já tiveram seus êxitos (resultados) tanto na academia como também, em alguns casos, na comunidade. A ideia de postá-lo no site do Ideias na Mesa é pra justamente divulgar essas pesquisas na área da nutrição que possuem um cunho metodológico mais qualitativo e voltado para as questões subjetivas do alimento, do comer e do sujeito, fugindo do pragmatismo dos estudos epidemiológicos e biomédicos."

O livro traz trabalhos que se utilizaram de obras literárias como as de Cíntia Moscovich, Clarice Lispector, Graciliano Ramos e até mesmo a Bíblia para discutir o fenômeno da alimentação. Além de dedicar uma sessão inteira para debater sobre o papel da Educação Alimentar e Nutricional, relacionando-a com a arte, a cultura e a literatura. 

Viviany acrescentou também: "Acreditamos que o comer bem, e logo o viver bem, passe pelo processo de aprender a partilhar, denominado por Derrida de aprender-a-dar-de-comer-ao-outro, e pelos andinos a saber dar e receber. Nutrir ideias em um livro é um gesto de partilha, de um processo que ativa a interação e, em consequência, na nutrição mútua deste jovem campo em pleno estágio de desenvolvimento. Acreditamos que esse seja o princípio de toda Nutrição Humana." 

Quer saber mais sobre o livro, acessar o seu cadastro e baixá-lo na íntegra? Então acesse a experiência completa aqui.

 


Em 2017 vamos continuar valorizando a Educação Alimentar e Nutricional. Assim como a Viviany Chaves, você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Ana Maria Thomaz Maya Martins em Sexta-feira, 17 de Março de 2017

O [Comida na Tela] de hoje apresenta um documentário que trata de vinícolas, “Um Ano em Champagne”. A produção registra a rotina da região ao longo de 12 meses, dividida em quatro partes, fazendo alusão as estações do ano, mostrando a cadeia produtiva e a rotina de produtores, empresários e especialistas em vinhos, exclusivo da região francesa de Champagne.

A obra faz parte de uma trilogia que já percorreu a Borgonha e que ainda vai percorrer a região do Porto, em Portugal; e quem conduz o passeio é Martine Saunier, uma negociante de vinho.

O filme encanta pela bela fotografia, mas deixa um pouco a desejar no que tange os detalhes da produção do champanhe. No entanto, é impossível não ficar com água na boca e vontade de visitar esta região ao norte da França, que além de tudo tem muita história contadas por pessoas que viveram momentos de guerras e conquistas.



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 16 de Março de 2017

Brie, parmesão, gouda, gorgonzola, camembert... Os queijos internacionais estão frequentemente presentes na mesa do brasileiro, especialmente em ocasiões especiais e dias de festa, quando queremos comemorar e comer bem. Quando o assunto é os queijos brasileiros, poucas são as variedades conhecidas e, aquelas que são consumidas, geralmente fazem parte das refeições do dia a dia. O queijo minas, o queijo coalho e o requeijão são os mais famosos e são geralmente comidos no pão ou com doces pastosos conforme o nosso costume dita. O universo dos queijos artesanais brasileiros é, no entanto, amplo e recheado de deliciosos e aromáticos tesouros! São dezenas de tipos de queijo artesanais diferentes que fazem parte da bagagem cultural de vários territórios do nosso País. 

Leia também: Queijos artesanais agregam valor com Indicação Geográfica

Os queijos artesanais brasileiros são fabricados a partir de receitas tradicionais, passadas de pais para filhos, mas não é esse o único fator que difere os nossos maravilhosos queijos uns dos outros. A textura, aroma e sabor do queijos dependem também da origem do leite, da alimentação do animal produtor do leite, da quantidade de matéria gordurosa, do tempo de "cura" ou fermentação, do tipo de acabamento e até das condições climáticas do local onde é produzido. Essas variáveis nunca são iguais de uma região para outras e, por isso, obtemos queijos diferentes em cada região com características próprias e singulares.

Leia também: [Comida na Tela] O Mineiro e o Queijo

De toda a imensa variedade de queijos deliciosos que temos como nosso patrimônio, separamos 10 queijos brasileiros incríveis para você conhecer e provar na próxima oportunidade! Já passou da hora de valorizarmos mais os nossos queijos, não é? 

Queijo Canastra

Um dos mais famosos queijos artesanais brasileiros, o queijo Canastra é um produto artesanal tradicional e referência do modo de ser e viver dos habitantes da Serra da Canastra, em Minas Gerais. O modo de fazer artesanal desse queijo, assim como os de Salitre e do Serro, também em Minas, já se tornou Patrimônio Imaterial Brasileiro, sendo registrados no Livro de Registro de Saberes em 2008.

Leite: leite de vaca cru.

Textura: consistência semidura com tendência macia, amanteigada e compacta.

Maturação: cerca de 21 dias.

Sabor: ligeiramete ácido, não picante e agradável. 

Parmesão da Mantiqueira

Esse queijo de cor amarelo-palha com crosta lisa e untuosa é produzido na região da Serra da Mantiqueira, por volta de mil metros de altitude, no estado de Minas Gerais, ao longo das divisas com os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Leite: leite de vaca cru.

Textura: compacta, amarelo-clara, com presença frequente de olhaduras. 

Maturação: mínimo de 40 dias.

Sabor: salgado acentuado e aroma de leite e gordura acentuados com a maturação, sabor potente e picante..

Queijo Serrano

Um dos queijos mais antigos do Brasil, sua fabricação provavelmente se iniciou junto com a povoação dos Campos de Cima da Serra do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a partir da 1ª metade do século XVIII, quando portugueses da Ilha dos Açores que migraram para a região “subiram a serra”.

Leite: leite de vaca cru.

Textura: massa semidura, baixa umidade e textura levemente amanteigada.

Maturação: cerca de 60 dias.

Sabor: sabor intenso e forte aroma de azeitona.

Queijo de Manteiga de Seridó 

Existem vários queijos de manteiga espalhados pelo Brasil, mas eles não são iguais ao queijo de manteiga tradicional de Seridó! Atualmente, os produtores deste queijo buscam um selo de indicação geográfica da produção regional, para fortalecer a marca com base na valorização de aspectos tradicionais e culturais da região.

Leite: leite de vaca cru.

Textura: é fechada, semi-friável, com pequenos orifícios mecânicos contendo gordura líquida no seu interior. 

Sabor: sabor é pouco acentuado, lembrando manteiga (a massa leva manteiga de garrafa), levemente ácido, podendo ser salgado e de cor amarelo-palha.  

Queijo Cabacinha

De origem italiana, o Cáccio Cavalo era o queijo feito inicialmente com leite de jumenta e consistia em um dos principais alimentos para o povo nômade. O nome é resultado do processo de secagem: os queijos são amarrados aos pares por um barbante e pendurados numa vara de madeira "a cavallo" para secar. No Vale do Jequitinhonha, no entanto, o queijo recebeu o nome de cabacinha.

Leite: leite de vaca cru.

Textura: A casca é oleosa e lisa, o interior é de pasta filada (como a mozzarela)

Sabor: aroma é intenso e prolongado, e o paladar é cheio, mas rico e delicado.

Queijo de Marajó

A tradição do queijo de Marajó (PA), produzido por fazendeiros portugueses e franceses, já tem séculos! No início era feito com leite de vacaa, mas com o tempo, passou a ser produzido com leite de búfula. 

Leite: leite de búfula cru.

Textura: textura que lembra um requeijão de corte ou bem cremoso e elástico (existem dois tipos: o creme e o manteiga). 

Sabor: leve com um sabor acentuado de leite. 

Maturação: cerca de 28 dias.



postado por Rafael Rioja Arantes em Terça-feira, 14 de Março de 2017

Impulsionados pela necessidade de uma produção alimentar mais inclusiva e alternativa ao modelo agroalimentar hegemônico vigente, cada vez mais estudos e projetos têm buscado compreender os fatores e potencialidades relacionados à produção de base familiar. A concentração fundiária  é majoritariamente centrada em latifúndios monocultores e produtores de commodities, mas no que diz respeito a produção de alimentos para consumo humano a nível global, os pequenos agricultores produzem mais de 70% de tudo o que consumimos.       

A publicação desenvolvida pela Secretaria Especial da Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário é fruto de grupos de trabalho, oficinas e congressos e reuni a contribuição de um vasto grupo de especialistas e pesquisadores dos temas relacionados à agricultura familiar. Dividido em sete partes, a publicação aborda diferentes questões e traz um panorama da questão agrária e caracteriza os camponeses na atualidade, analisa as políticas públicas destinadas à agricultura familiar, e enumera os desafios e perspectivas para se avançar.     

As primeiras duas partes do documento discutem a estrutura agrária Brasileira que aprofundou no século XXI os processos de concentração de terras como resultante do modelo econômico do agronegócio, pavimentado na intensificação produtiva e mercantilização de insumos. Esse modelo hegemônico centrado na grande empresa e no capital, contribuiu em grande escala para a expulsão de povos e comunidades tradicionais , assim como jovens e famílias que ocupavam o espaço rural. A terceira parte, "Inovações Sociais: Experiências Contemporâneas", apresenta um conceito de desenvolvimento rural alternativo ao modelo hegemônico e mais inclusivo, incorporando as noções de agroecologia e soberania e segurança alimentar e nutricional.

Os capítulos subsequentes avaliam as políticas públicas que tem como alvo a agricultura familiar e trazem também as perspectivas futuras, levantando também os desafios e questões relativas aos movimentos e organizações sociais. A última parte também aborda as diferentes categorias e dimensões sociais do trabalho no campo, trazendo alguns exemplos como as mulheres agricultoras e comunidades.       

Acesse a publicação em nossa biblioteca.         




postado por Marina Morais Santos em Segunda-feira, 13 de Março de 2017

O grupo terapêutico "Mais com Menos", parte do Núcleo de Apoio a Saúde da Família lá em Itabaiana (SE), é formado por 20 mulheres que buscam mudar seus hábitos alimentares para adquirirem mais autonomia e mais qualidade de vida! As estagiárias de nutrição Adriana Nascimento e Josiane Rodrigues sob supervisão da nutricionista Adriana Figuerêdo da Universidade Federal de Sergipe se unirão para realizar ações de Educação Alimentar e Nutriconal no grupo e ajudar essas mulheres na busca por uma alimentação mais saudável.

As nutricionistas organizaram quatro encontros com o grupo de mulheres e realizaram ações com foco na importância da leitura e entendimento das informações nutricionais dos rótulos dos alimentos com várias abordagens. No primeiro encontro, o grupo participou da dinâmica "Você sabia?", na qual foram explicados de maneira divertida e leve os elementos dos rótulos e tabelas nutricionais dos alimentos. Com plaquinhas, situações do dia a dia, vídeos e um clima de bate-papo, foi possível sanar as dúvidas das integrantes do grupo! 

Nos próximos dois encontros, o assunto foi os alimentos ultraprocessados e processados, com o foco na quantidade de gordura, açúcar e sal que esses produtos contêm. Para isso, o grupo participou de dinâmicas com vídeos e instrumentos imagéticos sobre o tema e ainda fizeram uma visita ao supermercado para colocar em prática os conhecimentos adquiridos! 

E para fechar com chave de ouro, no último encontro entre o grupo "Mais com Menos" e as nutricionistas, foram aplicados questionários para a avaliação do conhecimento das participantes em relação aos temas abordados nas ações de EAN. Ao final dos encontros, as participantes relataram que se sentiam mais capazes para fazer melhores escolhas alimentares. 

Quer saber mais sobre essa experiência e dar uma olhada no passo a passo dela? Acesse a experiência na íntegra aqui e se inspire. 


Em 2017 vamos continuar valorizando as experiências de Educação Alimentar e Nutricional cadastradas na rede. Assim como a Josiane Rodrigues de Barros , você pode ter a oportunidade divulgar uma experiência aqui no Blog. Cadastre suas experiências de EAN e compartilhe com outros usuários suas vivências, ideias e desafios. Vamos fortalecer e qualificar nossas ações pelo Brasil!



postado por Marina Morais Santos em Sexta-feira, 10 de Março de 2017

 Os amantes da comida e da culinária poderão se deliciar novamente em uma mais uma incrível viagem gastronômica: em 17 de fevereiro, a terceira temporada do Chef’s Table chegou no Netflix!  

Em cada episódio, de 1 hora de duração, a série é capaz de transportar o espectador para as cozinhas dos chefs, sejam elas dentre de um templo budista na área rural da Coreia do Sul ou em um restaurante estrelado pelo Guia Michelin em uma cidade grande.

A série documental original da Netflix chegou com seis novos episódios, apresentando chefs de diferentes países e culinárias. As estrelas da temporada são Jeong Kwan, uma “freira” budista do templo de Baekyasa (Coréia do Sul), Vladimir Muhkin do White Rabbit (Moscou, Rússia), Tim Raue do Restaurant Tim Raue (Berlin, Alemanha), Virgilio Martinez do Central (Lima, Peru), Ivan Orkin do Restaurante Ivan Ramen (Nova Yorke, EUA) e Nancy Silverton da Osteria Mozza (Los Angeles, EUA).

Com essa variedade de sabores, a única questão é: qual delicioso episódio assistir primeiro? Será que devemos primeiro assistir algo mais familiar e confortável? Ou começar logo com um sabor exótico para acordar as papilas gustativas?

Lá vai uma sugestão de cardápio para te ajudar a organizar a sua maratona:

 

Aperitivo

Ivan Orkin do Restaurante Ivan Ramen em New York

Tipo de Culinária: Ramen

Ingrediente Marcante: Massa de macarrão ramen fresca

Filosofia do Chef: Ele faz comida que gosta de comer, do jeito que quer. 

Na foto: Um prato de ramen da casa, claro. 

 

Sopa

Vladimir Muhkin do White Rabbit em Moscou

Tipo de Culinária: Russa Contemporânea

Ingredientes Marcantes: qualquer ingrediente encontrado na culinária da Rússia Pré-União Soviética. 

Citação do chef: “Farei tudo o que for necessário para trazer de volta os genuínos sabores russos para o povo”

Filosofia do Chef: Os antigos sabores russos foram perdidos durante o período de União Soviética, mas vale a pena trazê-los de volta a vida, mesmo que seja necessário enganar as pessoas com um toque moderno. 

Na foto: Bolinhos de lábios de alce, literalmente.

 

Salada

Virgilio Martinez do Central em Lima

Tipo de Culinária: Peruana Moderna

Ingredientes Marcantes: ingredientes nativos do Peru

Citação do chef: “Descobrir coisas que ninguém descobriu ainda, essa é minha obsessão"

Filosofia do Chef: Você pode “comer" o Peru altitude por altitude.

Na foto: Aranhas em uma Pedra. É um prato de camarão, moluscos e algas. 

 

Prato Principal

Tim Raue do Restaurant Tim Raue em Berlim.

Tipo de Culinária: Asiática, mas com o toque pessoal germânico de Tim. 

Ingredientes Marcantes: sabores franceses e asiáticos.

Citação do chef: “Sou egocêntrico, e me orgulho disso.”

Filosofia do Chef: Provocação a ponto de criar sabores esmagadores. 

Na foto: Lagostim com Wasabi. É tão apimentado que é como se “Tim estive socando sua cara.”

 

Sobremesa e Café:

Nancy Silverton da Osteria Mozza em Los Angeles

Tipo de Culinária: Italiana-Californiana

Ingredientes Marcantes: tipos variados e farinha

Citação do chef: “Você tem que ser obcecado por pão para ser padeiro"

Filosofia do Chef: Cozinhar pratos simples com os melhores e mais frescos ingredientes.

Na foto: Pizza com ovo, bacon, batatas e cebolas.

 

Digestivo

Jong Kwan do Templo Baekyasa em Coreia do Sul

Tipo de Culinária: Culinária vegana do templo budista.

Ingredientes Marcantes: vegetais frescos e grãos.

Citação do chef: “Não sou chef. Sou uma monge”

Filosofia do Chef: "Comida secular cria energia dinâmica, mas a comida do templo deve ser calmante e fazer a sua mente estática."

Na foto: Chá de flor de lótus.



postado por Marina Morais Santos em Quinta-feira, 09 de Março de 2017


Em 2016, o mundo gastou o 9.55 trilhões de reais com comida e desperdiçou 1.3 bilhão de toneladas de alimentos. De acordo com a FAO, essa quantidade assustadora, equivalente a 1/3 de toda a comida produzida no mundo, foi transformada prematuramente em lixo nos campos, fábricas e na casa dos consumidores, produzindo mais gases nocivos do que qualquer país do mundo, com exceção da China e dos Estados Unidos. 

Enfiados nessa grande pilha de desperdício estão 45% da produção mundial de frutas e vegetais, mais de 1/3 da produção de peixes e frutos do mar, 30% dos grãos e cereais e 1/5 dos derivados de leite e carne. Comida o bastante para alimentar toda a população em Insegurança Alimentar na África. 

De acordo com a ONU, as superpotências glutonas, que estocam no supermercados duas vezes mais comida do que o necessário para alimentar sua população, tem sua culpa no cartório. Nos Estados Unidos e Europa, 280kg de comida por pessoa são desperdiçados todos os anos. 

E, para a supresa de todos, as economias em desenvolvimento na África e Ásia não estão em situação muito melhor. Cerca de 160kg de comida per capita são desperdiçados na África Subsariana, enquanto 233 milhões de pessoas lutam para conseguir alimentos. Esse valor assombroso cai apenas um pouco em relação ao sudeste da Ásia: lá são desperdiçados 125kg de comida por pessoa ao ano. 

Um olhar mais atento revela os fatores que causam esse dramático desperdício de comida. No ocidente, nossos hábitos de compra inadequados, obsessão por frutas e vegetais de aparência perfeita e a inabilidade de utilizar toda a comida comprada são alguns dos motivos que explicam porque 1/3 do desperdício ocorre nas fases finais da cadeia produtiva. 

Em países subdesenvolvidos, a história é diferente, apenas 5% do desperdício ocorre na mão dos consumidores e somente 20% durante o processamento dos alimentos, a grande porção do desperdício ocorre nos primeiros estágios de produção. Esses números fazem sentido quando pensamos nas condições ruins de armazenamento, transporte e redes de distribuição de comida dos países subdesenvolvidos, que acabam expressando uma inabilidade de proteger o produto no seu caminho da fazenda até o consumidor.

O expressivo e chocante desperdício de alimentos e o número de pessoas em insegurança alimentar no mundo geram um impasse difícil de engolir. Mas este não é o único problema de jogar comida fora. O planeta também sofre.  

Desperdício de alimentos contribui para a poluição. A energia necessária para produzir alimentos, considerando também o transporte e o processamento deles em fábricas, acaba produzindo gases de efeito estufa. Além disso, a decomposição da pilha de lixo, que poderia ter sido comida, infla os lixões e produz mais gases durante sua decomposição. 

Outro impacto negativo que o desperdício de alimentos acarreta é o desperdício de água. Para jogar comida fora, mais água é utilizada. De acordo com a ONU, o equivalente ao volume de água do rio russo Volga é desperdiçado junto com a comida ao ser jogada fora. Deixar um pedaço de carne no prato é pior do que qualquer outro alimento, considerando que para produzir aquele pedacinho de carne foram necessárias enormes quantidades de grãos, água e pasto. Para produzir 1kg de grãos é necessário cerca de 1.500 L de água, 1kg de carne bovina requer 10x mais do que isso.

 A produção de alimentos é o maior impacto humano na natureza. Atualmente, ela deixa 1 milhão de pessoas sub-alimentadas e outros 2 milhões super-alimentadas, e ainda desperdiça 1/3 da produção. A produção sustentável de alimentos, tão defendida como medida para Sistemas Alimentares justos e ambientalmente sustentáveis, deve ser acompanhada pelo consumo consciente e sustentável. Esforços precisam ser feitos (e cobrados) em todas as etapas produtivas para que o desperdício seja diminuído de uma vez por todas. Uma redução de 15% do desperdício mundial de alimentos, já permite que mais 25 milhões de pessoas sejam adequadamente alimentadas. Imagine diminuir o desperdício ainda mais expressivamente!

Você está pronto para agir? Cobrar atitudes dos governos, conversar com produtores e comerciantes e reduzir o desperdício de comida na sua casa são medidas possíveis. Confira também este post que escrevemos com inspirações de ações para diminuir o desperdício de comida. Mãos à obra e chega de desperdício! 

 



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