Negra te quero, te quero negra. I want you black, black feijoada.

Prato favorito e cotidiano dos brasileiros de todas as classes sociais, a feijoada entrou para o jargão popular, artístico e político. Feijoada significava mistura, confusão, plebe ignara, o dia a dia, os velhos hábitos, o que havia de mais simplório e menos sofisticado. Podia ter, igualmente, um significado sexual – neste caso, “comer feijoada” podia significar ter relações sexuais. Apesar de tão popular, a feijoada, acusada de indigesta e nociva para a saúde, foi proscrita pelas ideias higienistas da segunda metade do século XIX como propiciadora da febre amarela e da cólera-morbo. No entanto, a partir das duas últimas décadas do mesmo século, a difusão das novas ideias microbianas e a descoberta da transmissão da febre amarela pelo mosquito arrefeceram o medo da população contra a doença; e sua erradicação no Rio de Janeiro, a partir de 1907, a reabilitou definitivamente. Com efeito, em 1900, uma das maiores e mais populares sociedades carnavalescas do Rio de Janeiro, a dos Democráticos, refletindo o clima de revalorização de tudo o que era brasileiro, introduziu a “feijoada completa” em seu menu das festividades pré-carnavalescas e substituiu o champanhe pela cachaça. Esta iniciativa “nacionalista”, que se traduzia pelo uso de prato e bebida tipicamente brasileiros, se tornou uma tendência e foi, daí por diante, copiada pelas demais sociedades carnavalescas e clubes esportivos em seus banquetes ordinários. Finalmente, em 1911, em almoço oferecido ao Presidente da República, Hermes da Fonseca, os pratos principais foram churrasco e feijoada. Desde então, a ideológica “feijoada nacional” se impôs no Rio de Janeiro como o prato obrigatório de todas as festividades.

 

Autor: Almir Chaiban El-Kareh

Revista/periódico: Demetra - Alimentação, Nutrição e Saúde.

Data:2015

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